Inge Geerdens
Fundadora CVWarehouse
Eu costumo dizer aos meus funcionários que não espero que eles permaneçam connosco para sempre. Educo os meus filhos incentivando-os a que, em todos os aspetos das suas vidas, descubram o mundo e explorem opções antes de assentarem cedo demais. Espero o mesmo dos meus colegas de trabalho. Tenho a perfeita noção de que quando contrato alguém, passados alguns anos, ele irá seguir em frente e escolher outro caminho.
E isto não é de todo um problema. Nós temos consciência de que nos entreajudamos. A empresa dispõe do talento, do trabalho e das ideias dos funcionários, enquanto estes aproveitam as oportunidades que surgem para aprender, crescer e ser remunerado, claro. Não há razão alguma para fingir que não é assim que funciona. Então, se em algum momento um de nós sentir que o relacionamento não continua equilibrado, vamos falar sobre esta questão também.
Como chefe, sempre valorizei ser transparente, honesta e correta. Mesmo que eu quisesse, não há muito que se possa esconder numa pequena empresa como a minha. Por isso, abraço a transparência em toda a sua extensão.
Outro grande desafio das empresas pequenas é a substituição. Infelizmente, não podemos contratar mais pessoas do que o necessário. Então, se alguém sair abruptamente, não haverá nenhum backup.
Estar aberto e discutir as pretensões e anseios em tempo útil é a única forma de evitar situações desconfortáveis, ao invés de criá-las. Então, o conselho que dou aos meus funcionários, aos meus filhos e a todos os que tencionem ouvir é: falar. Se é o funcionário que está a considerar uma mudança, fale com o seu empregador. Se é o empregador a observar, fale também.
Claro, há uma grande probabilidade da outra parte tentar convencê-lo, perceber se há algo que possa ser feito. Talvez seja um aumento salarial, uma mudança nas funções ou transferência para outro departamento. Mas se simplesmente não conseguirmos resolver as coisas juntos, falamos sobre tal, como adultos que somos. Isto dá-nos a possibilidade de acordar datas, a comunicação com a restante equipa, encontrar substituição e evitar deixar alguém na mão e os colegas em suspenso.
Considera que a transparência total facilita as coisas, ou tem medo de que possa causar retaliações? Já experimentou?