Cuidar das pessoas não é um extra, é estratégia. Foi com esta convicção que Magda Gonçalves passou quase 30 anos à frente de uma escola de referência no ensino básico, onde liderar significava muito mais do que gerir. “Sabíamos que, para educar com excelência, era essencial cuidar de todos os que faziam parte desta missão: alunos, equipa e famílias. Com esta base sólida, o bem-estar e a felicidade não eram metas distantes – eram parte natural do caminho”, afirma à RHmagazine.
Ao longo do tempo, percebeu que esta abordagem não se aplica apenas à educação, mas a qualquer organização que queira prosperar num mercado de trabalho em constante transformação. “As novas gerações procuram ambientes que respeitem a sua individualidade, onde possam pertencer, impactar positivamente e crescer. Acredito que estamos perante uma oportunidade extraordinária para colocar o bem-estar e a felicidade no centro da estratégia organizacional, salienta Magda Gonçalves, especialista em liderança e gestão de pessoas e equipas, consultora nas áreas de educação, recursos humanos, liderança e bem-estar e felicidade organizacional, e também aluna da 2.ª edição da pós-graduação em Gestão do Bem-estar e Felicidade Organizacional, no Egas Moniz School of Health & Science.

Esta experiência e visão levaram-na a contribuir como coautora do “Guia Prático RH 2025 – Gestão do Bem-Estar e Felicidade Organizacional“, em parceria com a professora Ausenda Oliveira, baseado na Norma Portuguesa NP 4590:2023.
Como surgiu o interesse pelo tema do bem-estar e felicidade organizacional?
Nasceu com a minha formação e foi-se aprofundando ao longo de 28 anos de dedicação a uma instituição de referência no ensino básico particular, com mais de 600 alunos e 100 colaboradores, onde desempenhei funções como Diretora de Recursos Humanos e, mais tarde, como CEO. Desde o início, tive plena consciência da enorme responsabilidade que é liderar uma escola de educação básica – uma organização que molda não apenas o conhecimento, mas o caráter e os valores das crianças e jovens. Sabíamos que, para educar com excelência, era essencial cuidar de todos os que faziam parte desta missão: alunos, equipa e famílias. Foi assim que cultivámos uma cultura de bem-estar e felicidade, baseada em relações humanas fortes, respeito mútuo e um propósito comum. Trabalhávamos diariamente com base em valores profundamente enraizados como compromisso, responsabilidade, seurança, integridade, excelência, comunicação, sucesso, educação, trabalho de equipa, equilíbrio, diversão, autonomia, consistência e gratidão. Com esta base sólida, o bem-estar e a felicidade não eram metas distantes – eram parte natural do caminho.
Este percurso ganhou ainda mais significado com as mudanças que hoje transformam o mercado de trabalho. As novas gerações – mais bem formadas, inclusivas, conscientes e exigentes – procuram organizações com um propósito claro, valores autênticos e um verdadeiro equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Querem sentir que pertencem, impactar positivamente o mundo e crescer em ambientes que respeitem a sua individualidade. Acredito que estamos perante uma oportunidade extraordinária para as organizações colocarem o bem-estar e a felicidade no centro das suas estratégias – não como tendência passageira, mas como pilar de sustentabilidade, inovação e sucesso humano. Para mim, este sempre foi o caminho e, é com entusiasmo que continuo a trilhá-lo.
Qual a motivação para ingressar na pós-graduação?
A decisão de ingressar nesta Pós-Graduação nasce de um momento muito especial da minha vida. Depois de quase 30 anos a liderar numa instituição educativa, senti, com muita clareza, que era tempo de mudança. Uma mudança de carreira, sim – mas, acima de tudo, uma mudança com propósito. Sempre tive uma enorme vontade de aprender e crescer, e esse desejo nunca diminuiu. Pelo contrário, foi crescendo com a experiência. Ao longo dos anos, percebi cada vez mais a importância de promover uma cultura centrada nas pessoas, de criar ambientes de trabalho onde o bem-estar, a motivação e a felicidade deixem de ser um “extra” e passem a ser parte da estratégia.
Esta pós-graduação representa para mim a ponte entre tudo aquilo que fui construindo até aqui e o que quero construir daqui para a frente. Quero aprofundar conhecimentos, desafiar-me, atualizar práticas e contribuir de forma ativa para organizações mais conscientes e humanas. Quero continuar a transformar – agora a partir de um novo lugar – com a mesma paixão e com novas ferramentas. Esta não é apenas uma mudança de carreira. É uma escolha de vida.
“As organizações irão reconhecer que a implementação da NP 4590:2023 é muito mais do que um requisito técnico – é uma decisão estratégica”
O que espera obter com esta pós-graduação?
Já está a ser uma experiência verdadeiramente transformadora, exigente e inspiradora. A estrutura do programa, riquíssima em conteúdos e sustentada por uma equipa de formadores altamente qualificada e reconhecida na área, dá-me a confiança de que este percurso será um contributo valioso para a minha especialização. Vejo aqui a oportunidade não só de validar o conhecimento que já fui adquirindo ao longo da minha carreira, mas também de ampliar horizontes e integrar novas perspetivas e ferramentas. Um dos pontos que mais me entusiasma é a possibilidade de mergulhar de forma profunda na NP 4590:2023 – uma norma pioneira que representa um avanço significativo na consolidação do bem-estar organizacional em Portugal. Quero sair desta formação preparada para fazer a diferença real: apoiar instituições na criação de culturas mais humanas, sustentáveis e alinhadas com os valores que acredito.
Quais os desafios já sentidos e esperados?
Esta tem sido uma experiência verdadeiramente marcante e profundamente transformadora. Concluímos recentemente o “primeiro semestre” com a sensação de que algo mudou em cada um de nós. Foram meses intensos de aprendizagem, reflexão profunda, troca de experiências e criação de laços genuínos entre todos os participantes – laços que reforçam a certeza de que estou no caminho certo.
Esta pós-graduação surge numa fase especial da minha vida: depois de 28 anos de dedicação à liderança de uma escola de referência, tomei a decisão consciente de encerrar esse ciclo e iniciar uma nova etapa profissional. Estou a atravessar uma fase de mudança de carreira, com o propósito claro de levar o tema do bem-estar e da felicidade organizacional a novos contextos e realidades. Este é um momento de reinvenção pessoal e profissional, onde cada aprendizagem ganha ainda mais significado. Claro que estou consciente de que toda mudança traz desafios – e mudar o paradigma das organizações é, sem dúvida, um dos maiores. A transformação cultural é exigente, por vezes lenta, e exige visão, resiliência e um compromisso genuíno com as pessoas.
O caminho faz-se caminhando e acredito profundamente que este é o futuro. Que as organizações irão reconhecer que a implementação da NP 4590:2023 é muito mais do que um requisito técnico – é uma decisão estratégica, um passo consciente rumo a culturas mais humanas, saudáveis e sustentáveis. E é com essa convicção que sigo, pronta para contribuir ativamente para essa mudança, agora com uma nova energia e um novo propósito.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI