Autora: Rita Ferreira, Psicóloga Clínica na TEAM 24
Vivemos numa era de conexão permanente, onde a informação flui incessantemente e a comparação social é quase inevitável. O termo FOMO (Fear of Missing Out) — o medo de perder algo importante ou de ficar para trás — é frequentemente associado às redes sociais, mas a sua influência não se limita ao mundo digital. No ambiente corporativo, o FOMO tem vindo a ganhar terreno, moldando comportamentos, decisões e, infelizmente, a saúde mental dos colaboradores.
FOMO – medo de ficar de fora – refere-se a uma sensação incómoda e, por vezes, exaustiva de que os outros conhecem ou vivem experiências melhores do que as nossas. Os efeitos do FOMO no local de trabalho fazem-se sentir diretamente nos colaboradores, pressionados a estar constantemente atualizados, conectados e produtivos, e nos líderes que, muitas vezes, sem intenção, alimentam este ciclo.
Com as novas dinâmicas de trabalho, as notificações nunca param e muitos colaboradores sentem-se pressionados a responder a e-mails e mensagens no imediato e a estarem sempre disponíveis, com receio de parecerem menos comprometidos ou de perderem informações essenciais.
Na equipa, aumenta o sentimento de que estão sempre “atrás” dos colegas, ficando o medo de perder oportunidades de crescimento e isso é agravado por anúncios frequentes de formações, promoções internas e projetos de alta visibilidade. E esta comparação constante é estendida às redes sociais corporativas, reforçada pelas conquistas partilhadas por colegas ou concorrentes e criando a ilusão de que todos estão a avançar, exceto nós.
Na organização, o FOMO é sentido na tentativa de maximizar resultados através de um clima de urgência permanente. Frases como “precisamos disto para ontem” ou “é urgente” perpetuam a sensação de que não há espaço para descanso ou falhas. Este tipo de comunicação, embora muitas vezes bem-intencionado, pode criar uma cultura de ansiedade e, com o tempo, afetar a saúde mental, resultando em burnout e insatisfação generalizada.
Menos FOMO, mais sucesso
Combater o FOMO no ambiente corporativo não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas também uma estratégia de sucesso organizacional. Empresas que investem na criação de uma cultura saudável, onde a colaboração supera a competição e o equilíbrio é valorizado, colhem benefícios tangíveis: equipas mais resilientes, criativas e motivadas.
Quando as pessoas se sentem valorizadas e têm espaço para desconectar sem culpa, tornam-se mais produtivas e capazes de enfrentar desafios com clareza e foco. Reduzir o impacto do FOMO significa apostar na sustentabilidade emocional das equipas — uma vantagem competitiva para qualquer organização que ambiciona crescimento a longo prazo. O verdadeiro sucesso empresarial começa quando priorizamos o bem-estar daqueles que fazem a empresa crescer: as pessoas.