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OpenAI defende que a crescente adoção da IA poderá transformar profundamente os modelos económicos e sociais, levando governos a repensar a forma como se trabalha, se geram rendimentos e se pagam impostos. Num documento divulgado na segunda-feira, a 6 de abril, a empresa apresenta “ideias iniciais” para mitigar os efeitos que a IA está a provocar nos Estados Unidos e na economia global, partindo do pressuposto de que estas tecnologias poderão, em breve, superar a inteligência humana.
Entre as propostas centrais está a criação de um fundo público de riqueza que permita distribuir pelos cidadãos os benefícios do crescimento económico impulsionado pela inteligência artificial. De acordo com o documento, este fundo investiria em ativos diversificados e de longo prazo, acompanhando tanto o desempenho das empresas de IA como de outras organizações que adotam estas tecnologias, canalizando os retornos diretamente para a população.
A empresa sugere ainda que os governos incentivem as empresas a testar novos modelos de organização do trabalho, nomeadamente através da implementação de semanas de quatro dias, sem perda de remuneração, como forma de compensar os ganhos de produtividade associados à utilização de IA. A proposta insere-se num debate mais alargado sobre o futuro do trabalho, numa altura em que a automação poderá reduzir a necessidade de mão de obra em diversos setores.
Em entrevista à RHmagazine, recorde-se que Ana Mendes Godinho, antiga Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, destacou recentemente os resultados alcançados com o projeto-piloto da semana de quatro dias, levada a cabo com 41 empresas. “Os resultados foram positivos. Faltou a fase seguinte: apoio às empresas, sobretudo micro e pequenas, para implementar novas formas de organização do trabalho.”
No plano fiscal, a OpenAI recomenda uma reconfiguração do sistema tributário, defendendo que os legisladores devem ponderar reforçar a tributação sobre lucros empresariais e mais-valias, em detrimento do rendimento do trabalho. A empresa admite ainda a possibilidade de criação de um imposto sempre que uma organização substitua trabalho humano por trabalho automatizado, numa tentativa de compensar eventuais perdas de emprego e a pressão sobre os sistemas de proteção social.
O documento propõe igualmente uma reformulação dos sistemas de proteção social, sugerindo que prestações como pensões de reforma e acesso a cuidados de saúde sejam integradas em “contas portáteis”, acompanhando os trabalhadores ao longo de diferentes empregos, setores ou projetos.
Líderes tecnológicos antecipam impacto profundo no emprego
As propostas da OpenAI surgem num contexto em que vários líderes do setor tecnológico têm vindo a antecipar impactos profundos da IA no mercado de trabalho. Entre eles, Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, da OpenAI, têm defendido a implementação de um rendimento básico universal como resposta a uma eventual substituição do trabalho tradicional por sistemas automatizados. Outros responsáveis, como Jensen Huang, da Nvidia, e Eric Yuan, da Zoom, têm apoiado modelos de semana de trabalho de quatro ou três dias, sustentados pelos ganhos de produtividade proporcionados pela IA.
Já Dario Amodei, Diretor-executivo da Anthropic, alertou recentemente para os riscos associados ao desenvolvimento de sistemas avançados, descrevendo a IA superinteligente como uma “receita para um perigo existencial”. O responsável sugeriu medidas como o controlo da exportação de tecnologias críticas, incluindo semicondutores usados no treino de modelos de linguagem, bem como a criação de leis de transparência que obriguem as empresas a revelar como orientam o comportamento dos seus sistemas.
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