O
salário continua a ser um dos fatores mais determinantes na retenção de talento. Um estudo da Robert Walters revela que 77% dos profissionais está à procura de novas oportunidades ou disponível para mudar de emprego devido à sua situação salarial atual.
A consultora revela também que 19% dos profissionais afirmam sentir-se menos motivados no trabalho após a última avaliação de desempenho ou revisão salarial anual, evidenciando os desafios que as organizações enfrentam para manter o compromisso e o envolvimento das equipas num contexto económico exigente. Por outro lado, apenas 28% dos inquiridos referem que estes processos lhes deixaram uma perspetiva mais positiva sobre o futuro.
Para Andrew Powell, Chief Commercial Officer da Robert Walters, “as avaliações de desempenho tornaram-se momentos-chave na gestão empresarial, especialmente agora que as organizações procuram equilibrar as necessidades dos seus trabalhadores enquanto gerem orçamentos apertados”. “Os profissionais querem saber como as suas competências são valorizadas, quais são as suas oportunidades de crescimento e se a empresa está a investir no seu desenvolvimento a longo prazo.” Para o responsável, estes momentos deixaram de ser encarados apenas como exercícios formais de avaliação para passarem a influenciar diretamente a perceção que os colaboradores têm sobre o seu futuro dentro da organização.
O estudo, integrado na Pesquisa Salarial da Robert Walters, conclui ainda que apenas 20% dos profissionais espera receber um aumento salarial este ano. Já metade dos inquiridos afirma não saber se terá uma revisão salarial ou assume que não receberá qualquer aumento. “A maioria dos profissionais compreende as pressões económicas sob as quais operam as empresas e reconhece que um aumento salarial nem sempre é viável. No entanto, é difícil manter a motivação quando não existem conversas abertas sobre progressão profissional ou sobre como são tomadas decisões relacionadas com compensações”, acrescenta Andrew Powell.
De acordo com a análise da consultora, as conversas sobre desempenho e remuneração estão a ganhar peso nas decisões profissionais, sendo cada vez mais utilizadas pelos trabalhadores para avaliar as suas perspetivas de carreira a médio e longo prazo.
Retenção de talento exige maior transparência
“Estamos a observar como muitas organizações adotam uma abordagem mais estratégica e ponderada na gestão das compensações. Os dados do mercado desempenham um papel fundamental para entender onde são competitivas, onde existem lacunas na progressão e como estão a evoluir as expectativas salariais”, sublinha Andrew Powell.
O responsável considera ainda que as empresas que conseguirem compreender melhor as novas expectativas dos profissionais estarão mais bem preparadas para desenvolver competências críticas, reforçar o compromisso das equipas e manter a competitividade. “À medida que o mundo laboral continua a evoluir, os profissionais estão a dar maior importância ao valor das suas carreiras a longo prazo e às oportunidades futuras. As organizações que compreenderem como estão a mudar as expectativas das suas equipas estarão melhor posicionadas para fomentar o compromisso, desenvolver competências críticas e manter-se competitivas no longo prazo.”
Segundo David Ferreira, Country Director da Robert Walters Portugal, a componente salarial continua a desempenhar um papel decisivo na atração e retenção de profissionais. “Em Portugal estamos a observar como o modo de gerir conversas sobre salários é um fator crítico para as empresas que procuram atrair e reter talento chave. A falta de transparência e expectativas não cumpridas estão a impulsionar uma maior mobilidade laboral, representando um desafio significativo para manter equipas comprometidas e competitivas que acompanhem o crescimento das empresas num mercado cada vez mais dinâmico e exigente.”
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