De que forma está o ISQ Academy, a área do ISQ focada na formação, certificação de pessoas e consultoria em recursos humanos, a apoiar as organizações na identificação e desenvolvimento de competências críticas? Que lacunas persistem no tecido empresarial português?
Neste contexto de “grande casa de engenharia”, num mundo de forte aceleração tecnológica e de dupla transição – digital e energética -, o ISQ Academy posiciona-se como parceiro estratégico das organizações, fundamentalmente de três formas:
1- Num contexto prospetivo, olhando para o futuro e para os benchmarkings de competências de futuro, auxiliando as empresas a criarem o seu caminho e estratégia de transformação de negócio e de processos, com base nas melhores práticas tecnológicas, sustentáveis e de capital humano, desenhando soluções de talentos (aquisição, formação, upskillings) a longo termo, ajustadas à estratégia de crescimento, com impacto e sustentabilidade;
2- Com base na estratégia empresarial e num diagnóstico rigoroso de competências, para mapear funções críticas, níveis de proficiência e gaps face às exigências futuras do negócio. Só depois desenhamos soluções de desenvolvimento ajustadas;
“Não basta criarmos programas de formação numa área específica se não identificarmos e trabalharmos várias competências de forma holística.”
3- Com base numa oferta dinâmica de cursos disponíveis, por inscrição online através do nosso site ISQ Academy, cujos programas resultam das necessidades prospetivas do mercado, exigências legais e de certificação pelas várias empresas mundiais, e blueprints de competências necessárias às empresas e individuais.
Temos mais de 500 cursos e programas disponíveis, desde pós-graduações a cursos mais operacionais de painéis solares, materiais sustentáveis para construção, manufatura aditiva… Nesta oferta, a transição verde e digital está bem patente, desde as energias renováveis (H2, biometano, solar, eólica…), eficiência energética, ESG, sustentabilidade e licenciamento, até programas de inteligência artificial aplicados à indústria, liderança, legal e compliance.
Como é que o ISQ Academy alinha os planos de formação com objetivos de produtividade, inovação e retenção de talento? Pode partilhar um exemplo com resultados mensuráveis?
Este skills mapping e profiling, que referi anteriormente, alinhado com a estratégia de crescimento, permite conhecer as competências que existem e identificar gaps para atingir as competências que deverão existir, “to be”.
Temos um modelo próprio registado, com base nas super power skills, que aplicamos em função do que se pretende. As super power skills são competências que permitem às organizações transformarem-se, empoderando os colaboradores, incluindo para a transição verde e digital (competências de liderança, soft skills, técnicas e tecnológicas, digitais e verdes).
Não basta criarmos programas de formação numa área específica se não identificarmos e trabalharmos várias competências de forma holística, capacitarmos os “pioneers of change” e, sobretudo, se não estiverem identificados os problemas a solucionar e os KPI de impacto.
Há muitos modelos de diagnóstico no mercado para soft skills e liderança, mas praticamente nenhuns fiáveis e rigorosos para competências técnicas.
“É fundamental evoluir de uma lógica centrada na oferta formativa para outra orientada ao diagnóstico e impacto.”
Que metodologias e ferramentas utilizam para garantir impacto efetivo na mudança de comportamentos e no desempenho das equipas?
Trabalhamos com as empresas numa lógica de co-construção, alinhando os planos de formação com indicadores concretos de desempenho e KPI de impacto. Partimos dos objetivos estratégicos – produtividade, eficiência, inovação, crescimento do negócio…
A nossa abordagem assenta numa lógica integrada de diagnóstico, aprendizagem experiencial e medição de impacto. Utilizamos ferramentas de assessment de competências, construímos learning journeys personalizados e privilegiamos metodologias ativas, com forte componente prática e on-the-job. Complementamos com plataformas digitais que permitem monitorizar o progresso e consolidar a aprendizagem ao longo do tempo. Mas o elemento diferenciador está na avaliação.
Focamo-nos na mudança de comportamentos e no impacto nos resultados operacionais. Operamos com indicadores definidos à partida com o cliente, garantindo uma ligação clara entre formação e performance.
Que reflexão considera prioritária lançar junto da comunidade de recursos humanos no Fórum RH?
Num contexto de escassez estrutural de talento, o contributo do ISQ Academy para o Fórum RH passa por reforçar a necessidade de uma abordagem estratégica à gestão de competências e a responsabilização das empresas na criação de competências no mercado de trabalho – não apenas dos seus colaboradores, mas também da comunidade, do sector e da cadeia de valor em que atuam. É fundamental evoluir de uma lógica centrada na oferta formativa para outra orientada ao diagnóstico e impacto.
Sem esta mudança de paradigma, continuaremos a investir em formação sem garantir transformação. O futuro do trabalho exige decisões mais informadas, baseadas em dados e orientadas para resultados e é esse caminho que queremos ajudar a construir.
Artigo publicado na edição 164 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2026
Assista também ao Fórum RH Talks com Margarida Segard, Diretora do ISQ Academy. Este podcast integra uma série de conversas promovida pela RHmagazine, em parceria com os parceiros do Fórum RH 2026, dedicada aos grandes desafios, tendências e transformações da gestão de pessoas.
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