O
que a motivou a criar a sua consultora após tantos anos em estruturas maiores?
Depois de duas décadas em contextos profissionais exigentes e extremamente enriquecedores, decidi iniciar um novo capítulo com a mesma proximidade ao cliente que sempre me guiou. Esta nova fase permite-me aprofundar essa relação, com uma atuação mais direta e personalizada, mantendo o rigor e a qualidade, agora com uma abordagem centrada e adaptada a cada desafio.
O que está no centro da tua atuação?
Privilegio uma relação próxima e colaborativa, com foco em soluções que fazem sentido para cada contexto. Acredito em abordagens claras, práticas e ajustadas à realidade de cada cliente, sempre com o objetivo de gerar impacto e criar valor de forma consistente.
Qual é, para si, o “centro de gravidade” da transformação digital – tecnologia, pessoas ou cultura?
A transformação já não é pontual – é contínua e multidimensional. Para mim, a cultura é o verdadeiro centro de gravidade. A tecnologia acelera, as pessoas impulsionam, mas é a cultura que sustenta a mudança. Sem uma base cultural de aprendizagem, colaboração e adaptabilidade, a transformação não ganha tração.
Como avalia hoje a maturidade digital das equipas de RH?
Há uma grande diversidade. Algumas equipas já atuam com visão estratégica, utilizando dados e tecnologia. Outras ainda estão focadas em rotinas operacionais. Mas vejo uma vontade crescente de evoluir, e quando essa intenção existe, a transformação torna-se viável – com o apoio certo.
Como pretende apoiar os líderes em contextos digitais?
Mais do que formação técnica, os líderes precisam de espaço para refletir, entender resistências e desenvolver competências relacionais e digitais. Crio contextos seguros onde se possa aprender, experimentar e crescer. Hoje, liderar é escutar, adaptar e ter coragem para agir de forma humana e autêntica.
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Que critérios usa hoje para recomendar uma solução tecnológica?
A adequação à estratégia da organização, a facilidade de adoção, a integração com sistemas existentes e a experiência do utilizador. Reconheço o valor de soluções robustas como o SAP SuccessFactors – quando bem enquadradas. Não há soluções universais, mas sim decisões sustentáveis, feitas com consciência.
Quais os maiores desafios ao alinhar tecnologia e cultura?
O maior desafio é o descompasso entre a velocidade da tecnologia e o ritmo humano. Inovar sem atropelar a cultura exige liderança consciente e envolvimento desde o início. O segredo está em manter o equilíbrio entre eficiência e humanização, criando uma cultura de aprendizagem contínua.
Que tipo de empresas são ideais para colaborar consigo nesta fase inicial?
Empresas que estejam genuinamente comprometidas com uma transformação consistente – tecnológica, estratégica e humana. Não importa o setor ou a dimensão, mas sim a abertura à escuta, à colaboração e à construção conjunta. Gosto de trabalhar com quem valoriza o processo, não apenas o resultado.
Como vai integrar a dimensão humana nos projetos de transformação digital?
Incluindo as pessoas desde o início: no diagnóstico, na conceção da solução, na comunicação e na capacitação. Os projetos que funcionam são os que escutam, envolvem e constroem sentido coletivo. A tecnologia só cria valor quando é vivida e apropriada pelas pessoas.
Que mensagem deixaria aos primeiros clientes?
Podem esperar uma parceria autêntica, com presença, escuta e compromisso. Trago 20 anos de experiência, mas trago sobretudo uma vontade profunda de construir impacto com cada cliente, respeitando a sua identidade e ambição. Hoje, transformar já não é exceção -é o novo normal. E estarei ao lado para navegar esse caminho de forma clara, humana e sustentável.
Como vê a evolução do papel dos recursos humanos na transformação digital das organizações?
Vejo os recursos humanos a assumir um papel cada vez mais estratégico. Antes, os RH eram sobretudo operacionais; hoje, são agentes de mudança. A transformação digital exige mais do que tecnologia – exige uma mudança de mentalidade, cultura e competências, e é aí que os RH fazem toda a diferença. Estão a liderar iniciativas de reskilling, a promover culturas mais ágeis e colaborativas, e a usar dados para apoiar decisões mais humanas e estratégicas. Em vez de apenas acompanhar a transformação, os RH estão a impulsioná-la – com foco nas pessoas, no propósito e na sustentabilidade da mudança.
Quais são os sinais que indicam que uma organização está pronta para iniciar uma transformação com sentido?
Na minha experiência, uma organização está pronta para uma transformação com sentido quando há clareza sobre o “porquê” da mudança – e não apenas o “como”. Alguns sinais claros incluem uma liderança comprometida e presente no processo, uma cultura aberta à aprendizagem e ao erro e uma equipa envolvida e ouvida – com espaço para contribuir. Por fim diria que é importante ter processos flexíveis e estruturas que não travam a inovação; e, talvez o mais importante, um propósito claro que dá direção à transformação. Quando estas condições estão presentes, a transformação deixa de ser apenas digital – passa a ser humana, alinhada e sustentável.
Artigo publicado na edição 158 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2025
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