De que modo é que a DECO PROteste tem ajudado as empresas a implementar programas de educação financeira e que tendências estruturais têm observado no mercado português em termos de necessidades dos colaboradores?
Ajudamos as empresas a desenhar e implementar percursos de literacia financeira ajustados ao perfil das equipas. Começamos por identificar onde estão as dúvidas e o stress e construímos um programa modular, com linguagem simples e ferramentas práticas para usar no dia seguinte. Trabalhamos rotinas simples, como automatizar poupança no dia do salário, separar objetivos por ‘cestos’ e criar uma reserva que evite decisões em modo de urgência. As sessões são muito participadas, com casos práticos, perguntas abertas e checklists que os colaboradores podem usar no dia a dia.
Muitas empresas começam por finanças pessoais, orçamento, hábitos de poupança e fundo de emergência. Depois, consoante a maturidade, acrescentamos módulos como preparar a reforma, IRS e otimização fiscal, ou noções de investimento (diversificação, risco e longo prazo).
Em Portugal, vemos uma procura crescente por conteúdos aplicáveis a decisões reais: crédito, poupança, fraude e consumo informado. E há uma característica muito forte nestas formações: são dadas em contexto profissional, mas “vão para casa”. Eu próprio fiz esta formação na DECO PROteste e senti isso. As rotinas e os princípios passam para as decisões do agregado e, muitas vezes, chegam aos filhos, criando noções desde cedo.
Que mudanças concretas têm as organizações que trabalham com a DECO PROteste registado nos seus indicadores internos (como engagement, retenção ou eficiência) após a adoção de formações em literacia financeira e bem-estar?
O primeiro sinal costuma ser simples: as pessoas aderem e relatam utilidade, porque falamos de decisões do dia a dia. Quando alguém passa a ter um método para organizar despesas, criar uma reserva para imprevistos e planear objetivos, diminui a ansiedade e aumenta a sensação de controlo – isto é bem-estar na prática.
Nas empresas, vemos frequentemente mais clareza nas escolhas e menos ruído em temas financeiros e de consumo (incluindo maior atenção a fraudes e promessas fáceis). Também é comum haver melhor compreensão e utilização de benefícios internos, porque as pessoas comparam opções com mais critério. Quando existe acompanhamento ao longo do tempo, algumas organizações conseguem observar efeitos indiretos
em engagement e retenção, sobretudo em segmentos mais expostos a stress financeiro. Preferimos ser rigorosos: medimos, recolhemos evidência interna e ajustamos. E há um ponto que os RH valorizam muito: quando o stress financeiro baixa, ganha-se largura de banda mental. Isso nota-se em mais foco, menos decisões reativas e melhor capacidade de planear, o que ajuda tanto o colaborador como a equipa.
Além da literacia financeira, a DECO PROteste disponibiliza outras formações para empresas, como saúde e bem-estar. Como é que estes programas contribuem para o desenvolvimento dos colaboradores e para uma cultura organizacional mais sustentável e resiliente?
Estes programas trabalham competências de vida que aumentam autonomia e reduzem riscos evitáveis. Em saúde e bem-estar, quando a formação é bem desenhada, reforça prevenção, autocuidado e literacia em temas críticos, com impacto em energia, foco e capacidade de decisão.
A ligação à literacia financeira é direta: bem-estar financeiro e bem-estar físico e emocional influenciam-se. Quando a pessoa cria margem, mesmo com rotinas simples (orçamento, reserva para imprevistos, objetivos por etapas), ganha espaço mental. E, quando juntamos pensamento crítico, ganha também capacidade para filtrar informação e evitar decisões precipitadas, algo cada vez mais relevante com IA.
Que métricas ou indicadores considera mais relevantes para as empresas acompanharem o impacto de iniciativas que visam reforçar a autonomia financeira e o bem-estar dos seus colaboradores?
Na DECO PROteste, recomendamos poucos indicadores, fáceis de acompanhar: participação e conclusão, satisfação e relevância percebida, e uma medição curta antes e depois sobre confiança na tomada de decisão. Depois, o essencial é verificar mudança de comportamento, por exemplo, orçamento feito, poupança automatizada, reserva para imprevistos, revisão de despesas, rotinas de IRS ou, no tema reforma, uso de simuladores e reforços regulares.
Pode também ser útil acompanhar sinais que a empresa já monitoriza, como absentismo ou procura
de apoio em momentos específicos, sempre com cautela e respeito pela privacidade. Quando possível, analisar a evolução de engagement e retenção em segmentos mais expostos a stress financeiro.
Que temas considera prioritários trazer à edição deste ano do Fórum RH?
Três temas. Primeiro, decidir melhor num mundo assistido por inteligência artificial: pensamento crítico, verificação de fontes e consciência de vieses, sobretudo em finanças e consumo, onde a informação pode ser muito convincente e nem sempre correta. Segundo, bem-estar financeiro como pilar de bem-estar, com foco em rotinas práticas que criam estabilidade e reduzem stress. Terceiro, implementação responsável: como desenhar estes programas com comunicação clara, voluntariedade e métricas simples para sustentar decisões de continuidade.
Artigo publicado na edição 164 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2026
Assista também ao Fórum RH Talks com Susana Nunes, Diretora de RH da Deco Proteste. Este podcast integra uma série de conversas promovida pela RHmagazine, em parceria com os parceiros do Fórum RH 2026, dedicada aos grandes desafios, tendências e transformações da gestão de pessoas.
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