O Doutor Finanças tem vindo a implementar diversas iniciativas orientadas para o bem-estar dos seus colaboradores, tanto na conjugação da vida pessoal com a profissional como no próprio local de trabalho.
Como é que tem funcionado o modelo de trabalho flexível do Doutor Finanças?
O modelo foi bem acolhido pelos colaboradores e tem resultado muito bem. Tal como o nome indica, funciona numa base de total flexibilidade. Cada colaborador escolhe se vai para o escritório ou se fica em casa. Esta é a norma. Sendo que, sempre que seja necessário, as pessoas deslocam-se ao escritório.
Esta liberdade que cada um tem para escolher o que funciona melhor para si tem tido uma aceitação muito grande entre as equipas, uma vez que permite um maior equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar.
Há pessoas que preferem trabalhar num ambiente mais isolado, outras que preferem trabalhar com mais barulho à volta, há pessoas que gostam de ir intervalando as duas realidades. Este modelo permite que cada um desempenhe o seu trabalho da forma que melhor se ajusta à sua vida e ao seu bem-estar. Gerir pessoas é, no nosso entender, respeitar aquelas que são as suas necessidades. E, como sabemos, todos somos diferentes e com necessidades, também elas diferentes. Porque haveríamos de insistir no mesmo modelo para todos?
Em agosto de 2021, testaram a semana de quatro dias de trabalho. Pode falar-nos um pouco sobre esta experiência?
Foi uma experiência muito interessante. As pessoas receberam a iniciativa de forma muito entusiasta, uma vez que passaram a ter um dia de descanso extra por semana. A iniciativa permitiu que as pessoas desfrutassem de mais tempo para si e para os seus, o que é sempre bem recebido. Os colaboradores revelaram que conseguem organizar-se (quer em termos das suas agendas, como de equipas) de forma a gerirem os seus dias. Não existiu qualquer necessidade de compensação de horas nos dias em que estavam a trabalhar.
Claro que nem tudo foi simples. A sincronização de agendas foi mais difícil, porque não havia um dia fixo de descanso, pelo contrário, houve a preocupação de garantir que a empresa não parava e que os clientes e parceiros não ficavam sem resposta e os níveis de excelência se mantinham.
Cada colaborador escolhe se vai para o escritório ou se fica em casa. Esta é a norma
E em maio avançaram para a um modelo de trabalho com 32 horas semanais. Qual o objetivo e como será implementado?
O objetivo é precisamente contribuir para que as pessoas consigam um equilíbrio entre a sua vida pessoal, familiar e profissional melhor.
À semelhança do que aconteceu em agosto, esta medida foi implementada sem qualquer impacto para os colaboradores ao nível do rendimento ou do horário dos outros dias da semana.
Termos um horário mais flexível, podermos gozar de uma tarde ou uma manhã adicional livre, é algo que nos dá uma liberdade maior, quer para resolver questões burocráticas, como ter mais tempo para descansar, para passear ou estarmos com quem mais gostamos.
Temos consciência de que apenas quando estamos bem conseguimos estar “inteiros” nas várias dinâmicas da nossa vida. E é por isso que continuamos a testar modelos de trabalho flexível, para encontrarmos aquele que seja o melhor para todos.
Termos um horário mais flexível, podermos gozar de uma tarde ou uma manhã adicional livre, é algo que nos dá uma liberdade maior
No fundo, trata-se de trabalhar menos horas, mas com melhores resultados…
Sim, se não estivermos bem, dificilmente vamos conseguir ter o melhor desempenho, em qualquer das vertentes da nossa vida. Quando estamos motivados, realizados e temos um bom equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, a nossa performance é invariavelmente melhor.
Existem realidades que suportam esta nossa convicção. Trabalhar mais não significa trabalhar melhor. Claro que há várias razões que justificam esta premissa e que não podem ser ignoradas, mas temos de perseguir o que de melhor se faz e ter o atrevimento de fazer diferente do que sempre foi feito.
O Doutor Finanças concede dias de férias extra aos seus colaboradores. É muito valorizado esse benefício?
Consideramos que o tempo, enquanto valor, é cada vez mais importante e um bem cada vez mais escasso. É por isso que trabalhamos para dar as melhores condições a cada um e proporcionar o melhor equilíbrio possível. Claro que ter dias de descanso adicionais é algo valorizado pelos colaboradores. Quem não gostaria de ter mais dias de descanso?
A empresa disponibiliza também apoio psicológico a custo zero – e, claro, confidencial – a todos os colaboradores?
Sim. Esta foi uma medida trazida pela pandemia e que veio para ficar. Os confinamentos provocados pelo Covid-19 tiveram impacto em toda a gente. E, a determinada altura, considerámos que seria importante disponibilizar um serviço que as pessoas pudessem usar em situações pontuais de stress, ansiedade ou outras sintomatologias de foro pontual e apoio psicológico regular.
Obviamente que é tudo confidencial e a empresa não tem acesso a qualquer informação. Esta é uma medida que, apesar de ter vindo a reboque da pandemia, veio definitivamente para ficar até porque os problemas de saúde (sejam físicos ou mentais) não têm dia e hora marcada.
Estão, neste momento, a remodelar os escritórios para que as pessoas se sintam ainda melhor no seu local de trabalho. Que alterações estão a fazer?
A pandemia veio alterar toda a lógica de trabalho. Antes trabalhávamos maioritariamente no escritório, atualmente, com o modelo de trabalho flexível, a ida ao escritório tem uma lógica diferente. De forma a proporcionarmos uma experiência mais adequada, estamos a adaptar o escritório com áreas de maior convívio, mais focadas em espaços que fomentem o brainstorming, por exemplo. O escritório está preparado para receber todos os doutores, mas com espaços mais dinâmicos, onde não há lugares marcados e onde se fomenta uma maior cooperação entre diferentes equipas.
Estamos a adaptar o escritório com áreas de maior convívio, mais focadas em espaços que fomentem o brainstorming, por exemplo
Esta cultura de proximidade tem permitido atrair e reter os talentos da empresa?
Acredito que a cultura que se vive no Doutor Finanças ajuda a que as pessoas se sintam bem cá. Não sou fã da expressão “retenção de talento”, que me remete sempre para alguém que é obrigado a ficar. Gosto mais de pensar que as pessoas estão fidelizadas por esta cultura que trabalha em prol dos colaboradores.
Acredito que, sendo a componente salarial fundamental para qualquer um de nós, o salário emocional assume atualmente um peso muito grande na vida das pessoas. Uma empresa que tem um modelo de trabalho flexível, que é focada nos resultados e não nas horas de trabalho, que dá mais dias de descanso aos seus colaboradores e que tem uma série de iniciativas cuja preocupação é o bem-estar dos seus, tem mais argumentos na hora de atrair talento.
É conhecida como a “pessoa das pessoas” do Doutor Finanças e costuma dizer que é nas pessoas que estão todas as respostas e que tudo o resto são histórias mal contadas. Na prática, o que é que isto quer dizer para si?
As empresas são as suas pessoas (ponto). E, se são as pessoas, como é possível gerir estrategicamente uma empresa sem colocar as pessoas no centro de toda e qualquer tomada de decisão? O que considero surpreendente é ainda existir quem ache que assim não é.
Entrevista publicada no suplemento especial “Melhores Práticas em RH” que acompanhou a edição n.º 140 da RHmagazine, referente aos meses de maio/junho de 2022.
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