Moderado pela jornalista Isabel Patrício, o primeiro “Work Life Balance Talk” da Urban Sports Club contou com a participação de representantes das empresas OLX, PwC, Armatis e Global International Relocation, e ainda com a intervenção da psicóloga Inês Teixeira de Matos, para debater a importância de promover a saúde mental no local de trabalho.
Tendo como ponto de partida a necessidade de combater o estigma em torno da saúde mental e de enfatizar a importância de as empresas levarem a cabo planos de ação capazes de auxiliar os colaboradores, cada um dos participantes partilhou ações que já está a implementar, dificuldades que enfrenta no dia a dia e o tipo de programas e benefícios que têm trazido maior sucesso.
De forma geral, foi unânime a ideia de que saúde mental é um aspeto fundamental de uma política de recursos humanos completa e adequada. Sendo o local de trabalho, muitas vezes, uma das fontes de problemas do foro da saúde mental, cabe às empresas promover, em tanto quanto puderem, um estilo de vida que permita a criação de espaços de trabalho verdadeiramente saudáveis.
De acordo com a psicóloga Inês Teixeira de Matos, não há um plano de ação que funcione para todas as empresas: é fundamental conhecer o perfil dos colaboradores, as áreas em que trabalham, o que lhes causa mais stress e que tipo de benefícios mais valorizam. “Ouvir as pessoas, perceber quais as suas sugestões e proporcionar mais autonomia é extremamente importante”, explica a especialista. “Empresas onde há maior autonomia dos trabalhadores, verifica-se um nível de produtividade e bem-estar maior”, acrescenta.
Sobre este tema, Tiago Ginja, Office Manager no OLX, explica que “a sinceridade e a honestidade são mais-valias para que os colaboradores se sintam bem nas empresas”. De facto, se as chefias demonstrarem que é normal que todos sintam dificuldades e desafios, dão a conhecer o seu lado mais humano e criam um melhor ambiente de trabalho.
No mesmo âmbito, Nuno Simões, Human Capital Director da PwC, considera fundamental que os líderes de equipa estejam disponíveis para apoiar os colaboradores. “Estar disponível para ouvir é crucial. Se não estivermos disponíveis para ouvir, não podemos atuar”, sublinha. Nesse sentido, Nuno Simões explica que “o trabalho tem de ter alguns limites”, porque “as pessoas não conseguem dar o seu melhor se estiverem sempre no pico de trabalho”.
Também Luís Decq Mota, Portugal HR Director na Armatis, reforça a importância acrescentar valor aos colaboradores: “Nós não vamos conseguir pagar mais do que o mercado, não vamos conseguir dar mais benefícios do que o mercado, então focamos nos na condição humana.”. “Antigamente, existia a lei da sobrevivência. Agora tem de ser a lei da vivência”, acrescenta.
Por sua vez, Fábio Pina, Chief Happiness Officer do Global International Relocation, afirma que o estigma associado à saúde mental “não desapareceu e não vai desaparecer, mas está a perder força. A saúde mental não deve ser um tabu ou um tema leve, mas deve ser ter o mesmo espaço do que qualquer outra questão.”. O stress e a pressão são fatores que levam a uma quebra da relação com a empresa e resultam numa quebra da produtividade por parte dos colaboradores. É cada vez mais importante priorizar a saúde mental dos colaboradores e, para isso, “é preciso ter a ousadia de dizer perante a direção que precisamos de cuidar das pessoas”, conclui.
Assista ao vídeo com os highlights da primeira Work Life Balance Talk aqui.