De que forma é que se transforma uma empresa familiar de Oliveira de Azeméis numa multinacional presente em mais de sete países?
Quando fundei a PTC em 2006, em Oliveira de Azeméis, enfrentei inúmeros desafios. A nossa visão era ser mais do que uma empresa de Engenharia e Tecnologia, pois queríamos transformar indústrias e impactar vidas. No entanto, como jovem empresário, sem a maturidade ou a formação necessária em finanças e gestão, a PTC acabou por falir. Após a morte do meu pai, decidi procurar novas oportunidades no Brasil, com o objetivo de recuperar a empresa.
Em 2009, cheguei a São Paulo e constatei o potencial que o país oferecia. Foi um caminho difícil, mas com perseverança e o apoio de boas pessoas, consegui começar do zero. Ao longo dos anos, aproveitei o meu conhecimento da Europa e vi como o Brasil apresentava muitas oportunidades.
“Queríamos transformar indústrias e impactar vidas”
Em 2018, uma reunião crucial com a Fiat impulsionou o crescimento da PTC. Graças à digitalização trazida pela pandemia – uma altura que se revelou para a PTC Group uma oportunidade –, conseguimos expandir rapidamente de 50 para 500 colaboradores, simplificando processos com o teletrabalho, em apenas dois anos.
Anteriormente, tínhamos de recorrer a vistos de trabalho, negociar condições de mudança. Hoje em dia, enviamos o computador pelo correio e o contrato com docsign, tudo à distância. Atualmente somos mais de 1.200 pessoas na empresa, nas várias geografias onde estamos presentes.
Entretanto a PTC Group avançou para um rebranding, denominando-se atualmente Luza Group. O que motivou esta mudança?
A mudança de nome de PTC Group para Luza Group está diretamente ligada a uma reestruturação estratégica em curso, que visa reforçar a proximidade ao cliente e a especialização do grupo. Este rebranding reflete a nossa evolução como um “living ecosystem”, uma identidade que coloca a excelência e a especialização dos nossos serviços no centro da nossa atuação, ao mesmo tempo que reforça o posicionamento inovador e líder no mercado.
O nome Luza foi escolhido como uma homenagem às nossas origens portuguesas. Derivado de “Lusitano”, um termo que representa os antigos habitantes da Península Ibérica, o nome carrega em si o espírito de resiliência, inovação e visão que sempre nos guiou.
Esta escolha simboliza o nosso propósito de honrar o passado, enquanto moldamos o futuro da engenharia e da tecnologia. O objetivo deste rebranding é transformar a perceção da marca, destacando-a como um ecossistema inovador, focado na satisfação dos clientes e alinhado com as tendências e exigências atuais do mercado.
Quais são os motivos que justificam a ambição de integrar um total de 7.000 colaboradores até 2030?
Acredito que hoje somos mais do que apenas uma empresa ou um grupo tradicional. Somos um ecossistema vivo, no qual as ideias inovadoras se encontram com as tecnologias de ponta e com novos talentos. Estamos a moldar o futuro da engenharia, ao conectar as mentes mais criativas, avanços tecnológicos e ideias inovadoras. Na nossa visão, o importante agora é conseguir escalar mais o negócio.
Pretendemos expandir para novos setores, aproveitando ao máximo o potencial que temos. Para implementar esta estratégia de crescimento, vamos precisar de talentos que desejem crescer junto com o Luza Group e fazer parte desta trajetória de sucesso.
Para atingir a meta estipulada, terão de contratar cerca de 1.000 novos profissionais por ano. Quais são os principais desafios deste processo?
Contratar cerca de 1.000 novos profissionais por ano é um desafio complexo que envolve várias frentes. Um dos principais desafios é a escassez de talentos qualificados, especialmente em áreas de grande procura, como tecnologia, engenharia e inovação. A competição por profissionais com essas competências é global e o Luza Group precisa não só de atrair, mas também de se destacar como uma empresa que oferece oportunidades de crescimento, inovação e um ambiente de trabalho dinâmico.
