Autor: João Lopes, BackEnd Developer da LockEM
São vários os fatores que poderíamos enumerar para justificar o crescente número de ciberataques verificados nos últimos tempos. Contudo, julgo ser mais importante realçar que, na última década, os ataques cibernéticos sofreram uma transformação, evoluindo da tradicional disrupção de serviços para a encriptação/eliminação de informação, criando maior impacto nas organizações.
Uma das formas de cibercrime em que se tem verificado maior crescimento é no chamado Ransomware. Inicialmente associado a uma operação de extorsão que encriptava os dados dos utilizadores, libertando-os contra o pagamento de um resgaste, tem-se verificado uma evolução significativa dessa ameaça, passando de um simples método de extorsão para um conjunto de operações complexas que visa destruir a integridade da informação.
O “Relatório de Segurança Cibernética 2024”, da Check Point Software, destaca não só um aumento de 90% no número de vítimas de ransomware, mas igualmente uma maior prevalência e sofisticação desses ataques. O ransomware explora novas vulnerabilidades e novos formatos, já não se limitando a encriptar informação, mas também a alterar ou eliminar a mesma. Estes ataques têm como objetivo parar as operações e dificultar a recuperação de uma empresa.
O cibercrime é uma arma poderosa, apoiada por Estados com recursos quase ilimitados, mas também um negócio altamente rentável, como comprova o crescimento do fenómeno “Ransomware as a Service”. O cibercrime é mais rápido na adoção de novas tecnologias que a cibersegurança. Tecnologias emergentes como a computação quântica ou o Generative AI ainda não demonstraram em pleno a sua capacidade para desferir ciberataques efetivos. No entanto, é uma questão de tempo: e, enquanto se discute a adoção dessas tecnologias na Cibersegurança, poderemos estar certos de que os cibercriminosos já estarão a usá-las em pleno.
A certeza de que todos seremos vítimas de um ciberataque – e que este terá um significativo impacto nas operações – leva as empresas a apostar numa abordagem complementar à cibersegurança: a ciber-resiliência, ou seja, a capacidade de recuperar as operações rapidamente e de forma efetiva. Esta nova disciplina, reconhecida pela IDC em Novembro de 2023, tornou-se oficial com a publicação do “Worldwide Cyber- Recovery 2023 Vendor Assessment”.
A ciber-resiliência adiciona uma nova camada de segurança. Assumindo que o ciberataque é inevitável, oferece às empresas a garantia que os seus ativos digitais estarão sempre protegidos contra ameaças e preparados para uma operação de recuperação que se pretende rápida e pouco complexa, e assenta em três princípios chave:
- Data Survival, que garante a proteção de ambientes complexos de dados dispersos em ambientes híbridos (cloud, sistemas próprios, etc.);
- Data Integrity, que assegura que os dados estão consistentes e que não se encontram comprometidos por ransomware ou malware;
- Rapid Recovery, que assinala a capacidade de recuperar rapidamente as operações, mitigando o impacto de um ciberataque.
Em 2023, o ransomware esteve presente em 72% dos ciberataques (Astra Security), pelo que se prevê que a adoção de soluções de ciber-resiliência terá um forte crescimento nos próximos anos. Ao contrário do que sucede com as atuais soluções de cibersegurança, a oferta de ciber-resiliência deverá ser mais acessível para as pequenas e médias empresas, e com uma implementação mais simples. Façamos com que o impacto dos ciberataques seja menor.