Joana Gonçalves Rebelo
EY Manager, People Advisory Services
Organizações eficazes são o ponto basilar para vencer num mercado cada vez mais global e competitivo. Os mercados onde as empresas se inserem são cada vez mais competitivos e para conseguir singrar, cada vez mais as organizações têm de ser ágeis, deter pessoas com conhecimentos certos e tomar decisões arrojadas maximizando a sua eficácia.
Segundo a CNBS, as pessoas não se importavam que 74% das marcas desaparecessem e que 60% das empresas produzam conteúdo pobre e irrelevante. Por outro lado, de acordo com o mais recente EY Growth Barometer Survey, 31% das empresas privadas das Américas classificam os pedidos dos seus clientes como o maior impulsionador da inovação, um aumento de 12% em relação ao ano anterior.
Num cenário tão significativo como este, as empresas precisam de tomar ações concretas para se manterem relevantes no mercado – pelo que urge uma gestão meticulosa das competências ao seu dispor.
A visão sobre a gestão de talento está a mudar rapidamente em várias frentes. O talento já não é visto localmente, mas cada vez mais globalmente. A potencial lacuna de competências locais leva ao alargamento da pesquisa de candidatos em diferentes geografias, mobilizando cidadãos em todo o mundo.
Assiste-se ainda a uma tendência crescente da Gig Economy, onde profissionais liberais ocupam parte do seu tempo a prestar serviços a empresas permitindo desta forma gerir a sua vida privada e profissional da maneira que preferem. Por outro lado, as empresas conseguem ter tarefas pontuais e que requerem competências específicas colmatadas de forma flexível.
Às mudanças já identificadas são ainda introduzidas novas formas de trabalho como por exemplo RPA’s (Robotic Process Automations) e chatbots. Os RPA são softwares que permitem a realização de tarefas manuais, repetitivas, baseadas em regras bem definidas. Por outro lado, os chatbots simulam uma equipa virtual capaz de iniciar conversação “humana” resolvendo questões em primeira instância. Todas estas novas ferramentas permitem libertar os colaboradores de tarefas elementares para se dedicarem a outras que necessitam de competências especializadas e de maior valor acrescentado.
A revolução na forma como o trabalho é feito tem então impacto direto no planeamento da força de trabalho, na constituição, dimensionamento e localização das equipas, que são compostas por humanos e robots, espalhados pelas diferentes partes do mundo.
Havendo uma redefinição no planeamento da força de trabalho, o desenho organizacional deve refletir estas alterações gerando maior eficácia, conduzindo processos de negócio centrados no que irá garantir vantagem estratégica junto do seu mercado e clientes.
O desenho organizacional discorre para uma estrutura de funções que têm um perfil de competências próprio. Desta forma construímos a base da gestão efetiva de recursos humanos que agrupa e contrata os diferentes perfis de competências potenciando o talento necessário para gerar organizações eficazes.
O tecido empresarial está em profunda mudança e para se manter eficaz e capaz de acompanhar a aguerrida concorrência no mercado – acoplada das alterações nos modelos de trabalho – tem que procurar munir-se das pessoas certas, com as competências certas, no local certo, pelo custo certo e a fazer as coisas certas.