Nos últimos anos, os programas e políticas de Recursos Humanos tem sido algumas das grandes apostas do Grupo DHL, que desenvolve diversas iniciativas e programas de gestão de forma a potenciar, atrair e reter o talento.
A RHmagazine entrevistou António Gil, Diretor de Recursos Humanos da DHL Supply Chain Portugal, que nos deu a conhecer algumas das iniciativas desenvolvidas pelo grupo para manter o talento dentro da organização e tendências que vão mudar o mercado.
Quantos colaboradores tem a DHL Supply Chain em Portugal?
Atualmente, temos aproximadamente 1.500 colaboradores a trabalhar para a DHL Supply Chain Portugal, dispersos pelas várias operações e locais em todo o País.
Que programas, iniciativas e políticas tem sido desenvolvidas pela DHL Supply Chain e o Grupo DHL como forma de potenciar, atrair e reter o talento?
Temos dois programas de atração de talento direcionados para dois níveis funcionais distintos:
Para funções técnicas e de gestão, temos desenhado o nosso programa local de Talent Bank, que está orientado para todos os anos admitirmos entre cinco a sete recém-licenciados, a quem proporcionamos um contrato de trabalho.
No decorrer deste programa de aceleração de talento, com a duração de 12 meses, os recém-licenciados estarão em contacto com diferentes operações e áreas funcionais, havendo uma rotação a cada período de três meses. É, também, identificado um elemento da equipa de gestão para desempenhar a figura de “tutor”, que os acompanha desde o início até ao final do projeto na empresa.
A área de Talent Acquisition assegura igualmente uma revisão semanal com a equipa de Talent Bank, para fazerem um ponto de situação da atividade, discutirem oportunidades e partilharem experiências de forma a conseguirem uma integração efetiva na estrutura da empresa, no final do programa.
Num contexto de funções de trabalho operacional mais direto, temos implementado um Centro de Formação e Seleção (CFS). De acordo com o planeamento das nossas operações, este identifica, forma e seleciona futuros colaboradores antes dos mesmos serem colocados nas nossas operações.
O CFS é estabelecido em parceria com uma entidade externa e permite formar os futuros colaboradores na interpretação de instruções de trabalho, simulação de tarefas operacionais, condução de máquinas. Tudo num ambiente de “laboratório” com recurso a meios tecnológicos, como, por exemplo, o voice picking, simulador de retráctil, óculos para vídeos 360º imersivos. Este processo de seleção formativo assegura uma melhor integração na organização e aceleração da curva de aprendizagem na operação, contribuindo para uma maior retenção dos novos colaboradores.
Temos, ainda, uma cultura de proximidade que promovemos através do nosso programa Together, que ajuda a criar um ambiente de trabalho participativo, onde todos têm voz e podem contribuir nas diferentes atividades de ‘engagement’ que implementamos ao longo do ano.
Fomentar um ambiente de trabalho positivo, diverso e com respeito entre todos tem sido um fator crítico para que o indicador de rotação de pessoal esteja em patamares perfeitamente sustentáveis. Aqui, é fundamental o desempenho da liderança e da sua demonstração diária dos nossos valores de Respeito e Resultados.
A DHL escreve no seu website que se tem focado em partilhar conhecimento sobre liderança para a comunidade global? Que programas desenvolvem neste aspeto?
De um ponto de vista externo, colaboramos com diversas organizações através, por exemplo, da presença em algumas aulas técnicas em instituições de ensino, participação em fóruns do sector e da partilha de experiência com recém-licenciados em sessões de ‘pitch boot camps’ para a facilitar a sua integração no mundo do trabalho, entre outras iniciativas.
De um ponto de vista interno, focamos o desenvolvimento da nossa liderança através de formação corporativa certificada. Esta linha de desenvolvimento abrange não só o coletivo de chefias operacionais, como funções de gestão. Acreditamos que muita da aprendizagem que é alcançada através destes programas, com uma forte componente de “soft skills”, é, depois, também transmitida indiretamente nas interações que cada um tem na sua comunidade, a nível pessoal, fora da empresa.
Quais são as tendências de RH que a DHL Supply Chain entende que vão mudar completamente o vosso mercado?
Acreditamos que a tendência da crescente introdução da tecnologia num ambiente em que até há poucos anos era tradicionalmente de cariz manual vai ter, claramente, impacto na gestão de pessoas no sector logístico. Aprender a utilizar todas as novas ferramentas tecnológicas que vão sendo vertiginosamente colocadas à disposição, numa era mais digital, vai implicar um esforço de aprendizagem e adaptação constante para os que estavam habituados a fazer o trabalho como sempre o fizeram. Esta mudança é igualmente uma oportunidade para atrair novas gerações para o sector logístico, que procuram projetos de trabalho com uma maior componente tecnológica.
Igualmente, a tendência de envelhecimento da população ativa já está e vai continuar a obrigar a procurar soluções de trabalho oriundas de novas geografias, o que vai implicar adaptar culturalmente as organizações a esta realidade, cada vez mais com uma matriz internacional.
Estarão mais próximas de serem bem-sucedidas as organizações que, pelos seus valores, já pratiquem uma gestão diversa, aberta e de proximidade com as suas pessoas.