Numa altura em que a inflação já está presente em quase todas as conversas, conseguir estar à altura das despesas mensais fixas é, para muitas famílias, um enorme desafio. Esta realidade tem levado muitas pessoas a viverem financeiramente à beira do limite, sendo que, perante algum tipo de imprevisto, têm muitas vezes de recorrer a financiamentos bancários para fazer face aos percalços.
Neste tipo de situações, a antecipação do pagamento do salário poderia ser uma solução e foi com esta premissa em mente que Nuno Pereira criou a Paynest, uma plataforma online destinada a empresas que permite que os seus colaboradores sejam pagos de forma flexível.
“A par da funcionalidade de remuneração, a Paynest tem um mecanismo de prevenção ao endividamento baseado na promoção da literacia financeira, através da disponibilização de conteúdos personalizados e do acesso individual e confidencial a uma equipa de coaches financeiros”, conta à RHmagazine o seu fundador.
Lançada no final do ano passado em Portugal e na Grécia, a Paynest quer aproximar as empresas dos seus colaboradores e acabar com a obrigatoriedade de o pagamento de salários ser realizado apenas numa data específica para todos os colaboradores, tornando a experiência mais personalizada às necessidades de cada um.
Um recurso para imprevistos, mas também um motor para a literacia financeira
“A missão da Paynest é acabar com os microcréditos a que se recorre quando há imprevistos ou despesas de última hora que não podem esperar pelo fim do mês para serem cobertos e melhorar a resiliência dos colaboradores a longo prazo através da educação financeira”, explica Nuno Pereira. “Ao longo do tempo, os empregadores podem ajustar e personalizar as suas definições em qualquer altura, através da plataforma de gestão, assim como acompanhar os movimentos e obter uma visão geral da situação económica e da literacia financeira dos seus colaboradores”.
Da parte dos colaboradores, o acesso a esta ferramenta é feito através de uma app, na qual podem, depois, realizar os seus pedidos de liquidação de salário e ter acesso às ferramentas de literacia financeira gratuitas. A aplicação tem ainda uma funcionalidade de chat, onde os colaboradores podem colocar questões e esclarecer dúvidas.
Mais do que uma plataforma de pagamento flexível, a Paynest quer ser um verdadeiro motor para o desenvolvimento de competências na área financeira. Por reconhecer que, aliado a outros fatores externos, a falta de conhecimentos financeiros é um dos principais entraves à capacidade de gerir a remuneração e estar preparado para imprevistos, a plataforma aposta fortemente na componente de formação.
“A Paynest não pretende ser uma ferramenta de recurso regular. Pelo menos, não com o objetivo de dar resposta a despesas inesperadas. Por este motivo, combinamos duas funcionalidades que nos parecem essenciais: o salário flexível, que permite ao colaborador ter maior liberdade para aplicar o seu rendimento ao longo do mês, e o apoio à literacia financeira”, explica o fundador e CEO da plataforma.
Assim, do lado do empregador existe também a possibilidade de ter uma visão holística da situação financeira dos seus colaboradores, de forma a que este possa acompanhar a evolução da mesma e intervir em caso de necessidade.
Para Nuno Pereira, a oferta de serviços da Paynest é uma mais-valia para as empresas e um verdadeiro aliado para combater a dificuldade de retenção de talentos nas organizações. “Uma organização que disponibilize este benefício será vista como pioneira e, portanto, mais atrativa aos olhos de quem procura emprego. Além disso, esta solução poderá também melhorar os níveis de retenção, já que permite dar resposta aos 78% de colaboradores que demonstram estar dispostos a trocar de empresa em troca de mais benefícios monetários”, comenta.