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relatório “BCG AI RADAR 2026: As AI Investments Surge, CEOs Take the Lead”, da Boston Consulting Group, revela que o investimento em inteligência artificial (IA) deverá atingir, em média, 1,7% da receita anual das empresas em 2026, mais do dobro face aos 0,8% registados no ano passado e acima dos cerca de 0,6% em 2024.
O estudo, baseado num inquérito a 2.360 executivos, incluindo 640 CEOs, em 16 mercados e múltiplos setores, refere que 94% das organizações afirmam que vão continuar a investir nesta tecnologia, mesmo que não haja retorno financeiro imediato em 2026. Na prática, apenas 6% admitem reduzir investimento caso os resultados não sejam os esperados, enquanto 70% planeiam manter o rumo com ajustamentos estratégicos e 24% ponderam reforçar recursos ou recorrer a especialistas externos.
Investimento cresce em todos os setores
A aposta na IA é transversal à economia. Ainda assim, os setores tecnológico e financeiro destacam-se:
- Tecnologia: 2,1% da receita em 2026 (vs 1,2% em 2025)
- Instituições financeiras: 2,0% (vs 0,9%)
- Seguros: 1,9% (vs 0,6%)
- Energia e utilities: 1,9% (vs 0,6%)
No sentido inverso, áreas como indústria e imobiliário continuam mais conservadoras, com níveis próximos de 0,8% da receita. Ainda assim, todos os setores preveem aumentar investimento em 2026, sinal de uma corrida generalizada à adoção da tecnologia.
IA sobe ao topo

Uma das mudanças identificadas pelo estudo é a transferência da liderança da IA para o topo das organizações: 72% dos CEOs afirmam ser os principais decisores sobre IA, o dobro face ao ano anterior, confirmando a passagem de uma lógica “CIO-led” para uma abordagem “CEO-led”. Ao mesmo tempo, 82% dos CEOs dizem estar mais otimistas quanto ao retorno do investimento em IA do que há um ano, e 50% admitem que a sua permanência no cargo pode depender do sucesso da estratégia nesta área.
A pressão não é apenas interna: 90% dos CEOs acreditam que, até 2028, a IA irá redefinir os critérios de sucesso empresarial, transformando cadeias de valor, modelos de negócio e estruturas organizacionais.
“Estamos a assistir a uma mudança estrutural na forma como a gestão de topo encara a Inteligência Artificial. A IA deixou de ser uma iniciativa tecnológica para passar a ser uma prioridade estratégica liderada pelo CEO”, afirma Eduardo Bicacro, Managing Director & Partner da BCG em Lisboa, citado em comunicado.
A confiança no impacto da IA varia significativamente entre geografias. Nos mercados asiáticos, o otimismo é dominante:
- Índia (76% dos CEOs confiantes no retorno da IA)
- Grande China (73%)
- Japão (70%)
Já no Ocidente, o sentimento é mais cauteloso:
- Europa (61%)
- Estados Unidos (52%)
- Reino Unido (44%)
A diferença não é apenas de confiança, mas também de motivação. Enquanto no Oriente a adoção é impulsionada pela perceção de valor, no Ocidente é frequentemente motivada por pressão competitiva.
Um dos pontos centrais do relatório é a rápida evolução para modelos de “agentic AI”, ou seja, sistemas capazes de atuar de forma autónoma. Os dados mostram que mais de 30% do investimento em IA em 2026 será alocado a agentes de IA e cerca de 90% dos CEOs acreditam que estes sistemas permitirão finalmente obter ROI mensurável já em 2026.
De ferramenta a “colega”: o papel da IA nas empresas
A transformação vai além da tecnologia. A IA está a assumir múltiplos papéis dentro das organizações: assistente, colega, mentor, coach e até “chefe” em crescimento significativo. Ao mesmo tempo, 58% das organizações esperam mudanças na governação e nos direitos de decisão devido à IA, refletindo o aumento da autonomia destes sistemas.
O estudo identifica três perfis distintos de liderança:
- Pragmáticos (70%): investem com cautela e foco no risco;
- Seguidores (15%): reconhecem o potencial, mas avançam lentamente;
- Pioneiros (15%): lideram transformações profundas e apostam fortemente na IA.
As diferenças são significativas. Os CEOs “pioneiros”, por exemplo, alocam cerca de 60% do orçamento de IA a agentes inteligentes, investem aproximadamente 60% do budget em requalificação de equipas (vs 27% nos pragmáticos e 24% nos seguidores) e têm quase 70% da força de trabalho requalificada em IA. Estes líderes são também duas vezes mais propensos a implementar IA de forma end-to-end, criando o que o relatório descreve como um “círculo virtuoso” entre investimento, competências e resultados.
Apesar do entusiasmo, as principais preocupações são:
- Privacidade de dados e cibersegurança: 53% (em queda face a 2025)
- Falta de controlo sobre decisões da IA: 41%
- Desafios regulatórios: 39%
Em contrapartida, aumentam preocupações com:
- Falhas tecnológicas (38%, + seis pontos percentuais)
- Instabilidade geopolítica (+10 pontos percentuais)
- Impacto ambiental (+8 pontos percentuais)
No caso específico da IA baseada em agentes, 59% dos líderes veem-na simultaneamente como oportunidade e risco em cibersegurança, enquanto apenas 9% a consideram exclusivamente uma oportunidade.
Como transformar investimento em valor?
De acordo com o relatório, as organizações que lideram esta transformação têm cinco prioridades comuns:
- Tornar a IA uma prioridade estratégic;
- Desenvolver literacia em IA nas lideranças;
- Investir de forma decisiva;
- Requalificar a força de trabalho;
- Medir e acompanhar o retorno.
Num contexto em que o investimento dispara, a liderança sobe ao topo e a tecnologia ganha autonomia, a diferença entre empresas não estará tanto na adoção, mas na capacidade de transformar essa aposta em valor real. E, como o próprio estudo sugere, para muitos CEOs, essa diferença pode ser determinante para o seu próprio futuro.
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