A Michael Page realizou um estudo sobre remunerações, envolvendo mais de 3.000 empresas e 6.000 candidatos. Quais são as principais tendências de recrutamento em Portugal para o ano de 2024?
Segundo o nosso estudo, identificamos que algumas das tendências de 2023 vão manter-se em 2024. Uma delas, por exemplo, é o nivelamento dos salários. Do ponto de vista salarial, prevê-se que 2024 seja muito em linha com aquilo que assistimos em 2023.
Deste estudo, também concluímos que a disputa por talento em áreas muito específicas, como a tecnológica e tax & legal, também se manterá em linha. Temos assistido a muitas movimentações ao nível de empresas que procuram por estes serviços mais profissionalizados e, portanto, esta disputa de talento irá manter-se para 2024.
Quanto às tendências adicionais, estão fortemente associadas ao tema da digitalização. Exige-se cada vez mais que as organizações sejam mais ágeis. Esta agilidade também se traduz, posteriormente, noutra tendência: a exigência de flexibilidade por parte dos colaboradores. Do ponto de vista da atração de novos talentos, por exemplo, é algo que continua a ser altamente solicitado e esta tendência também persistirá.
Outra questão crucial está muito associada ao conceito de salário emocional, ou seja, as pessoas procuram cada vez mais falar sobre formação, perspetivas de progressão na carreira, ambiente de trabalho e agilidade na tomada de decisões. Este estudo também demonstra isso – uma clara intenção por parte das pessoas de procurarem empresas mais digitalizadas, flexíveis e focadas no salário emocional, que complementam a remuneração base de cada colaborador.
“As pessoas procuram cada vez mais falar sobre formação, perspetivas de progressão na carreira, ambiente de trabalho e agilidade na tomada de decisões.”
Como é que as empresas podem enfrentar os desafios da fidelização de talento?
O tema dominante do dia é, sem dúvida, a flexibilidade. Atualmente, durante o processo de recrutamento, a pergunta que surge é “qual é a política de flexibilidade?”. Esta questão é tão comum quanto “qual é o salário?”. A flexibilidade é hoje vista como um benefício crucial e, muitas vezes, a sua ausência pode levar à saída de um colaborador de um projeto específico.
Outro ponto importante é a experiência do colaborador. O employer branding tornou-se uma ferramenta de marketing essencial. O que uma empresa pode oferecer aos seus colaboradores é tanto um atrativo para talentos, quanto uma área a ser constantemente melhorada internamente.
Além disso, o tema da transformação tecnológica é central. Esta transformação é fundamental para tornar as organizações mais ágeis, com processos decisivos mais rápidos, menos complexos e com acesso menos restrito às hierarquias. Ainda há muitos candidatos que expressam dificuldades em alcançar os níveis hierárquicos mais altos, pois estes continuam a ser funções de porta fechada. Tudo isso contribui para uma organização menos ágil, menos flexível e pode ser um fator adicional de desmotivação.
De que forma a Michael Page está a ajustar os seus serviços para dar resposta às necessidades tanto dos colaboradores internos quanto dos candidatos?
Internamente, temos a sorte de pertencer a uma organização que implementou uma política de flexibilidade para todos os colaboradores, incluindo acesso a plataformas de planos flexíveis, entre outros benefícios. Temos algo inovador que raramente se encontra noutras organizações. Na Michael Page, dispomos de um plano de carreira independente de hierarquias, onde os colaboradores têm metas claras a atingir e, ao alcançá-las, têm a oportunidade de progredir para o próximo nível de carreira e serem promovidos.
Temos investido de forma significativa no campo da tecnologia. Do ponto de vista tecnológico, contamos com ferramentas muito mais ágeis tanto para a pesquisa de candidatos como para melhorar a experiência dos colaboradores e candidatos ao longo do processo de recrutamento. Estamos a falar de uma ferramenta tecnológica que está cada vez mais alinhada com as nossas necessidades internas e facilita o contacto com potenciais candidatos.
Além disso, a Michael Page está a reforçar a sua oferta através da segmentação interna. Por exemplo, a nossa área de consulting tem prestado um apoio extraordinário nos processos de recrutamento, devido à especialização das equipas.
“A nossa área de consulting tem prestado um apoio extraordinário nos processos de recrutamento, devido à especialização das equipas.”
O facto de contarmos com consultores especializados nas áreas em que recrutamos faz toda a diferença. O mesmo se aplica à nossa área de page executive, dedicada exclusivamente ao recrutamento de profissionais C-level. Esta segmentação interna reflete-se na experiência que podemos oferecer aos nossos clientes e candidatos.
Artigo publicado na edição 152 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2024