O setor europeu das life sciences está a atravessar uma fase crítica de transformação, com a escassez de talento qualificado a crescer a um ritmo alarmante.
De acordo com o mais recente estudo “Life Sciences European Workforce Outlook”, conduzido pela Gi Group Holding em parceria com a Lightcast, a procura por talento operacional cresceu 37%, enquanto as funções registaram um aumento de apenas 7%. A crescente digitalização e os avanços na inteligência artificial estão a redefinir as necessidades do mercado, deixando muitas empresas incapazes de preencher posições críticas.
Além do desafio da escassez de talento, o estudo destaca que, embora 60% da força de trabalho no setor seja feminina, a representação das mulheres em cargos de liderança e funções tecnológicas continua aquém do desejado. Apenas 44% das posições de gestão são ocupadas por mulheres, um valor superior à média global (23%), mas que evidencia a necessidade de medidas concretas para garantir a equidade.
O estudo revela também que o setor das ciências da vida está a crescer de forma desigual em toda a Europa. Enquanto regiões tradicionais como a Alemanha, Suíça e França continuam a liderar em inovação e desenvolvimento, países emergentes como Bulgária, Letónia e Hungria estão a ganhar relevância como novos polos de talento.
Além disso, a Irlanda destaca-se como um dos principais centros europeus para a biotecnologia e a produção farmacêutica, beneficiando da crescente realocação de cadeias de abastecimento para territórios mais seguros e economicamente competitivos.
Outro fator relevante é o envelhecimento da força de trabalho. Cerca de 30% dos profissionais do setor têm mais de 50 anos, criando um desafio adicional na retenção de conhecimento e transição de funções críticas. Os empregadores precisam de adotar estratégias de formação contínua e programas de mentoria intergeracional para garantir uma força de trabalho resiliente e adaptável.
Os resultados do estudo reforçam a necessidade de investimentos sólidos em programas de formação e requalificação profissional para colmatar o gap de competências. Além disso, a promoção de iniciativas que incentivem a inclusão das mulheres em funções estratégicas e tecnológicas deve ser uma prioridade para empresas que desejam manter-se competitivas num setor cada vez mais inovador.
“A escassez de talento qualificado e a desigualdade de género são desafios interligados que devem ser enfrentados com estratégias de inclusão e desenvolvimento de competências. As empresas que investirem na formação de talento diverso estarão melhor posicionadas para liderar o futuro das ciências da vida”, afirma Rita Mexia, national operations manager, healthcare da Gi Group.
Pode consultar o estudo completo aqui.
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