Quais têm sido os vossos maiores desafios na área dos Recursos Humanos?
Um dos maiores desafios está relacionado com a mudança de mentalidade, que pode ser incrivelmente desafiadora, na medida em que leva tempo, exige autoconhecimento, motivação, apoio adequado e uma abordagem gradual e realista para a mudança. É muito habitual, extremamente confortável e tem sido prática, pensarmos em medidas que sirvam a todos da mesma forma. Contudo, sabemos que one size doesn’t fit all. É precisamente este mindset que urge desconstruir.
Cada um de nós tem modos diferentes de trabalhar, de agir e de se adaptar. É preciso que ao nível de gestão de pessoas haja essa consciência. Porque isso vai fazer toda a diferença naquilo que será o compromisso e a entrega de cada um de nós.
Outro desafio está relacionado com a evolução do modelo de trabalho. E o modelo de trabalho tem de respeitar dois grandes pilares: o bem-estar das pessoas e o bem-estar da organização. E nem sempre é fácil encontrar o modelo certo.
Até porque, como comecei por dizer, o maior desafio é gerir a questão de que one size doesn’t fit all. E é por isso que nos temos desdobrado, para garantir que o crescimento das equipas do Doutor Finanças não afeta a coluna dorsal que nos caracteriza: a nossa cultura e o nosso alinhamento.
O investimento em upskilling e reskilling já é uma realidade para a maioria das empresas. Qual é a vossa abordagem, em termos de iniciativas de formação?
A formação sempre foi uma questão com um peso muito revelante no Doutor Finanças. Entendemos a formação como essencial para o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores, bem como para o sucesso geral da empresa. Este é um investimento que pode trazer uma série de benefícios tangíveis e intangíveis a curto e longo prazo.
Nos últimos anos, temos sido marcados por duas questões de peso: a evolução do mundo e o seu impacto no mercado de trabalho e o crescimento do Doutor Finanças. Estas duas questões fizeram com que cedo percebêssemos que tínhamos de dotar as pessoas de outras ferramentas. Quer porque as pessoas querem assumir mais responsabilidades, quer porque perceberam que querem fazer outro caminho na organização.
Só faz sentido seguirmos determinado caminho se tivermos a pessoa no lugar certo. Isto obriga-nos a apostar na formação constante, permitindo, desta forma, que cada uma das pessoas possa crescer ao nível das suas competências e assumir responsabilidades adicionais, ou possa adquirir competências para novas funções ou áreas de atuação.
Tanto o upskilling como o reskilling têm sido determinantes no contexto Doutor Finanças, para garantir que as nossas pessoas estão preparadas para os desafios de um ambiente de trabalho que está em constante mudança.
A Academia Doutor Finanças conquistou o prémio “Melhores Fornecedores RH 2024”. Qual é o posicionamento das empresas portuguesas em relação à educação financeira dos seus colaboradores e como é que o Doutor Finanças está a garantir suporte?
Felizmente, muitas empresas já ganharam a consciência do impacto das questões financeiras nas suas pessoas. Este impacto não se resume à esfera pessoal. O estudo mais recente publicado pela PwC (Employee Financial Wellness Survey de 2023) revela que 76% dos colaboradores de uma empresa têm problemas financeiros e assumem que isso impacta a sua produtividade.
Estas pessoas reconhecem que usam três horas por semana, dentro do seu horário de trabalho, para resolver este tipo de problemas. O nosso suporte passa, precisamente, por ir às empresas mostrar às pessoas que têm soluções, quais as soluções e como podem usar cada uma delas para que possam tomar melhores decisões.
“O nosso suporte passa por ir às empresas mostrar às pessoas que têm soluções, quais […] e como podem usar cada uma delas, para que possam tomar melhores decisões.”
Rui Bairrada, CEO do Doutor Finanças, afirmou que a Irene é a “pessoa das pessoas”. Como olha para o futuro dos RH? Quais são as tendências prementes?
Há uma coisa de que não tenho qualquer dúvida: o sucesso das organizações será conseguido na exata medida em que as mesmas colocarem as suas pessoas no centro da estratégia. Sem isto bem definido, não acredito que uma organização tenha um futuro sustentável.
As tendências passam pela Inteligência Artificial e a automação, que vão dotar os gestores de recursos humanos de ferramentas para poderem responder de forma mais adequada às necessidades das nossas pessoas.
A flexibilidade laboral e salarial são já um tema. A personalização é algo com que todos nos identificamos, é a forma como todos queremos ser tratados. O modelo de trabalho terá de se adaptar às pessoas, bem como à remuneração. Nem todos se satisfazem com remunerações convencionais.
Outra grande tendência, e que urge em ser endereçada, é a igualdade salarial. Os últimos dados conhecidos, e que se referem a 2022, demonstram que as mulheres ganham, em média, menos 238 euros por mês do que os homens. É impossível olharmos para estes números e não fazermos nada para mudar o paradigma.
Artigo publicado na edição 152 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2024