Com o encerramento das escolas e o início das férias de verão, milhares de famílias voltam a enfrentar um desafio: conciliar as exigências profissionais com os cuidados aos filhos. É o seu caso? Um estudo da International Workplace Group (IWG) conclui que quase sete em cada 10 pais sentem stress nesta altura do ano e aponta a flexibilidade como um dos principais fatores para aliviar essa pressão.
Segundo a IWG, 69% dos pais afirmam sentir dificuldades na organização dos cuidados aos filhos durante as férias escolares. Como tal, 78% consideram que a possibilidade de trabalhar próximo de casa ajudaria a reduzir o impacto nas rotinas familiares. Mais: cerca de 74% dos inquiridos dizem necessitar de maior flexibilidade para reduzir os custos associados aos cuidados aos filhos durante o verão, enquanto 27% antecipam um aumento destas despesas face aos anos anteriores.
Ao mesmo tempo, mais de metade dos pais (55%) considera que as oportunidades de trabalho flexível diminuíram nas respetivas organizações ao longo do último ano. Como consequência, muitos trabalhadores recorrem a soluções alternativas para responder às exigências familiares. Mais de um quarto admite depender mais frequentemente da ajuda de familiares e amigos, enquanto 26% entende que o regresso mais frequente ao escritório está a agravar os desequilíbrios na repartição das responsabilidades parentais.
Impacto superior para as mulheres
O estudo sugere ainda que as mães trabalhadoras revelam níveis de pressão superiores aos dos pais durante este período, com 74% a reportar dificuldades acrescidas, face a 66% dos homens. Segundo dados da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género mencionados pela IWG, as mulheres representaram 84,7% dos dias de ausência ao trabalho por assistência a filhos em 2024, um indicador que evidencia a persistência das desigualdades na distribuição das responsabilidades familiares.
A chegada das férias escolares obriga também muitos profissionais a reorganizar horários e rotinas. Três em cada quatro pais reconhecem que este período afeta diretamente o seu desempenho profissional e 26% admitem sentir maiores dificuldades de concentração quando tentam gerir simultaneamente as exigências do trabalho e da vida familiar.
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Para responder a essa pressão, 28% dos inquiridos prevê utilizar parte das férias anuais para cuidar dos filhos e 18% admite mesmo gastar todos os dias de férias disponíveis durante o verão. Outros optam por ajustar os horários de trabalho, começando mais cedo ou reduzindo o número de reuniões ao longo do dia.
Flexibilidade pode beneficiar empresas e colaboradores
Perante este cenário, a maioria dos pais identifica no trabalho híbrido uma das respostas mais eficazes. Segundo o estudo, 83% optaria por um trabalho próximo de casa caso essa possibilidade fosse disponibilizada pela empresa.
Para a IWG, os benefícios estendem-se também às organizações. Um estudo anterior da IWG, realizado em parceria com a Arup, concluiu que as empresas que integram espaços de trabalho locais nos seus modelos híbridos podem aumentar a produtividade até 12% nos próximos cinco anos.
“A flexibilidade no local de trabalho não só apoia o bem-estar das famílias, como também contribui para a saúde mental e a satisfação profissional dos colaboradores. Ao responder às necessidades dos pais trabalhadores através de um melhor acesso a diferentes locais de trabalho, em particular espaços de trabalho locais, as empresas podem criar ambientes mais solidários e produtivos, ao mesmo tempo que impulsionam a produtividade e a retenção de talento”, afirma Fatima Koning, Chief Commercial Officer da IWG.
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