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retenção de talento executivo está a tornar-se um dos maiores desafios das empresas europeias. Um novo estudo da Page Executive, baseado em mais de 4500 respostas de executivos de vários setores em todo o mundo, revela que 61% dos líderes seniores da Europa Continental planeiam mudar de empresa nos próximos cinco anos.
O número é 15% superior à média global. Quanto aos motivos, 88% dos executivos europeus apontam a insatisfação profissional como o principal motivo para a mudança de carreira, enquanto 75% referem o salário. Em média, menos de metade (48%) dos executivos da Europa Continental dizem estar satisfeitos com o seu pacote salarial, contra 51% a nível global.
Apesar de 43% dos executivos terem registado um aumento na remuneração variável no último ano, os líderes europeus estão menos otimistas quanto a aumentos futuros do que os seus pares noutras regiões. “Os resultados destacam um desafio crítico para as empresas na retenção de talentos executivos de topo”, afirma Anthony Thompson, CEO da Page Executive, em comunicado. “Os líderes continuam à procura de oportunidades de desenvolvimento profissional e de carreira, enquanto o reconhecimento financeiro, sem surpresa, continua a ser um fator determinante.”
Em Portugal, a realidade não é diferente. “A concorrência por líderes excecionais é muito forte em Portugal”, sublinha Pedro Borges Caroço, Head Page Executive Portugal e Director na Michael Page. “As empresas, para poderem evoluir, devem avaliar constantemente a forma como envolvem, recompensam e motivam os seus executivos, para atrair e reter os melhores talentos.”
Trabalho híbrido aumenta satisfação
O estudo conclui que os executivos com a opção de trabalhar remotamente pelo menos dois dias por semana estão 25% mais satisfeitos do que aqueles sem acordos de trabalho híbridos, um valor 10% acima da média global. Apenas 15% dos líderes europeus não têm acesso a políticas de trabalho híbrido, abaixo da média global (25%).
Entre os benefícios mais valorizados, destaca-se o carro de empresa (68%), quase 20% acima da média global, seguido do seguro de saúde (52%) e da participação nos lucros (39%).
Tendências e remuneração por setor
O relatório Tendências Salariais 2025 analisa as principais tendências salariais e perfis de liderança em Portugal, por setor:
Consumer & Retail
- Liderança impulsionada pela transformação digital, globalização e sustentabilidade;
- Procura-se visão estratégica e capacidade para liderar equipas híbridas;
- Remuneração: 150.000 a 350.000€/ano + variável de 20-40%.
Finance
- O CFO emerge como sucessor natural do CEO;
- Cresce a procura por competências em inteligência artificial (IA), ESG e proteção de dados;
- Remuneração: 120.000 a 350.000€/ano + variável de 20-100%.
Healthcare & Life Sciences
- Forte procura em market access, business development e HEOR;
- Valorizam-se líderes com fluência digital e visão estratégica;
- Remuneração (CEO): 140.000 a 220.000€/ano + variável de 30-40%.
Human Resources
- Perfis analíticos e orientados por dados, com foco em ESG, IA e diversidade;
- Remuneração (CHRO): 120.000 a 300.000€/ano + variável de 20-30%.
Industrial & Manufacturing
- Liderança marcada por digitalização, sustentabilidade e integração global;
- Valorizam-se competências em automação, energia e agronegócio;
- Remuneração: 120.000 a 500.000€/ano + variável de 20-50%.
Legal
- Crescente complexidade regulatória e peso estratégico do jurídico;
- Relevância de ESG, compliance e proteção de dados;
- Remuneração (Counsel): 100.000 a 160.000€/ano + variável de 10-20%.
Technology
- Foco em inovação, mudança ágil e comunicação estratégica;
- Remuneração (CTO): 90.000 a >200.000€/ano + variável de 20-30%.
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