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ENTREVISTA: Teresa de Freitas, DRH da EY Portugal

"Reforçámos a equipa de recursos humanos com novas aquisições e evoluímos para um modelo de Business Partners"

IIRH Por IIRH
26 de Novembro, 2020
em MERCADO RH, PESSOAS
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ENTREVISTA: Teresa de Freitas, DRH da EY Portugal
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Teresa de Freitas assumiu no início do ano o desafio de liderar os Recursos Humanos da EY Portugal, com o objetivo de dar continuidade à estratégia de crescimento e consolidação da consultora no que diz respeito à contratação no mercado nacional.

Em entrevista ao InfoRH, a profissional fala-nos das tendências inovadoras de recrutamento em Portugal, do atual posicionamento da EY, de como é feita a gestão de pessoas na organização, bem como dos atuais desafios no setor e da digitalização.

Chegou à EY Portugal em janeiro. Como é que surgiu a oportunidade?
A oportunidade surgiu através de um convite direto. Ao longo do processo de recrutamento todas as pessoas que conheci me inspiraram a aceitar este desafio. Inspiraram-me pela visão da empresa, os valores e o lado humano da EY. Por outro lado, a liderança vê os recursos humanos como uma área fundamental para atingir a visão de negócio e neste projeto tenho a oportunidade de fazer a diferença e de criar impacto.

Que conhecimentos adquiridos ao longo do seu percurso profissional, em diferentes setores de atividade, tem transportado para a EY?
Durante o meu percurso profissional, passei por diversos setores profissionais, desde a Aviação e Retalho, à Consultoria e Seguros. Ao mesmo tempo, sempre trabalhei com equipas globais, tendo mesmo sido responsável pelos Recursos Humanos de vários países Europeus. Esta experiência permitiu-me pensar global, ter a agilidade mental para considerar e antecipar diferentes cenários e perceber que só com um forte stakeholder management se consegue ter sucesso dentro das organizações.

Tive a sorte de trabalhar em empresas com práticas de recursos humanos state of the art e é essa excelência que tenho transportado para a EY. Para ser mais concreta, alguns exemplos passam por redefinir o nosso employee value proposition; assegurar a excelência da experiência do candidato e do colaborador; integrar todas as componentes da área de desenvolvimento de forma estratégica; ou criar uma cultura de learning agility que guie a nossa gestão e retenção de talento.

Que objetivos estabeleceu para o departamento de Recursos Humanos da empresa?
No rank Great Place to Work em 2019, a EY foi considerada a 7ª melhor empresa para trabalhar em todo o mundo, tendo ficado em 3ª lugar em Portugal e sendo a única big four a figurar no rank. Este reconhecimento, inspirou-me para a nossa visão de recursos humanos, que consiste em sermos um “Great Place to Work for the Best People”.

Esta estratégia assenta em quatro pilares: recrutar os melhores o mais rápido possível; garantir que as nossas pessoas se sentem valorizadas e reconhecidas; desenvolver o nosso próprio talento e criar equipas de elevado desempenho.

As fundações desta estratégia assentam numa excelência operacional. Alinhados com os quatro pilares, os nossos objetivos passam por recrutar as melhores pessoas o mais rápido e eficiente possível, garantindo uma excelente experiência do candidato. As nossas pessoas são empoderadas logo desde o início e trabalhar na EY é humano, intelectualmente estimulante e divertido.

Por outro lado, temos uma excelência no desenvolvimento de carreira e nos nossos programas de formação, sendo estes programas locais, mas a maior parte globais, criando sinergias do facto de sermos uma empresa verdadeiramente Global. Por fim, a criação de equipas de elevado desempenho assenta num sistema de avaliação disruptivo, que abandonou os modelos tradicionais de avaliação de desempenho e que passa por substituir a tradicional função do line manager por um consellor e assenta num modelo de feedback contínuo e on time, permitindo o reconhecimento e ajustamento da performance no momento, evitando assim surpresas no final do ano.

Este sistema tem a agilidade necessária para captar o feedback ao longo dos vários projetos e clientes, dentro ou fora de Portugal, nos quais as nossas pessoas trabalham no seu dia a dia. Desta forma, conseguimos garantir a transparência e o desenvolvimento de carreira que as pessoas procuram e que para a EY são fundamentais, em linha com os nossos valores.

Afirmou, ao Jornal Económico, que a EY pretende investir e fazer evoluir a sua cultura de centricidade no cliente para centricidade nas pessoas. Como é que decorrerá a evolução e que investimentos irá implicar?
Esta evolução já começou. O investimento tem vindo a ser feito em termos de recursos, nomeadamente novos sistemas, que suportam uma parte da área de compensação e benefícios, bem como recursos humanos.

Reforçámos a equipa de recursos humanos com novas aquisições e evoluímos para um modelo de Business Partners, uma vez que os recursos humanos só fazem sentido quando são uma função estratégica para o negócio e totalmente alinhada com o mesmo.

Com o mesmo grau de importância, este modelo permite-nos ter uma maior proximidade com as nossas pessoas e garantir que as mesmas têm uma Excepcional EY Experience em todas as fases do ciclo de vida do colaborador. Há um compromisso sério do partnership em sermos um Great Place to Work e o que esta responsabilidade significa no dia-a-dia e para mim tem sido muito gratificante todas estas mudanças e o impacto positivo que já se sente na organização e nas nossas pessoas.

