É a nova diretora de relações humanas da L’Oréal Portugal. Sara Lopes da Silva assumiu, em julho de 2021, o novo desafio, depois de mais de 20 anos na empresa, mas não o encara como o culminar da carreira. “A viagem continua”, antecipa, com a sabedoria de quem entende que a vida é uma caixinha de surpresas e o reconhecimento dos desafios imprevisíveis que já superou.
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ormada em marketing pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e com um curso de gestão pela Cranfield School of Management, o percurso de Sara Lopes da Silva na L’Oréal passa, entre outros, pelos departamentos de marketing, comercial e digital. Desde 2018, exerce funções na equipa de Recursos Humanos, área em que frequentou o Programa Avançado em recursos humanos da Universidade Católica Portuguesa. Num contexto pós-pandémico, em que as relações humanas são mais relevantes do que nunca, quisemos conhecer a sua visão para o futuro.
Foi recentemente nomeada Human Relations Director. Porquê este título e não o mais habitual People Director?
Apesar de não ser novo na L’Oréal, nunca este título foi tão pertinente como nos dias de hoje. Mais do que recursos, acreditamos que a nossa principal missão é gerir relações. A L’Oréal tem como visão criar uma cultura centrada nas pessoas, uma cultura inclusiva, inovadora e inspiradora para inventar o futuro da beleza. Os recursos podem ser ilimitados neste sentido, mas se não nos focarmos nas relações entre pessoas ficaremos, certamente, aquém da nossa ambição.
Esta nomeação é o culminar dos 22 anos em que está na empresa?
Não penso nesta nomeação como o culminar da minha carreira, a viagem continua. Em 1999, quando entrei na L’Oréal, não imaginava que hoje estaria a dar esta entrevista. Em 22 anos, trabalhei 10 marcas em circuitos de beleza diferentes. Desempenhei funções e geri equipas nas áreas de marketing, comercial, visita média, digital.
Sempre gostei do universo das marcas, mas sempre me identifiquei com as relações e com a gestão de pessoas. Durante quatro anos fui correspondente de ética na L’Oréal Portugal e representante dos colaboradores portugueses na IEDS – Instância Europeia de Diálogo Social. Em junho de 2018, integrei a equipa de Recursos Humanos da L’Oréal como responsável por talent acquisition & employer branding e people partner da divisão de luxo. Em julho deste ano, assumi com orgulho a direção de relações humanas. É um privilégio esta mudança de carreira, nestes tempos tão únicos que nos fizeram questionar tudo o que sabíamos e reinventar também a nossa missão. É novo para todos, incluindo para mim. A viagem continua e não sei qual será a próxima paragem.
Mais do que recursos, acreditamos que a nossa principal missão é gerir relações
Qual o maior desafio para si, na empresa, e como pensa ultrapassá-lo?
Queremos voltar a ter relações humanas. Para nós, o sucesso é baseado no respeito pela cultura L’Oréal, que se caracteriza por trocas informais e momentos de convivialidade que cimentam os laços e estimulam a criatividade coletiva e o bem-estar individual. Num mundo em tão rápida mudança, o desafio é voltar a integrar esta dinâmica coletiva nos nossos métodos de trabalho, para manter a nossa capacidade de criar condições para um crescimento sustentável. Depois de um período de teletrabalho forçado para grande parte dos nossos colaboradores, temos a cultura de confiança e as condições que nos permitem retomar a proximidade, com um passo em frente na flexibilidade.
O que tem previsto no pós-pandemia ao nível do teletrabalho?
Anunciámos o que temos planeado ainda antes da pandemia. Numa base voluntária e para as funções que o permitem, será possível um máximo de dois dias de teletrabalho por semana, de acordo com a dinâmica da equipa. Estamos a planear novas medidas que, numa cultura de testagem e aprendizagem, iremos avaliar no regresso ao escritório. Queremos assegurar as interações pessoais frequentes, mas também uma maior flexibilidade na gestão do tempo dos nossos colaboradores.
A L’Oréal é regularmente mencionada como uma das melhores empresas para trabalhar. Qual a vossa oferta de valor para os jovens talentos?
Um ano depois de integrar o departamento de recursos humanos, trabalhámos aquela que é a nossa EVP – Employer Value Proposition: “Liberdade para ir mais além. Esta é a beleza da L’Oréal.” O que nos diferencia e retrata enquanto empregador são as pessoas e quatro forças únicas: crescimento, diversidade, empreendedorismo e impacto. É possível crescer na L’Oréal – eu sou apenas um exemplo de uma longa e diversificada carreira na empresa; valorizamos a diversidade e inclusão nas equipas e no pensamento; gerimos o negócio como se fosse o nosso próprio negócio; somos motivados a pensar e a agir para além da nossa função e definimos o sucesso ao criar um impacto positivo e consciente.
A menção como uma das melhores empresas para trabalhar é o reconhecimento da estratégia definida pela equipa de recursos humanos mas, acima de tudo, resulta de todos os colaboradores. Na sua diversidade, dão o testemunho real da nossa proposta de valor como empregador e são os principais embaixadores da experiência que se vive na L’Oréal Portugal.
Será possível um máximo de dois dias de teletrabalho por semana, de acordo com a dinâmica da equipa
A sua antecessora, Clara Trindade, vai agora para Paris. Esta mudança é fruto da cultura de mobilidade interna da empresa?
A Clara Trindade liderou a estratégia de recursos humanos da L’Oréal Portugal nos últimos cinco anos com grande sucesso e modernidade. Desde o dia 1 de julho, integra a equipa do Projeto ONE HR, na sede do grupo em Paris, com a função estratégica de chief HR experience officer. Com este movimento, a Clara vem reforçar a equipa de “portugueses pelo mundo”. É um orgulho termos mais de 30 portugueses espalhados pela L’Oréal no mundo, a testemunharem a qualidade do talento nacional. Somos reconhecidamente empreendedores e comprometidos em fazer o negócio acontecer de uma forma íntegra e cooperativa.
Quais os objetivos para a sua nova missão?
Quero ser a cola que une os colaboradores ao negócio, os gestores às equipas, as universidades e parceiros de negócio e recursos humanos à L’Oréal Portugal. Pode parecer difícil e ambicioso, mas não estou só. Tenho o privilégio de viver um propósito poderoso que nos une a todos na L’Oréal para “criar a beleza que faz avançar o mundo”. Este é um propósito com que me identifico e que une managers e colaboradores na defesa, a uma só voz e de forma consistente, da mensagem que passamos interna e externamente.
Entrevista publicada na edição n.º 136 da RHmagazine, referente aos meses de setembro/outubro de 2021.