Outro obstáculo é o volume do processo seletivo, que requer uma infraestrutura de recrutamento robusta e eficiente, para garantir a qualidade das contratações em larga escala. Isto inclui a necessidade de processos ágeis de triagem e seleção, além de garantir uma boa experiência para os candidatos durante todo o percurso.
“O Luza Group precisa não só de atrair, mas também de se destacar como uma empresa que oferece oportunidades”
A distribuição geográfica dos profissionais adiciona um nível de complexidade. Com colaboradores dispersos por diferentes regiões, é preciso gerir questões como fusos horários, requisitos legais específicos de cada país e a integração cultural dentro da empresa. Para enfrentar este desafio, o Luza Group aposta numa abordagem de recrutamento global, apoiada por tecnologia, como plataformas de recrutamento digital e entrevistas remotas, para acelerar o processo.
Além disso, o onboarding eficaz de um número tão grande de novos colaboradores também é um desafio significativo. Garantir que cada novo profissional seja devidamente integrado, compreenda a cultura e os valores da empresa e esteja preparado para desempenhar as suas funções requer programas estruturados de acolhimento e formação contínua, como os oferecidos pela Luza Hub.
Quais são as principais dificuldades sentidas na atração e na retenção de talentos no setor?
Estão relacionadas com a alta demanda por profissionais qualificados e com a escassez de mão de obra disponível. Com a crescente competitividade no mercado global, encontrar talentos com as competências técnicas específicas de que o Luza Group e outras empresas do setor precisam é um grande desafio.
Além disso, a rápida evolução tecnológica exige que as empresas não só atraiam talentos, mas também invistam constantemente no seu desenvolvimento e formação, o que pode ser um fator decisivo para reter esses profissionais.
“A evolução tecnológica exige que as empresas atraiam talentos e invistam constantemente no seu desenvolvimento e formação”
Outro obstáculo está no ritmo de crescimento necessário. O Luza Group, por exemplo, projeta a necessidade de expandir sua equipa para mais 1.000 colaboradores por ano até 2030, o que aumenta a pressão por estratégias eficazes de recrutamento e formação.
Sem o investimento em programas de formação, como o oferecido pela Luza Hub, a adaptação rápida dos recém-chegados às exigências técnicas e culturais da empresa seria ainda mais difícil. Para reter esses talentos, é fundamental também oferecermos oportunidades de crescimento, desenvolvimento contínuo e um ambiente de trabalho que valoriza a inovação e a aprendizagem.
Para além da formação de estagiários, através do Luza Hub (antiga PTC Academy), que outras práticas de RH implementam para reter o talento?
A Luza Hub surgiu como uma academia de formação focada no desenvolvimento dos nossos colaboradores, com o objetivo de promover o lifelong learning. Com o tempo, esta iniciativa transformou-se numa oportunidade para expandirmos o nosso impacto no setor educacional.
Hoje, a Luza Hub já formou mais de 15.000 profissionais, somando 30.000 horas de formação, oferecendo programas de aprendizagem contínua alinhados às exigências do mercado, com foco em competências técnicas e comportamentais.
Além disso, investimos em programas de upskilling e reskilling, mentorias e coaching personalizados para as nossas equipas. Esta abordagem holística cria um ambiente de crescimento onde cada colaborador encontra oportunidades para se desenvolver e construir uma carreira sólida, ao mesmo tempo que capacita talentos para responder de forma assertiva às demandas do mercado. A Luza Hub é uma academia de formação técnica, que visa aprimorar capacidades técnicas para o desenvolvimento de cada profissão.
De que forma é que os gestores de pessoas são preparados para lidar com os desafios associados à rápida expansão da empresa em termos de número de colaboradores e da sua distribuição geográfica?
Com o crescimento do Luza Group, é fundamental fortalecer a capacidade dos nossos líderes para enfrentar os desafios de um mercado em constante mudança. Apoiados por consultorias e iniciativas de desenvolvimento, mantemos o foco na preparação das nossas equipas.