Autor: Bruno Ribeiro, Diretor de RH | Grupo MSTN
A comunicação interna é um elemento central na cultura e eficácia organizacional de uma empresa, sendo certo que se trata de um dos aspetos que as organizações ambicionam melhorar.
A maioria das organizações encara a comunicação interna quase exclusivamente como um serviço noticioso, onde o objetivo primordial é partilhar informações genéricas e novidades da empresa.
Ora, esta conceção de comunicação interna é manifestamente curta. A ideia central de comunicação interna deve ser o diálogo, bem como potenciar os mecanismos que o tornam possível e produtivo.
A noção de diálogo organizacional é algo que, muito frequentemente, cai em esquecimento no contexto empresarial. Somos capazes de investir muito tempo a explorar novos canais de comunicação e a melhorar os aspetos visuais da mensagem, mas esquecemo-nos de perguntar ao colaborador se está satisfeito e feliz no desempenho das suas funções.
A proximidade é uma das principais dimensões de uma comunicação interna eficaz.
A principal missão de um líder deve ser investir tempo em ouvir, conhecer, dar feedback e orientar a equipa. Um líder que não reserve tempo de qualidade para esta missão não consegue ter sucesso. Ninguém lidera eficazmente através do silêncio.
Subjacente a esta ideia de diálogo organizacional está a premissa de que a comunicação interna deve ser bidirecional. Isto é, os colaboradores, a par da organização, deverão ser parte ativa do processo e ter “voz”. Tal implica que possam ser ouvidos de forma direta e individual, levando em consideração que cada colaborador tem as suas necessidades particulares, mas também de forma coletiva e indireta, através de, por exemplo, inquéritos de satisfação e clima organizacional, onde o anonimato salvaguarda que “não se mata” o mensageiro.
O diálogo deve ser produtivo e orientado para temas que acrescentem algo ao colaborador e à sua carreira. Tendemos a produzir muito conteúdo, mas inócuo. Os colaboradores necessitam de comunicação sobre a sua situação individual e de carreira, funcionamento da empresa, resultados e projetos que os impactem de forma direta.
A comunicação interna deve salvaguardar que a informação chega a todos, e pelas pessoas devidas. É um sentimento perigoso quando alguém se sente fora da equipa pelo facto de a informação chegar por “portas travessas”. Quando tal acontece, cria-se um clima de boatos e rumores que reduz a segurança psicológica, aumenta a ansiedade e o clima de secretismo, quase a fazer lembrar uma verdadeira “agência secreta”.
A saúde de uma equipa é inversamente proporcional ao grau de secretismo com que os assuntos são tratados. A base de uma boa comunicação é a transparência.