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integração de IA nas organizações deixou de ser um exercício tecnológico para se tornar uma decisão estratégica. Com impacto direto no talento, nas funções e na produtividade, a IA levanta um princípio partilhado pelos líderes de RH: só faz sentido quando usada com critério, ética e supervisão humana.
Esta foi uma das principais conclusões do webinar 2IA 2026: Como transformar o talento, potenciar as pessoas e reforçar a estratégia organizacional”, promovido pelo IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos, com o apoio da ADP, no dia 5 de fevereiro, e moderado por Jorge Bento, District Sales Manager da ADP. Na abertura do debate, o moderador sublinhou que “uma nova era está a chegar. É uma era inteligente, interligada e centrada no ser humano”, acrescentando que o desafio dos líderes de RH passa por “encontrar o equilíbrio entre a inovação e entre a compaixão para promover a agilidade, a resiliência e o crescimento, a bom prazo, das organizações e das pessoas”.
IA como amplificadora da capacidade humana
Para Ilda Ventura, SVP Human Resources da Hovione, o momento atual corresponde a uma fase de ampliação das capacidades humanas. “Neste momento o que nós estamos a assistir é mais um aumentar da capacidade humana através do acesso a inteligência artificial”, afirmou, considerando que a tecnologia permite ultrapassar etapas rotineiras dos processos científicos e aumentar a produtividade.
Apesar do entusiasmo, deixou um recado: “O fator humano é muito importante. Nós temos a inteligência artificial a aprender com os seres humanos, portanto acima de tudo tem que haver uma grande atenção à governança”. No entender da responsável, muitas funções tenderão a evoluir de tarefas de execução para funções de monitorização, reforçando a centralidade das pessoas.
Também Paula Arriscado, Diretora Corporativa de Pessoas, Marca e Comunicação do Grupo Salvador Caetano, defendeu uma visão complementar, destacando o papel da formação e da capacitação. “Entendemos que a capacitação é, se quisermos, o nosso maior desafio neste momento para enfrentarmos tudo aquilo que a tecnologia pode trazer e para aproveitarmos o seu potencial sem substituir aquilo que distingue o ser humano.”
A responsável explicou que o grupo tem vindo a introduzir soluções de IA, automação e digitalização em várias áreas do negócio, com um objetivo claro: “Apostarmos nestas tecnologias vai permitir que os nossos colaboradores tenham mais tempo para aquilo que verdadeiramente os distingue, que é não só esta capacidade, esta empatia e esta compaixão, mas também a comunicação”.
Na Metalogalva, a introdução da IA é encarada como uma decisão estratégica e não apenas tecnológica. “A implementação de ferramentas de inteligência artificial não é um projeto dos IT, é uma decisão organizacional”, defendeu Sónia Alves, Human Resources Head of Department da empresa.
Agentes de IA como “colegas de trabalho”
Nas palavras da própria, o objetivo é “libertar as pessoas daquilo que são tarefas que não acrescentam valor às organizações. Nem às organizações, nem às pessoas”. Ao automatizar tarefas repetitivas, os colaboradores passam a assumir funções de coordenação, verificação e controlo, áreas onde o valor humano é insubstituível. “O ser humano bate a inteligência artificial em tudo aquilo que há a lidar com ambiguidade.”
Questionada sobre a eventual substituição de postos de trabalho, foi perentória: “Não me parece que as funções, no seu geral, vão desaparecer”. Sónia Alves defendeu uma evolução gradual, com reskilling e upskilling, e alertou para o risco da inércia organizacional.
No setor financeiro, Marlene Franco, Iberia HR Director do Oney Bank, referiu que a automatização já é uma realidade há vários anos, mas que a IA traz novos desafios, sobretudo ao nível ético e regulatório. “Vai existir legislação que vai regular até o nível ético, onde podemos usar AI”, disse, referindo o recrutamento como uma das áreas sensíveis.
Ainda assim, garantiu que não sente uma inquietação generalizada entre os colaboradores. “Não vejo isso com essa inquietude, acho que as pessoas vão pensar, vamos fazer mais, possivelmente com menos esforço, e quem sabe até vamos ganhar qualidade de vida”, acrescentou, defendendo que a literacia em IA será uma competência essencial no setor bancário.
Sobre os colaboradores virem a ter agentes de IA como futuros “colegas de trabalho”, Paula Arriscado admitiu que essa realidade já começou a materializar-se. “Vemos efetivamente os agentes de AI como um colega de trabalho, mas é aquele colega de trabalho que vai fazer aquelas coisas que são sem valor acrescentado para o negócio e sobretudo para a pessoa.” Porém, deixou claro que “quem dá as ordens é o ser humano, quem diz o que quer é o ser humano, quem vai definir a estratégia é o ser humano”.
Ética, regulação e o papel dos RH
Na reta final do webinar, o debate ficou marcado pela discussão em torno do AI Act europeu. Para Sónia Alves, a regulação não é um obstáculo, mas uma oportunidade de reflexão. “No limite, impõe-nos também a nós a obrigatoriedade de refletir sobre como é que a devemos levar e quais são os limites éticos da sua utilização.”
Ilda Ventura reforçou a necessidade de supervisão humana, sobretudo em contextos críticos como a investigação científica. “A inteligência artificial pode ajudar, mas não pode substituir os processos implementados e que decorrem do humano, da humanidade”, realçou.
Já Paula Arriscado alertou para o risco de um excesso de regulação na Europa, sublinhando a necessidade de uma transformação profunda nos modelos de ensino e liderança. Para a responsável, é fundamental “deixar de ser instrutores para passarmos a ser mais mentores e coaching“, reforçando a importância de um maior enfoque no pensamento crítico, na colaboração e na empatia.
O webinar terminou com a convicção partilhada de que a IA não diminui a dimensão humana do trabalho. Pelo contrário, quando usada com responsabilidade, reforça-a, exigindo dos profissionais de RH um papel ainda mais estratégico na preparação das pessoas e das organizações para 2026.
Assista ao webinar em: https://www.youtube.com/live/9YNZUctZswU
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