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mercado de trabalho mundial apresenta sinais de estabilidade, mas os desafios ligados à qualidade do emprego, à informalidade e às desigualdades continuam a marcar a agenda dos recursos humanos a nível global, segundo o mais recente relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
A taxa de desemprego global deverá manter-se em 4,9% em 2026, o que corresponde a cerca de 186 milhões de pessoas sem trabalho, de acordo com o relatório “Tendências Sociais e de Emprego 2026”, divulgado esta quarta-feira, 14 de janeiro, pela OIT. Apesar da estabilidade do indicador, a organização alerta que o avanço na criação de empregos dignos permanece limitado.
O documento traça um retrato detalhado do mercado de trabalho, onde persistem a escassez de emprego formal e as dificuldades na integração de jovens e mulheres. Esse cenário é acompanhado por um ritmo de criação de emprego que continua a variar significativamente entre economias.
De acordo com a OIT, o crescimento do emprego mantém-se desigual à escala global:
- Países de baixo rendimento: crescimento do emprego estimado em 3,1%, impulsionado pelo aumento da população em idade ativa;
- Países de rendimento médio-alto: crescimento limitado a 0,5%, num contexto de envelhecimento demográfico e redução da força de trabalho.
Estas diferenças tem consequências diretas na organização do trabalho e no planeamento estratégico das empresas, com impacto nas políticas de gestão de talento, mobilidade laboral e dimensionamento da força de trabalho, sobretudo nas economias mais desenvolvidas, como alerta a OIT.
Jovens entre a exclusão e a precariedade
O relatório é claro ao sublinhar que a estabilidade do emprego não significa, por si só, uma melhoria das condições de trabalho. Quase 300 milhões de trabalhadores continuam a viver em pobreza extrema, com rendimentos inferiores a três dólares por dia, enquanto 2,1 mil milhões de pessoas permanecem no emprego informal, sem acesso a proteção social, direitos laborais ou contratos estáveis.
Nos países de baixos rendimentos, 27,9% dos jovens não estudam, não trabalham nem frequentam qualquer formação profissional. A OIT descreve este cenário como “desafiante” e alerta que, mesmo nas economias mais desenvolvidas, os jovens enfrentam transições profissionais mais longas e maior exposição a contratos precários, num contexto de transformação tecnológica acelerada.
Automação e IA pressionam mercado de trabalho
É neste cenário que a tecnologia surge como um fator central. Debruçando-se sobre o impacto da automação e da inteligência artificial no emprego, o relatório aponta a necessidade de um acompanhamento próximo, sobretudo nos empregos qualificados ocupados por jovens.
Para os departamentos de recursos humanos, este ponto reforça a importância de políticas de requalificação, aprendizagem contínua e adaptação das competências às novas exigências do mercado de trabalho.
Paralelamente, as desigualdades de género continuam a marcar o mercado de trabalho. Segundo a OIT, as mulheres são cerca de 24% menos propensas do que os homens a participar na força de trabalho, um desequilíbrio influenciado por normas sociais persistentes, desigualdade no acesso a oportunidades e responsabilidades familiares não remuneradas.
A estes fatores juntam-se ainda pressões externas. A instabilidade nas regras do comércio global, observada em 2025, é apontada como um elemento adicional de risco. A OIT estima que 465 milhões de postos de trabalho em todo o mundo dependam das cadeias globais de valor e da procura externa por bens e serviços.
O aviso da OIT
No prefácio do relatório, o Diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, sublinha a necessidade de uma resposta articulada entre diferentes atores do mercado de trabalho: “A menos que os Governos, empregadores e trabalhadores atuem em conjunto para utilizar a tecnologia de forma responsável e expandir oportunidades de emprego de qualidade para mulheres e jovens – através de respostas institucionais coerentes e coordenadas – os défices de trabalho digno irão persistir e a coesão social ficará em risco”.
Números em destaque
- Taxa de desemprego global: 4,9%
- Pessoas sem trabalho: 186 milhões
- Trabalhadores em pobreza extrema: cerca de 300 milhões
- Emprego informal: 2,1 mil milhões de pessoas
- Empregos dependentes do comércio global: 465 milhões
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