O Kaizen Institute e a Hays Portugal realizaram o Barómetro RH 2024 e os resultados dos inquéritos a 150 Diretores de RH de médias e grandes empresas já foram divulgados. As incertezas económicas, a rápida evolução das tecnologias e as crescentes lacunas de talento estão a transformar o panorama destes profissionais. Assim, a reavaliação estratégica das práticas de gestão de pessoas é essencial, forçando as empresas a inovar no recrutamento, na retenção e no desenvolvimento de talentos.
O já mencionado estudo relatou que 67% dos empregadores identificam novamente a retenção de talentos como um dos maiores desafios no atual mercado de trabalho. 57%, por outro lado, destacam a atração de profissionais qualificados como principal dificuldade.
Quanto às áreas que exigirão maior investimento por parte das equipas de RH em 2025, 59% dos inquiridos mencionaram a retenção de talento, com foco na promoção da mobilidade interna, e a procura de talento externo. 41% consideraram a capacitação dos colaboradores em novas tecnologias, como IA e Analytics.
De forma a superar os desafios, metade das empresas inquiridas estão focadas no recrutamento interno e nas promoções entre diferentes áreas e funções, sem ignorar os programas de estágio ou trainees. 43% destacaram os pacotes salariais e os benefícios competitivos. Assim, as empresas estão a criar oportunidades de crescimento interno e a apostar em novos talentos. 70% das empresas inquiridas garantiram estar focadas na promoção de um ambiente de trabalho positivo e inclusivo.
Da perspetiva da Hays Portugal
Matilde Moreira, Strategic Accounts Director da Hays Portugal, afirmou: “Faz todo o sentido os empregadores continuarem a investir em estratégias de retenção de talento, com mais e melhores benefícios, uma boa oferta salarial, um bom plano de carreira e de formação, etc. No entanto, insistir apenas em reter quem já está na empresa acaba por prejudicar o crescimento de um negócio.”
“Uma estrutura estagnada traz alguma tranquilidade temporária para os departamentos de Recursos Humanos, sim, mas é também um presente envenenado para o futuro das organizações. A verdade é que, para crescer, é preciso algum nível de disrupção e essa disrupção implica novas ideias, novos planos e novas pessoas que venham agitar um pouco a nossa zona de conforto. Até porque uma das coisas mais perigosas que pode acontecer a um negócio é ficar preso na zona de conforto.”, rematou.
Através do investimento no desenvolvimento contínuo dos colaboradores, as organizações conseguem aumentar a produtividade e a satisfação dos funcionários e reduzir o risco de lacunas de competências, principalmente face às mudanças no mercado ou à introdução de novas tecnologias.
Neste seguimento, 56% dos empregadores inquiridos revelaram estar a apostar em programas de onboarding personalizados para cada colaborador. Por outro lado, 46% atribuem um mentor para acompanhamento durante o período inicial. Metade dos empregadores inquiridos revelaram que recorrem à formação externa, para garantir a requalificação e a formação contínua. 61% possuem um plano interno.
As políticas de ESG das empresas
A implementação de políticas de ESG é cada vez mais reconhecida como um fator de criação de valor para a estratégia corporativa. Contudo, apenas 36% das empresas inquiridas se encontram num estágio básico de maturidade a este nível. 8% indicaram possuir algumas iniciativas e um relatório de sustentabilidade, mas sem uma plena integração destas práticas na estratégia global da empresa.
Estes valores demonstram que a maioria das organizações ainda está numa fase muito inicial de implementação de práticas sustentáveis, com foco no cumprimento de requisitos mínimos ou nas iniciativas pontuais. Apenas uma minoria tem práticas consolidadas e relatórios de sustentabilidade bem estruturados.
O papel dos profissionais de RH na implementação das práticas de sustentabilidade varia de empresa para empresa. 46% dos empregadores inquiridos já integram esta área na implementação da estratégia de ESG, enquanto outras assumem uma abordagem mais limitada. Nestes casos, os profissionais de RH participam em iniciativas pontuais, como políticas de diversidade. Ainda há um terceiro grupo de empresas, que integra as que não envolvem os profissionais de RH neste contexto.
A evolução da tecnologia nas empresas
As tecnologias emergentes, como a IA, estão associadas a desafios como a incerteza entre os colaboradores e a necessidade de equilibrar a eficiência com a produtividade sustentável. Neste âmbito, 51% dos empregadores inquiridos referiram que as restrições orçamentais e os custos de implementação bastante desafiantes. Isto, por constituírem as principais barreiras na implementação de processos de transformação digital. 34% destacaram a resistência natural à mudança.
A colaboração entre humanos e tecnologia é fundamental para enfrentar os desafios do mercado de trabalho atual, no qual as inovações tecnológicas estão a mudar o futuro da gestão de pessoas. 70% dos empregadores inquiridos consideraram como tendências mais impactantes as tarefas assistidas por IA e automação. 34% mencionaram o uso de Machine Learning e algoritmos para prever, analisar e melhorar os dados. Todas estas ferramentas permitem uma tomada de decisões mais informada. 57% garantiram proceder a aumentos salariais.
Filipe Fontes, Senior Director do Kaizen Institute Western Europe, referiu: “A expectativa dos colaboradores representa um desafio significativo para as organizações. Com a abordagem Kaizen, é possível treinar o músculo da mudança e criar processos ágeis que promovam a adaptação a estes desafios, fundamentais para a sustentabilidade.”
“Os recursos humanos têm um papel crucial nesse contexto, enquanto os líderes continuam a enfrentar o desafio de equilibrar a eficiência tecnológica com a preservação do capital humano e o bem-estar dos colaboradores. À medida que a transformação digital, as políticas de ESG e as expectativas das gerações mais jovens moldam o futuro da gestão de pessoas, a chave para o sucesso estará na adaptabilidade e na inovação. Organizações que incorporarem estes elementos nas suas estratégias de gestão de talentos estarão mais bem preparadas para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades nos próximos anos.”, concluiu.