Autora: Alexandra Andrade, Country Manager da Adecco Group Portugal
AInteligência Artificial (habitualmente abreviada por IA) é uma realidade e ninguém pode negar. A IA em geral e a IA generativa (também conhecida por GenAI) em particular são ferramentas poderosas para automatizar tarefas de rotina e melhorar a eficiência em várias indústrias. No entanto, não há dúvida de que o fator humano continuará a ser essencial no ambiente de trabalho para gerar valor.
As competências pessoais como inteligência emocional, empatia e a capacidade de interagir com outras pessoas são únicas e necessárias, e difíceis – ou impossíveis – para qualquer IA replicar. Contudo, no contexto profissional, a Inteligência Artificial ocupa um lugar preponderante automatizando tarefas mais rotineiras e deixando que os profissionais se dediquem a competências que requerem humanização. Assim, seguramente podemos afirmar que a Inteligência Artificial e as soft skills devem trabalhar lado a lado.
É tempo de apostar na formação adequada a garantir a eficácia da Inteligência Artificial a partir de uma utilização responsável da mesma. É imperativo que a empresa lidere este processo de adoção com o compromisso de garantir que todas as equipas (Geração Z, talento sénior, etc.) recebem igual acesso a estas ferramentas e aos seus benefícios. Esta é a única maneira de garantir que preparamos as pessoas para o sucesso na adoção da Inteligência Artificial.
É imperativo que a empresa lidere este processo de adoção com o compromisso de garantir que todas as equipas (Geração Z, talento sénior, etc.) recebem igual acesso a estas ferramentas e aos seus benefícios
Com o aparecimento desta nova ferramenta, a Inteligência Artificial Generativa, surgiram outros desafios, um deles o “medo”. A mudança e a inovação tecnológica criam receios e inseguranças e, naturalmente, ansiedades em alguns trabalhadores, que não têm ou não se sentem preparados para assumir esta ferramenta como uma ajuda para o desenvolvimento das suas tarefas. É neste campo que os Recursos Humanos podem fazer diferença ao disponibilizar formações adequadas e upskillings adaptados a cada setor.
As lideranças devem optar por uma comunicação próxima e inclusiva, acompanhando estes processos de perto. Até porque também eles precisam de formação. Assim, o gap entre os que utilizam a Inteligência Artificial Generativa e os que ainda não o fazem pode ser mais facilmente colmatado.
No recente estudo que o Grupo Adecco lançou, o Global workforce of the Future, onde foram inquiridos 30.000 trabalhadores em 23 países, podemos verificar que apesar de estarmos perante uma mudança equitativa no modus operandi das funções, 62% dos trabalhadores acreditam que a Inteligência Artificial irá ter um impacto positivo no seu trabalho, contrariamente aos 24% que receiam que este impacto seja negativo.
É neste campo que os recursos humanos podem fazer diferença ao disponibilizar formações adequadas e upskillings adaptados a cada setor
Há claramente setores mais propensos à utilização da Inteligência Artificial, nomeadamente tecnologia, ciências e e-commerce, em contraste com os trabalhadores da área dos transportes, da saúde e da indústria transformadora, que pelas suas funções não têm oportunidade de usar estas ferramentas nas suas tarefas rotineiras.
É neste contexto que falamos na importância da aplicação de formações adequadas, de forma que, quando a Inteligência Artificial Generativa chegar em força a todos os postos de trabalho, todos consigam e percebam adequadamente como a utilizar em benefício da empresa e da sua própria evolução. De forma global, 58% dos inquiridos assumem que as competências de Inteligência Artificial são importantes para o seu desenvolvimento e para obter maiores oportunidades de carreira.
No recente estudo que o Grupo Adecco lançou, o Global Workforce of the Future, onde foram inquiridos 30.000 trabalhadores em 23 países, podemos verificar que apesar de estarmos perante uma mudança equitativa no modus operandi das funções, 62% dos trabalhadores acreditam que a Inteligência Artificial irá ter um impacto positivo no seu trabalho
Curioso é também verificar no próprio estudo que os trabalhadores da defesa, saúde e mesmo legal, referem não receber, por parte das suas empresas, formações nesta área, contrariamente aos setores financeiros e tecnológicos, que recebem por norma mais formação e acompanhamento.
No entanto e como já referido anteriormente, as competências humanas têm um papel fundamental e preponderante em todas as atividades profissionais, tal como está presente no estudo, onde 61% dos trabalhadores inquiridos acham que a sensibilidade humana, no seio profissional, é essencial para se unir à Inteligência Artificial.
A Inteligência Artificial pode ajudar-nos a fundamentar decisões, mas a escolha final é sempre humana, consciente e com base em valores desenvolvidos dentro das organizações.
Artigo publicado na edição 149 da RHmagazine, referente aos meses de novembro e dezembro de 2023