Ainda nesta semana fiz a partilha de um artigo da strategy+business sobre o tema, pois quando olho para os desafios que nos encontramos a enfrentar este inverno em Portugal, é um tema que assume uma relevância acrescida. Pois afinal é disto mesmo que precisamos hoje e sempre: da capacidade de enfrentar, adaptar e superar situações adversas, mantendo o equilíbrio emocional e seguindo em frente, apesar das dificuldades.
Nas minhas pesquisas encontrei também esta definição muito interessante: “a capacidade de voltar ao estado normal”. E logo me questionei: “Mas o que é isso de estado normal” e o artigo esclarece: “capacidade de voltar ao estado habitual”. Aí pensei “ah, ok, fico mais descansada”, pois cada um tem o seu dito estado “normal”. São tantas formas de ver a realidade e existem tantas perspectivas distintas que tendo a questionar sempre que alguém me fala em “normal”.
Definições à parte, a resiliência tem vindo a ser amplamente estudada e adotada no mundo corporativo como a característica dos profissionais que conseguem ver além das situações e transformar dificuldades em soluções criativas e oportunidades de crescimento. Está também muito ligada à capacidade de adaptação e flexibilidade, pelo que surge nas Top 10 Skills para 2026, segundo o World Economic Fórum (Resiliência, tolerância ao stress e flexibilidade) e no Top 5 nas competências em maior crescimento até 2030, segundo o WEF – Future of Jobs Report 2025 (Resiliência, Flexibilidade, Agilidade).
A boa notícia é que a resiliência não é um traço fixo, mas sim um conjunto de competências e atitudes que podem ser treinadas, praticadas e consolidadas. Trabalha-se por exemplo ao reconhecer crenças limitadoras. Identificar e contrariar crenças que bloqueiam a recuperação emocional como a personalização “a culpa é minha”, a permanência “isto nunca vai mudar” e a generalização “vai tudo correr mal”. São crenças que distorcem a nossa perceção de controlo e limitam o nosso campo de ação. Ao trabalhá‑las, tornamo‑nos mais capazes de lidar com pressão e adversidade, pois perdemos amarras.
Trabalha-se em contexto formativo. (E aqui puxo à brasa à minha sardinha.) Reconhecendo a importância deste tema para o nosso bem-estar na PwC’s Academy criámos um percurso de 4 módulos onde se trabalha a resiliência, a gestão de stress, a felicidade e o auto-conhecimento. O percebermos a nossa forma de agir tem um grande impacto na forma como lidamos com o mundo e contribui para a identificação de estratégias que aumentem a eficácia pessoal, trazendo-nos mais bem-estar.
Trabalha-se diariamente. Num diário da gratidão, em meditação, num balanço no que correu bem do dia, em trabalharmos o foco, numa partilha com alguém. Voltando ao artigo da Strategy+Business os meus colegas defendem isso mesmo: que a resiliência pode ser desenvolvida, mas para quem não é naturalmente resiliente. Há que assumir responsabilidade pelo desenvolvimento emocional e desenvolver estratégias que aumentem a capacidade de adaptação.
Outro ponto passa pela preparação. Com todas as mudanças tecnológicas e laborais que estão a acontecer, o grau de incerteza, previsibilidade e complexidade é crescente. Temos que desafiar-nos a sair da zona de conforto e adquirir novos hábitos e competências para navegar nesta instabilidade. Os autores reforçam a ainda a importância da prática intencional de comportamentos que fortalecem a disciplina, o foco, a flexibilidade cognitiva e a gestão emocional.
E ligo este tema a um resultado do último Workforce Hopes & Fears Survey que me surpreendeu. Apenas 14% dos mais de 50.000 inquiridos de 28 setores distintos espalhados pelo globo referem que usam ferramentas de GenAI diariamente. Uns por uma questão de adoção por parte das empresas, outros certamente por capacitação e por não verem aplicabilidade. Haverá a resiliência necessária para testar e criar novas formas de trabalhar?
Por fim, o grande call to action consiste em tratar a resiliência como uma competência estratégica e treinável – tão prioritária quanto a literacia digital – e começar desde já a fortalecê‑la, individual e organizacionalmente, para enfrentar um futuro mais imprevisível.
Trata-se de uma competência transversal para todas as esferas da nossa vida, por isso vale a pena pensar sobre ela. Deixo-vos com estes pensamentos e com referências para quem queira explorar mais.
Referências
https://www.strategy-business.com/blog/Resilience-is-a-skill-thats-just-as-important-as-tech-know-how
https://conceito.de/resiliencia
https://www.themost10.com/world-economic-forum-top-10-skills-of-2025/
https://economicsinsider.com/top-10-fastest-growing-job-skills-by-2030
https://www.pwc.pt/pt/formacao/portefolios/curso-dt/lideranca-e-performance/lisboa/programa-de-wellbeing.html
https://www.pwc.com/gx/en/issues/workforce/hopes-and-fears.html
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