Logo pela manhã, a energia no Fórum RH fazia-se sentir com intensidade. A Sala 1 – Workplace Options, dedicada ao tema “Que competências precisamos?”, atraiu uma plateia atenta e participativa, refletindo bem a urgência de repensar o papel dos RH num mundo em mudança.
A metáfora provocadora de um bar cheio de Cyborgs
A primeira palestra da manhã, com Bruno Horta Soares, arrancou sorrisos, mas também reflexões profundas. Com o título insólito “Um Unicórnio, um Centauro e um Cyborg Entram Num Bar… (Os RH Pagam a Conta!)”, a sessão desafiou os participantes a repensar a narrativa dominante sobre a transformação digital. Horta Soares recorreu a imagens fortes para ilustrar o dilema atual: entre os Unicórnios – idealizações tecnológicas que raramente se concretizam –, os Centauros – duplas homem-máquina bem ajustadas –, e os Cyborgs – humanos aumentados por tecnologia –, o que se exige aos RH é liderança de mudança, mais do que domínio técnico. “A transformação digital é sempre uma transformação para pessoas”, frisou.
Fazer acontecer: o poder das competências práticas
Seguiu-se a inspiradora intervenção de André Leonardo, que trouxe à sala um tom mais experiencial e emocional. Com base no seu percurso como empreendedor e académico, defendeu que mais do que competências técnicas, as organizações precisam de pessoas que fazem acontecer – resilientes, curiosas, com sentido de missão e capacidade de execução.
Benefícios flexíveis… e realistas
A primeira mesa redonda da manhã abordou um tema incontornável: os benefícios. A moderação elegante de Generosa do Nascimento abriu caminho a um debate claro e honesto. Mariana Carvalho, da Haleon, reforçou que “benefício que não é comunicado, não é valorizado”. Rosa Martins, da Edenred, destacou a importância de plataformas digitais para facilitar a gestão e personalização de benefícios. Sílvia Nunes e Generosa alertaram para o equilíbrio entre criatividade e sustentabilidade orçamental. O consenso? A chave está em escutar os colaboradores e adaptar constantemente as soluções.
Bem-estar com impacto real
Na segunda mesa redonda, o foco virou-se para o bem-estar organizacional. Com moderação de Ricardo Sousa, da Workplace Options, o painel apontou caminhos concretos para integrar o bem-estar na estratégia empresarial. Ana Baptista (também da Workplace Options) destacou a importância de ferramentas de monitorização, enquanto Vanessa Neves (Perfumes & Companhia) e Sara Barradas (Grupo Capricciosa) deram exemplos de iniciativas que procuram integrar saúde mental, equilíbrio e reconhecimento. A expressão “bem-estar estratégico” parece ter vindo para ficar.
Os líderes que temos (e os que precisamos)
O momento seguinte trouxe um formato intimista: uma conversa com Alexandra Andrade (Adecco) e Bruno Mota (Devoteam). Com moderação solta, falou-se da dissonância entre o perfil dos líderes atuais e os desafios futuros. Ficou no ar a provocação: como “recapacitar” quem já lidera há décadas?
Estruturas de RH em mutação
Já perto do final da manhã, a mesa sobre estruturas de RH foi marcada pela diversidade de perspetivas. Rita Mourinha (Seresco) sublinhou a necessidade de RH mais analíticos e integrados no negócio. Rute Miranda (Tendam) e Josep Cappel (CEINSA) destacaram o papel do Business Partner como elo entre estratégia e cultura. Alcides Cruz trouxe a perspetiva tecnológica e reforçou a importância da digitalização para libertar tempo e foco dos RH.
O regresso ao escritório (ou não)
O último painel da manhã partiu de um caso cada vez mais comum: “O meu CEO pede-me que as pessoas voltem todas ao escritório… mas as pessoas não querem voltar!” Rui Malcata (Steelcase) abordou o design do espaço de trabalho como elemento estratégico, enquanto Patrícia Agostinho (EY) insistiu na escuta ativa e em modelos híbridos flexíveis. “A resposta não está no controlo, mas na confiança”, concluiu.
Uma manhã cheia de pontos de interrogação… e algumas respostas
A manhã da Sala Workplace Options confirmou o que muitos já intuíamos: não basta saber o que fazer – é essencial saber como e com quem. A questão das competências, longe de se limitar a hard skills, atravessa áreas como o bem-estar, a liderança, a gestão de benefícios e a adaptação ao trabalho híbrido. No fundo, o Fórum RH lembra-nos que a gestão de pessoas continua a ser… sobre pessoas.
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