Por Rui Malcata, Diretor da Steelcase Portugal
À
medida que nos aproximamos de 2026, o mundo do trabalho prepara-se para uma transformação profunda. As sete tendências identificadas pela Forbes e destacadas pela RHmagazine, desde processos AI-native até à reforma gradual (“soft retirement”), revelam um futuro onde tecnologia, empatia e adaptabilidade coexistem. Mas há uma dimensão frequentemente subestimada nesta equação: o espaço físico onde tudo acontece.
O design dos espaços de trabalho não é apenas uma questão estética ou funcional. É, cada vez mais, um catalisador estratégico para acomodar e potenciar estas tendências. No artigo “Bots and Brains Need a New Workplace”, publicado na revista “Work Better”, a Steelcase sublinha que os ambientes laborais devem evoluir para apoiar tanto a inteligência artificial como a inteligência humana. Isso implica criar espaços que promovam foco, colaboração, privacidade e bem-estar, elementos essenciais num contexto de trabalho híbrido, orientado por dados e centrado na experiência do colaborador.
Ecossistemas de trabalho conectados exigem ambientes flexíveis, que integrem tecnologia e cultura organizacional. A gestão de pessoas orientada por dados requer espaços que favoreçam a transparência e a confiança. E o regresso das competências humanas, como empatia, criatividade e pensamento crítico, só será eficaz se os colaboradores se sentirem seguros, valorizados e inspirados pelo ambiente que os rodeia.
O espaço físico torna-se, assim, um reflexo da cultura da empresa e um instrumento de alinhamento estratégico. Ambientes bem desenhados podem fomentar a inclusão, reduzir o stress, melhorar a saúde mental e aumentar o sentimento de pertença. O design deve ser intencional, adaptável e centrado nas pessoas, promovendo experiências que reforcem o propósito e os valores organizacionais. Em 2026, o verdadeiro diferencial competitivo poderá residir na capacidade das organizações em disponibilizar espaços que não apenas respondam às exigências operacionais, mas que antecipem necessidades emocionais e cognitivas. O design torna-se, assim, um aliado do talento, da inovação e da retenção.
Porque trabalhar em 2026 será, acima de tudo, viver num espaço onde o humano e o digital se encontram – e onde o design é o elo que os une.
Artigo publicado na edição 161 da RHmagazine, referente aos meses de novembro e dezembro de 2025
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