Maria Júlia Nunes
Soft Skills and Mindfulness Leadership and Corporate Coaching and Training, Executive and Life Coaching, CEO e Founder da INSOUL
Longe vão os tempos em que os negócios e as empresas se regiam pela visão fechada dos seus gestores ou empresários. O tradicional há muito que se dissolve num ritmo catatónico, abrindo-se irremediavelmente ao florescimento de novas possibilidades e oportunidades. Os que resistem, em zona de conforto assente na visão ilusória e narcísica, têm os dias contados, tal como as suas empresas. Ainda os há, os que teimosamente se agarram a um imaginário seguro e fantasioso, ignorando o mundo actual.
Nestes casos, recordo-me sempre de uma experiência marcante, que tem mais de 20 anos. Sendo eu uma jovem em início de carreira, envolvi-me num projecto de desenvolvimento do capital humano, junto de pequenas e médias empresas de raiz portuguesa. Um grupo de “destemidos jovens” iniciou uma “cruzada” rumo à evolução do tecido empresarial português. Foram tempos excepcionais, de abertura para novos paradigmas de competências e métodos de trabalho. Em paralelo com essa evolução e entusiasmo, esbarrámos frequentemente na teimosia e fechamento dos decisores, face às propostas de novas estratégias de recursos humanos. E, amiúde, ouvimos a seguinte resposta: “Os meus trabalhadores não vão receber formação, porque assim ficavam a saber mais do que eu”.
Desde sempre, o mundo esteve em mudança contínua e os negócios nunca foram estáticos, permitindo assim que evoluíssemos. Mais recentemente, as mudanças ocorrem a todos os níveis, simultaneamente, e a um ritmo frenético, criando profundos impactos em todas as formas e processos de relações humanas, ambientais, políticas ou económicas. É uma revolução sem precedentes e nada escapa a este processo. Há quem lhe chame uma revolução da consciência.
Concordo com esta afirmação. Ela representa a transformação da visão humana, face aos seus próprios ecossistemas e modelos obsoletos, que não se enquadram mais numa consciência que se iluminou, alvorecendo num futuro assente em valores de partilha, colaboração e criação de valor. Esta transformação consciencial é uma oportunidade de desenvolvimento sem precedentes, que obriga a reconfigurar, regenerar, recalibrar e reconectar o que se sabe, o que se faz e como se faz, para que possam emergir os valores e significados que dão propósito à experiência humana. Essencialmente, o mundo digital e a robótica criaram a 4.ª Revolução Industrial, mas os negócios continuam a ser feitos por pessoas, para pessoas e através das pessoas.
Este trio tem na sua génese os mesmos anseios, expectativas e medos, comuns à espécie humana, e os factores diferenciadores desta relação estão intrinsecamente guardados na essência de cada pessoa. O foco está nas pessoas. Sempre esteve. Tem ganho terreno o conceito de human age, um processo de disrupção nos modos de trabalhar, que se identifica com as ansiedades humanas, na medida em que explora os seus potenciais face à reconfiguração da escolha individual perante o trabalho. A human age, ou optimização adequada do potencial humano, pode ser o factor determinante no sucesso e crescimento dos negócios. A navegação neste tempo volátil e incerto obriga a uma atenção redobrada nos recursos e na sua optimização.
Creio firmemente, que no plano do trabalho, o potencial das pessoas deve ser visto a um novo olhar, para o qual os líderes se devem preparar. Como podem os líderes promover a transformação da sua liderança, quando eles próprios não optimizaram o seu potencial? É emergente a transformação da visão da liderança, pelo florescimento de novos alicerces que explorem o talento, nas suas mais diversas formas, partindo do potencial total de cada pessoa. Há que ter em conta que o potencial reside nas células, por conseguinte, no corpo, na mente, no cérebro. É explorado pelos sentidos e pelas emoções e realizado pelo agir, de uma determinada maneira e face a objectivos, consciente ou inconscientemente.
O foco é activar e desenvolver um ecossistema que revele e reconfigure sofisticada e assertivamente os potenciais individuais, desenvolva a sua implementação e modo de colaboração, e crie a visão objectiva do caminho a seguir, assim como as metas para resultados.
Este processo constitui os pilares que revelam o brilho das forças pessoais. Quando devidamente orientadas, coerentemente alimentadas da cultura da empresa, impregnadas de aprendizado e melhoria contínua, libertam consistentemente o potencial humano, que tende a ser cada vez mais o principal agente de crescimento das empresas. A qualidade da relação entre empresas e as suas pessoas é a fundação do modo como pessoas e negócios interagem e trabalham. As pessoas anseiam por se sentir relevantes e as empresas necessitam de crescimento e sucesso. Num ambiente de negócios onde a inovação e a criação de valor estão em aberto, pessoas e empresas no seu nível mais elevado abrem portas a possibilidades infinitas e oportunidades sem fim. As soluções mais eficazes utilizam metodologias modernas e cientificamente comprovadas na mobilização de potenciais nas pessoas e nos negócios. Estas, quando devidamente implementadas, transformam limitações em resultados, através de um processo de transformação sustentada, que visa a adopção da mudança a partir de um estado interior confortável e seguro.