Há diferenças em atrair e reter talento em consultoria, comparativamente com outros setores?
Sim, bastantes. O setor da consultoria é um dos que recruta em maior volume pela forma como está organizada a própria pirâmide de carreira. Isto significa que o investimento na atração de talento é bastante significativo. Dou um exemplo, na maioria das empresas do mercado, a atividade de recrutamento é da única responsabilidade dos Recursos Humanos. Na EY, esta responsabilidade é de todos. Desde os assistant até aos partners todos participam no recrutamento, desde job fairs, a pequenos-almoços com alunos, por levarem a sério a atração de talento, uma vez que dependemos do capital intelectual da nossa empresa.

Por outro lado, há um estereótipo de que numa big four se trabalham longas horas e inicialmente muitos new graduates partilham essa preocupação connosco. Na maioria das empresas do mercado também se trabalham longas horas, mas as Consultoras, devido ao elevado volume de recrutamento e à criticidade da retenção de talento, foram obrigadas a ser pioneiras em políticas de flexibilidade que muitas outras empresas no mercado ainda não têm. Na EY, por exemplo, todas as pessoas podem trabalhar pelo menos um dia a partir de casa e a nossa tecnologia permite-nos trabalhar anytime, anywhere o que é fundamental para permitir conciliar a vida pessoal com a vida profissional.

Nesse contexto, e tendo em consideração a sua atividade, as consultoras devem apresentar-se como as organizações mais ágeis do mercado de trabalho?
Não sei se são as mais ágeis, mas são seguramente das mais ágeis. Quando comparadas com outras empresas de outros setores, oferecemos uma progressão de carreira acelerada e com um reconhecimento financeiro na mesma proporção. Temos um exemplo recente de uma pessoa que entrou na EY para Assistant há 13 anos e que foi promovido a Partner este ano. A diversidade de projetos, clientes e países, sempre em equipas multidisciplinares, leva a um rápido desenvolvimento de competências e a uma grande agilidade para com a mudança, com os resultados, mas também com pessoas e culturas diferentes.

Na EY Portugal, que condições oferecem aos colaboradores?
Temos uma política de Total Compensation que vai muito para além da remuneração fixa e variável. É importante sublinhar que há uma relação direta entre a performance de cada um e o respetivo reconhecimento financeiro associado. Por outro lado, faz parte da nossa visão de Recursos Humanos, enquanto Great Place to Work para os melhores, termos benefícios que sejam valorizados e usados pelas nossas pessoas, de acordo com as necessidades e estilo de vida individual de cada pessoa. Por fim, temos também o que chamamos de non measurable benefits, como não trabalhar no dia dos anos, tolerâncias na Páscoa, Carnaval, Natal e Fim de Ano, fruta, café, cereais e outros perks associados. Uma delas é o Workplace of the Future.

Que características tem o espaço de trabalho do futuro, que, para a EY, é já uma realidade?
O Workplace of the Future teve como primeira característica dotar a organização e as pessoas com tecnologia e meios de comunicação que permitem trabalhar à distância. Com estes requisitos implementados todo o espaço físico da EY foi transformado em open space não havendo gabinetes, nem mesmo para os partners. Há uma clean desk policy e cacifos, onde cada pessoa pode guardar os seus pertences e que permitem a agilidade de se juntar aos elementos da equipa com quem está a trabalhar naquele momento, para aquele projeto em específico. Por outro lado, o Workplace of The Future também veio trazer maior facilidade no equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional das nossas pessoas, o que é fundamental para o wellbeing dos nossos eyers.

Que outras medidas ou iniciativas da política de recursos humanos da empresa considera que merecem ser destacadas?
Estamos a transformar o nosso processo de recrutamento, de forma a torná-lo mais ágil e eficaz, bem como a nossa estratégia de employer branding. Por outro lado, lançámos em Setembro um Programa de Benefícios que permitiu melhorar o Total reward dos nossos ryers. Todos os anos temos um Global people survey que mede o engagement das nossas pessoas.

Este ano, pela primeira vez, foram criados engagement committees que se encontram a trabalhar em planos de ação para endereçar o feedback dado pelas pessoas.

É uma maratona e não um sprint e há ainda muitos projetos interessantes e em linha com a nossa visão de recursos humanos.

De que tendências vamos ouvir falar no futuro no que diz respeito à gestão de pessoas? A transformação digital vai continuar a ser assunto?
Estive na semana passada no Forum de Recursos Humanos da EY Emeia e o futuro passará cada vez mais pela transformação digital. Esta, irá transformar a forma como trabalhamos. No caso concreto dos recursos humanos, passa por robotizar atividades transacionais, desde o cv screening ou vídeo-entrevistas, a tarefas operacionais ao longo do ciclo de vida do colaborador. Mas não serão somente atividades transacionais. O wellbeing ou até mesmo o engagement serão áreas suportadas por esta transformação. Esta mudança vai permitir aos recursos humanos dedicarem mais tempo a atividades de valor acrescentado e um foco no que é verdadeiramente importante e nos distingue como humanos: as pessoas.


Por Flávia Brito
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