Por Tiago Santos, Vice-Presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame
A
forma como trabalhamos está a mudar. Nos últimos anos, num cenário marcado pela transformação digital, os modelos de trabalho remotos e híbridos deixaram de ser uma exceção e tornaram-se uma realidade para muitas empresas. Contudo, com esta transição, surge um novo desafio para líderes e gestores de pessoas: como podemos construir e manter uma cultura empresarial forte e coesa quando os colaboradores já não partilham, todos os dias, o mesmo espaço físico?
Embora este seja um desafio real, os líderes devem compreender que a cultura de uma organização vai muito além da presença no escritório. De facto, criar confiança depende, acima de tudo, das relações humanas, de uma comunicação clara e da partilha de valores, algo que, ainda que possa não parecer, é possível construir mesmo à distância. Importa apenas compreender como.
Para promover uma cultura empresarial forte, é essencial ter em conta todas as pessoas, independentemente de onde estejam. A integração crescente de colaboradores em regime remoto ou híbrido exige uma abordagem mais direcionada e empática, algo que requer uma adaptação por parte das lideranças. Apostar em soluções e ferramentas digitais, por exemplo, que asseguram uma comunicação centralizada, intuitiva e clara, uma gestão de processos e funções ágil e avaliações de desempenho é fundamental. Mais do que digitalizar processos, estas soluções devem ter como objetivo criar pontes e facilitar a colaboração ativa entre equipas e líderes, que promova a proximidade, o envolvimento e o espírito de equipa.
Por outro lado, é também importante garantir que a comunicação é bidirecional. Não basta enviar newsletters ou convocar reuniões; é preciso criar espaços onde todos possam dar feedback, fazer perguntas, partilhar conquistas e até desafios. Para dar o exemplo, estas partilhas devem começar precisamente a partir do topo, de forma a motivar as equipas a fazer o mesmo, sem receios. Incentivar um ambiente de partilha e escuta ativa, onde cada pessoa se sente confortável, ouvida e incluída, é o primeiro passo para estabelecer uma verdadeira cultura de confiança. Processos de onboarding estruturados, pontos de situação regulares e momentos de partilha informais com os colegas são algumas estratégias úteis para criar e reforçar precisamente esse sentimento de pertença.
A flexibilidade é outro pilar fundamental. Os profissionais valorizam, cada vez mais, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, algo que só é possível se houver flexibilidade por parte dos gestores. Horários flexíveis, trabalho assíncrono e políticas que priorizam a saúde física e mental não só promovem o bem-estar das equipas, como reforçam o seu compromisso para com a organização, facilitando ainda a atração de talento qualificado. Esta flexibilidade não significa perda de conexão, pelo contrário: deve ser acompanhada de momentos de contacto humano, seja através de reuniões de equipa, encontros informais, celebração de aniversários, conquistas e marcos coletivos, ou até eventos presenciais pontuais que reforcem os laços entre colegas.
A cultura de uma empresa vive das suas pessoas. Se soubermos ouvir, adaptar e gerir com empatia, conseguimos promover relações de confiança, independentemente do local onde cada um se encontre. O que une equipas não é a partilha de um escritório, mas sim o propósito comum, os valores partilhados e a sensação de que fazem parte de algo maior. E, para isso, basta que cada pessoa se sinta respeitada e incluída, onde quer que esteja.
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