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IA está a ganhar terreno nas decisões de RH, incluindo avaliações de desempenho, promoções e aumentos salariais. A promessa é de maior eficiência e rapidez, mas a confiança e a transparência estão a travar uma adoção plena destas tecnologias, como noticia o The Washington Post.
Monica Seiter, Diretora de Payroll da Lindenwood University, em St. Louis, nos Estados Unidos, conta ao jornal que recorre ao Payroll Agent, um assistente de IA integrado no software de gestão da Workday, para automatizar o processamento salarial. Entre as funcionalidades que destaca estão as análises automáticas para identificar dados em falta antes do fecho da folha de pagamentos e as notificações aos gestores sobre aumentos do salário mínimo que podem afetar o orçamento da instituição.
O Payroll Agent é apenas uma das várias ferramentas lançadas no último ano, com o objetivo de automatizar processos de RH. Estes sistemas, frequentemente designados por AI agents, prometem eficiência e informação precisa para apoiar os gestores em tarefas como avaliações de desempenho ou decisões sobre quem é elegível para um aumento ou promoção. No entanto, ao automatizar parcialmente estas funções, as organizações estão a recorrer à IA para intervir numa área em que o julgamento humano foi, durante muito tempo, considerado indispensável.
Mais de 60% dos responsáveis de RH admitem utilizar ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini, da Google, para informar decisões sobre os seus colaboradores, de acordo com um inquérito realizado em junho de 2025 pela ResumeBuilder, citado pelo The Washington Post, incluindo para redigir avaliações de desempenho. Mais de metade destes gestores afirma usar IA para ajudar a determinar aumentos salariais, promoções e até despedimentos.
Ganhos de tempo contrastam com falta de formação
Relatórios do setor indicam que algumas tarefas automatizadas de RH podem resultar em poupanças de tempo significativas para os gestores – até 25%, de acordo uma análise da consultora Bain & Company. Ainda assim, o inquérito da ResumeBuilder revela que apenas um terço dos profissionais de RH que utilizam IA para gerir pessoas recebeu formação formal sobre a sua utilização, e cerca de 20% admite permitir frequentemente que a IA tome decisões sem intervenção humana.
Do lado da Workday, o entendimento é de que a decisão final deve continuar a caber a uma pessoa, que permanece responsável, mesmo quando recorre a um agente de IA. “A IA não pode tomar decisões sobre o desempenho das pessoas”, afirma Aashna Kircher, Group General Manager de produtos de RH da empresa, à mesma publicação. “Estamos muito ancorados na ideia de ter um humano no circuito e de amplificar o potencial, não de substituir o julgamento humano.”
Outros responsáveis defendem que, quando utilizada de forma responsável, a IA pode contribuir para uma maior transparência. Maria Colacurcio, CEO da Syndio, empresa que desenvolve soluções de equidade no local de trabalho, explica que a organização lançou em outubro o Syndi, um agente de IA que fornece recomendações de propostas salariais para candidatos individuais, com base em políticas internas de remuneração, dados de mercado e objetivos da empresa.
Ainda assim, mesmo quando os agentes de IA são transparentes sobre a forma como chegam às suas recomendações, a maioria das decisões deverá continuar a exigir um “árbitro” humano. Em processos como o feedback de desempenho, John Hausknecht, Professor de RH na Cornell University, alerta que competências difíceis de quantificar podem escapar aos algoritmos. Como tal, “continuo a crer que isso tem uma qualidade de julgamento da qual é difícil afastar-nos”, conclui.
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