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diversificação das fontes de rendimento está a ganhar espaço entre os profissionais mais jovens. Um estudo da International Workplace Group (IWG), divulgado a propósito do Dia Internacional da Juventude, que se assinala a 12 de agosto, mostra que 33% dos profissionais da Geração Z inquiridos no Reino Unido já têm ou ponderam ter uma atividade profissional paralela. Em 48% dos casos, a principal motivação é aumentar o rendimento e reforçar a segurança financeira.
Em Portugal, a tendência para procurar uma segunda fonte de rendimento também é expressiva. Segundo o estudo Consumo Jovem 2026, do Observador Cetelem, 74% dos jovens adultos entre os 18 e os 35 anos já têm ou ponderam ter uma segunda fonte de rendimento, através de um segundo emprego ou de um projeto paralelo. Quatro em cada 10 afirmam já conciliar a sua atividade profissional principal com uma fonte adicional de rendimento e 34% admitem fazê-lo no futuro.
A remuneração mantém-se entre os principais fatores nas decisões profissionais dos trabalhadores mais jovens. De acordo com o estudo da IWG, 43% dos profissionais da Geração Z mudaram de função duas ou três vezes nos últimos três anos. Entre aqueles que mudaram, 30% apontam a procura de um salário mais elevado como principal motivação. A mobilidade profissional surge, assim, associada à procura de melhores condições financeiras, num momento em que os jovens enfrentam também maior pressão sobre os custos de vida.
Em Portugal, quase quatro em cada 10 trabalhadores com menos de 30 anos têm contratos temporários, segundo dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos/Pordata. Já o Gen Z and Millennial Survey 2025, da Deloitte, indica que 54% dos inquiridos portugueses da Geração Z vivem de salário em salário.
A inteligência artificial (IA) é outro dos fatores que está a influenciar a relação dos profissionais mais jovens com o trabalho. Segundo o estudo da IWG, 55% dos profissionais da Geração Z acreditam que a IA irá transformar as suas carreiras.
Por cá, a utilização de IA generativa já é significativa. O estudo da Deloitte mostra que 54% dos inquiridos portugueses da Geração Z utilizam esta tecnologia diariamente no trabalho e 72% consideram que a IA melhorou a sua produtividade.
A evolução tecnológica está também a aumentar a importância atribuída às competências humanas. Um estudo realizado pela Mortar Research junto de 510 profissionais responsáveis por recursos humanos, recrutamento e contratação nos Estados Unidos conclui que 90% consideram que não dar prioridade às competências humanas representa um risco para a inovação. Para 65%, a IA não consegue replicar a empatia humana e 53% consideram que a liderança continua a ser uma capacidade exclusivamente humana.
Flexibilidade pesa nas escolhas profissionais
A possibilidade de trabalhar de forma flexível surge igualmente entre os fatores valorizados pelos profissionais mais jovens. De acordo com a IWG, 65% dos profissionais da Geração Z inquiridos afirmam que estariam menos disponíveis para desenvolver projetos empreendedores ou múltiplos percursos profissionais se tivessem de realizar longas deslocações diárias para o trabalho.
Em Portugal, 27,2% dos profissionais da Geração Z afirmam que recusariam uma proposta de emprego com um salário mais elevado se a entidade empregadora não disponibilizasse a possibilidade de trabalhar remotamente ou em regime híbrido, de acordo com um estudo da Randstad Research, divulgado em junho.
No estudo da IWG, 24% dos inquiridos dizem que o trabalho híbrido reduz o tempo gasto em deslocações, permitindo utilizar esse tempo em projetos pessoais ou fontes adicionais de rendimento. Outros 20% consideram que o modelo lhes permite explorar novos percursos profissionais sem abandonar a principal função e 21% dizem que facilita a colaboração com profissionais de outros setores.
A importância atribuída à redução das deslocações também surge entre os jovens que ainda não chegaram ao mercado de trabalho. Um estudo adicional da IWG, realizado junto de mil jovens entre os 11 e os 17 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos, revela que 75% consideram que eliminar o tempo perdido nas deslocações será importante para a forma como irão organizar o seu dia de trabalho.
Jorge Valdeira, Country Manager da IWG em Portugal, afirma que “a Geração Z está a entrar no mercado de trabalho num período de transformação decisiva. Com a IA a redefinir rapidamente setores e funções profissionais, esta geração está a adaptar-se através do desenvolvimento de novas competências, da criação de múltiplas fontes de rendimento e de percursos profissionais diversificados que reforçam a sua proposta de valor”. Sublinha ainda que “é uma geração ambiciosa e trabalhadora, e modelos de trabalho mais flexíveis estão a ajudá-la a desenvolver todo o seu potencial. Ao reduzir as longas deslocações diárias e permitir que as pessoas trabalhem mais perto de casa, a flexibilidade dá aos jovens profissionais a possibilidade de desenvolver novas competências, colaborar e aceder a novas oportunidades”.
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