Ana Luísa Vicente é a Diretora de RH da Sonae Sierra e foi a convidada do podcast “Pessoas&Talento”, com Cristina Martins de Barros, Diretora & Founder do IIRH-Instituto de Informação em Recursos Humanos. Descubra tudo sobre a forma como a Sonae Sierra se está a transformar e como se apoia nas suas pessoas para o fazer.
Licenciada em psicologia em Coimbra, e tendo concluído o curso com o mestrado integrado, Ana Luísa Vicente começou por estagiar no setor da construção, que abandonou por ambicionar uma carreira diferente.
Integrou a Sonae em janeiro de 2011, iniciando o seu percurso na empresa como trainee. Nos anos seguintes foi assumindo diferentes cargos e diferentes responsabilidades.
Passou pela gestão de talento, políticas de RH, projetos estratégicos, alto potencial, comissões executivas, entre outras.
Com o propósito de aprender sobre áreas menos direcionadas à psicologia e à gestão de RH, Ana Luísa Vicente realizou um MBA em gestão, que lhe deu um conhecimento mais abrangente. Foi aí que surgiu o convite para assumir a Direção de RH da Sonae Sierra, o que lhe despertou interesse de imediato, por poder trabalhar na área de uma forma mais global.
A formação sempre foi, assim, de extrema relevância para Ana Luísa Vicente, que garantiu que o gosto por aprendizagem, estudo e compreensão aprofundada dos temas a acompanhou desde cedo. O próprio interesse pelo novo cargo na Sonae Sierra partiu da cultura “aprendente” da empresa. Ademais, a gestão de RH da Sonae estava a sofrer uma significativa transformação fruto da evolução do próprio negócio.
“Se não formos agentes responsáveis por estar sempre a aprender, ficamos completamente ultrapassados”
A formação é, de facto, importante na Sonae Sierra. A empresa tem um enorme foco nos seus colaboradores e no desenvolvimento das suas competências, necessárias ao exercício de funções. Contudo, a responsabilidade desta aprendizagem não deve ser só da empresa. Para Ana Luísa Vicente, também as pessoas devem ser “owners” do seu crescimento.
A Sonae Sierra encontra-se em processo de transformação, que teve de ser acompanhada de uma reflexão sobre vários aspetos: As pessoas, que têm de compreender a mudança e desenvolver novas competências, principalmente no caso das líderes; A cultura, que tem de estar bem estruturada e orientada, de forma a ser bem transmitida; E as próprias matérias inovadoras, como por exemplo, todas as relacionadas com a digitalização, que têm de ser previamente analisadas e assimiladas.
“Éramos monoproduto e estamos a trabalhar um posicionamento de diversificação”
Para fazer face a toda a transformação, é importante desenvolver o talento interno. Segundo Ana Luísa Vicente, a capitalização do know-how sempre fez parte da cultura da Sonae Sierra. A estratégia passa, por um lado, pelo upskilling e, por outro, por novas contratações, de forma a adquirir novas competências.
As aptidões valorizadas pela Sonae Sierra abrangem as mais específicas, como built rent, mas também as de marketing, comerciais, de futuro (relacionadas com as tecnologias, o mundo digital, ou a maior relação entre as empresas, que são características do novo posicionamento cultural) e pessoais, associadas ao desenvolvimento da inteligência emocional e do pensamento crítico, por exemplo.
“Os nossos líderes têm um histórico de desenvolvimento muito grande”
A avaliação dos colaboradores é realizada tanto em dimensões de performance, como do ponto de vista do potencial. As lideranças têm, neste processo, um importante papel, visto que analisam os diferentes resultados e, consequentemente, perfis e os discutem entre si. As decisões são tomadas com base nas expectativas criadas para cada equipa, conforme explicado por Ana Luísa Vicente.
O desenvolvimento da Academia de Gestão e Liderança é, igualmente, relevante para atualizar as competências dos colaboradores. Apesar de ser um projeto antigo, continua bastante atual, mantendo a reputação da Sonae como “escola de líderes”. A temática é aprofundada do ponto de vista do próprio, dos outros, das equipas operacionais, da estratégia, entre outros.
A Sonae Sierra tem, ainda, um programa denominado “Lead the Change”. A aprendizagem é online e presencial, pretendendo desenvolver embaixadores de mudança. São desenvolvidas competências de autoconhecimento, negócio, equipas, empatia, feedback, entre outras.
“A multigeracionalidade é um ativo muito grande”
A multigeracionalidade também é uma realidade na Sonae Sierra que pode ser desafiante. As diferenças entre as gerações são notórias, tanto ao nível das ferramentas, como ao nível das características pessoais, dos métodos de trabalho, das crenças, das experiências, etc. Contudo, é esta diversidade, proveniente dos diferentes contextos, que conduz à inovação.
Os atuais líderes têm uma enorme influência nos jovens e na sua preparação como líderes do futuro. As lideranças devem avaliar o potencial dos jovens para os integrar nas novas funções, mas não só. Os próprios jovens também têm de ter vontade de liderar.
“Temos de construir uma cultura em que, de forma consciente, as pessoas conversem sobre as coisas”
A cultura da Sonae Sierra é muito focada na mobilização constante para o resultado, o que implica velocidade. Por sua vez, esta velocidade exige a colaboração e o trabalho de equipa, muito valorizados. A transformação do negócio, as novas gerações e o contexto de mercado estão a evoluir, pelo que a cultura da empresa tem de acompanhar rapidamente todas as questões. A digitalização é de extrema relevância.
O desenvolvimento de empreendedores também é um tópico muito característico da Sonae Sierra, estando muito associado ao espírito de inovação, que nem sempre tem de ser disruptiva. As estratégias de inovação vão desde as mais explícitas, como concursos de partilha de novos produtos, ou trabalhos resultantes dos programas de trainees e estágios, até às mais subtis, como as road trips para análise dos melhores players, em busca de inspiração.
Os programas de well-being são desenvolvidos na Sonae Sierra há muito tempo. Medidas como o trabalho flexível, o employer listening, ou os surveys quase sempre fizeram parte da realidade na empresa. O engagement dos colaboradores também é recorrentemente avaliado. As equipas de RH devem saber apoiar, acompanhar e aconselhar os colaboradores, muito para além de os ouvir.
“Um bom líder é, sobretudo, uma boa pessoa”
“Pessoas&Talento” é um podcast quinzenal do IIRH que pretende inspirar, informar e capacitar todos os profissionais que gerem uma equipa, líderes empresariais e todos aqueles interessados em entender como as pessoas são o verdadeiro diferencial competitivo nas empresas do século XXI.![]()
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