Nas últimas crónicas debrucei-me sobre as tendências de L&D, hoje debruço-me sobre o fim do verão e o regresso à agitação “habitual”. Tendo ou não tendo filhos, é o regresso às rotinas, a preparação dos materiais, o voltar a ter hora marcada para acordar e, infelizmente, o voltar a estar à mercê das greves para quem recorre aos serviços públicos…
São os dias mais curtos, o voltar aos sapatos mais fechados e voltar ao escritório. É ter aquela sensação de que não se quer falar que num instantinho estamos no Natal e que a vida corre mais rápido do que gostaríamos.
É sentir uma agitação tal em que olhamos à volta e parece que todos nos queixamos de como o fluxo de trabalho parece cada vez mais intenso, os prazos cada vez mais apertados, as agendas cada vez mais preenchidas e a caixa de email cada vez mais implacável.
E o que fazer perante um cenário em que a complexidade nos quer fazer correr, sem mal ter tempo de respirar e em que 5 minutos de atraso numa reunião online é motivo de inquietação? Bem, o que há a fazer é parar. Sim, parar.
O que fazem os atletas de grande competição antes de qualquer prova? Um momento de respiração e concentração. O que fazem os atores antes de entrar em palco? Algum tipo de ritual que os ajude a focar no seu papel. O que faz quem se prepara para tarefas arriscadas como nadar com tubarões? Procura acalmar-se, respirar fundo e abrandar.
Diriam vocês: “- ah, mas isso é na grande competição. O meu trabalho é mesmo assim e tenho que voltar a entrar no ritmo.” Sim, não somos atletas de grande competição, mas somos verdadeiros heróis que continuamente tentam dar resposta a todas as solicitações. E ninguém consegue estar continuamente no modo responsivo sem isso ter impactos no funcionamento do cérebro, na capacidade de criar e, principalmente, na saúde física e mental.
E por isso, perante esta agitação dos nossos dias, o que fazer? Bem, o que há a fazer é parar. Sim, parar. Pelo menos conseguir parar aquilo que está a fazer e permitir-se ter pequenos momentos que revertam o ciclo que conduz à exaustão.
Isto é, se o dia a dia é muito stressante e não raras vezes se sente num círculo de sacrifício e dificuldade em fazer face a todas as responsabilidades do dia a dia, é importante parar e introduzir pequenos momentos que permitam equilibrar e revitalizar. Iniciativas como respirar fundo, levantar-se do seu lugar, dar uma caminhada de 10 minutos (em especial na natureza), falar com alguém que goste, beber água, entre outras. O foco está em fazer algo, por mais breve que seja, que o refoque para uma emoção positiva.
Recomendo espreitar os estudos conduzidos por Richard Boyatzis sobre inteligência emocional, neurociência e gestão, onde se evidencia o impacto do stress e das emoções negativas no nosso bem estar. Se estamos só em “modo sacrifício” as pessoas que trabalham connosco vão começar a notar.
E, como sabemos, se não estamos bem connosco é difícil ter o impacto esperado nos outros. Diria que além da eficácia pessoal ficar comprometida, os temas da saúde mental estão cada vez mais expressivos, em parte, porque não nos ensinaram a parar, e em como essas paragens podem ser super produtivas tanto a nível profissional como para o nosso bem estar.
Por isso, se o seu objetivo é dar o seu máximo potencial, lembre-se de desacelerar. É assim que destaco como grande desafio para esta rentrée (e é algo em que tenho vindo a trabalhar nos anos mais recentes): continuar a aprender a abrandar. É ter a consciência de que não somos máquinas e que precisamos de re(aprender) a respeitar o nosso corpo e mente para aí sim, conseguirmos dar o nosso melhor.
Por isso pare, escute e olhe, por si! Bom regresso e boas conquistas.