Os CEO afirmam que a contribuição das empresas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) não está no caminho certo. A conclusão é do maior estudo mundial sobre sustentabilidade corporativa, realizado pela Accenture e pelo Pacto Global das Nações Unidas.
Lançado recentemente nas Nações Unidas, em Nova Iorque, o estudo “The Decade to Deliver: A Call to Business Action” indica que apenas 21% dos CEO acredita que as empresas estão a desempenhar um papel importante na contribuição para os ODS e que menos de metade (48%) está a integrar soluções sustentáveis nas suas atividades comerciais.
Apesar do enorme progresso e inovação desde o acordo para os ODS, em 2015, as incertezas socioeconómicas, geopolíticas e tecnológicas dos últimos quatro anos desviaram os CEO dos seus esforços para criar soluções mais sustentáveis.
De acordo com o estudo, 99% dos CEO consideram que a sustentabilidade é crítica para o sucesso futuro da organização e 81% das empresas está a tomar medidas para progredir no cumprimento dos ODS. Mais de 200 das empresas inquiridas aprovaram metas científicas para a ação climática e um número semelhante assumiu o compromisso de reduzir a suas emissões de gases com efeito de estufa para zero até 2050. Além disso, 63% das empresas vêem a tecnologia como um acelerador crítico do impacto socioeconómico das suas empresas.
No entanto, estes compromissos não estão a conseguir oferecer os pontos de rutura necessários para alcançar os ODS. Os CEO afirmam que a execução dos negócios não está à altura deste desafio ou dos níveis anteriores de ambição corporativa. Mais de um quarto dos inquiridos (28%) cita “a falta de atratividade do mercado” como uma das principais barreiras para os negócios sustentáveis e mais de metade (55%) diz que enfrentam um importante compromisso perante a pressão de agir, num contexto de extrema consciência de custos, ao mesmo tempo que procuram investir em objetivos estratégicos de longo prazo. Apenas 44% dos CEO acreditam que um futuro net-zero está no horizonte da sua empresa, nos próximos 10 anos.
Para acelerar o progresso, os CEO identificam três requisitos cruciais.
1-Uma necessidade urgente de aumentar a ambição corporativa dentro das suas próprias empresas de forma a priorizar ações relativas aos 17 ODS.
2-A necessidade de as empresas, governos, reguladores e organizações não-governamentais se unirem para moldar soluções realistas, baseadas em tecnologia e ciência, para os ODS.
3-A importância de redefinir a liderança responsável para ajudar as empresas a serem as principais impulsionadoras dos ODS.
O futuro da liderança responsável
Em relação ao último ponto, encarado como crítico para que as empresas progridam rumo a um futuro mais sustentável, os CEO destacam as qualidades de liderança que são críticas para o sucesso:
- Impulsionar o lucro de acordo com um propósito: As crescentes expectativas dos consumidores, colaboradores e público estão a pressionar os líderes a servirem um propósito superior ao garantirem um futuro sustentável. Os CEO olham além do lucro a curto prazo de forma a impulsionar significativamente a agenda de sustentabilidade e a promover uma cultura de responsabilidade e transparência para demonstrar o impacto, alinhando a sustentabilidade com a sua estratégia de negócio, atividade e investimentos em inovação e tecnologia.
- Ecossistemas estimulantes: Os CEOs devem envolver os seus ecossistemas de negócio e tecnologia mais amplos para encontrar soluções coletivas para os ODS. Dada a natureza e a complexidade destas questões, a liderança baseada na ciência vai desempenhar um papel crucial na criação de ações e de impacto, assim como na aplicação de tecnologia para fomentar a mudança.
- Compromisso pessoal com a sustentabilidade: Os líderes responsáveis encaram a sustentabilidade de forma pessoal, avançam ativamente a economia circular, responsabilizam as pessoas pelos objetivos de sustentabilidade, potenciam a discussão com os investidores e lideram mudanças positivas com autenticidade e integridade.
Sobre o estudo:
Este novo estudo teve por base testemunhos de mais de mil CEO de algumas das principais empresas do mundo. Juntamente com o Relatório de Progresso do Pacto Global das Nações Unidas, que analisou cerca de 1600 empresas de mais de 100 países, este estudo é o mais abrangente, até à data, sobre a contribuição das empresas para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.