De acordo com uma pesquisa levada a cabo pela Robert Walters, 39% dos profissionais que aceitam uma contra-oferta tornam a procurar um novo emprego passado um ano.
Imagine que lhe ofereceram um novo emprego e, no momento em que apresenta a sua demissão, a sua empresa atual faz-lhe uma contra-oferta. Aceita? A Robert Walters recomenda-lhe que, para tomar uma decisão informada, tenha em consideração os cinco pontos seguintes:
1. Porque razão considerou mudar para um novo emprego?
Se vai mudar de emprego deve ter tido um bom motivo para querer deixar o seu emprego atual. “Talvez estivesse com falta de motivação, sentisse que não estava a evoluir com rapidez suficiente, ou tivesse deixado de se identificar com os valores e cultura da empresa”, exemplifica a consultora de recrutamento. Há várias razões que podem indicar que está na altura de mudar de emprego e, segundo a Robert Walters, não se devem apenas ao dinheiro. “Pode ser excelente para o ego receber um aumento salarial e sentir que somos desejados pela nossa empresa atual no momento da contra-oferta, mas é improvável que isto seja uma boa solução a longo-prazo para si, a não ser que esteja confiante de que os problemas que lhe deram vontade de ir embora vão ser realmente abordados e resolvidos”, nota, acrescentando que 39% das pessoas que aceitam uma contra-oferta acabam por voltar ao mercado de trabalho passado cerca de um ano, segundo uma pesquisa global da Robert Walters, realizada no Reino Unido.
2. Tirou algum tempo para pensar bem na sua decisão?
As reações iniciais a uma contra-oferta podem ser emocionais e impulsivas. Pode sentir, por um lado, uma sensação de prazer por saber que é necessário na empresa e, por outro, um sentimento positivo graças ao inesperado aumento de salário. Porém, “é importante separar a parte emocional de se deixar um emprego das razões racionais que o levaram a tomar essa decisão”, refere Marco Laveda, managing director da Robert Walters Portugal. “Pode parecer que estamos a passar por um fim de namoro quando deixamos o nosso trabalho, mas tente distanciar-se e manter-se racional”, acrescenta.
A consultora de recrutamento aconselha-o a tirar alguns dias “para realmente considerar as suas opções antes de tomar uma decisão final”. “Faça uma lista de prós e contras e discuta o assunto com familiares e amigos em quem confia. Desta forma, pode ter a certeza de que a sua decisão foi cuidadosamente discutida e pensada e que não se baseou apenas numa reação emocional e impulsiva”, sublinha.
3. O aumento de salário é razão suficiente para ficar?
De acordo com a Robert Walters, “parte de uma contra-oferta é geralmente um aumento de salário significativo”. “Mas será realmente suficiente? Afinal, se o seu ordenado fosse o verdadeiro problema, provavelmente já teria discutido o assunto com o seu chefe antes de sentir necessidade de procurar outro trabalho”, refere.
“Por que razão esperou a sua empresa até agora, quando está prestes a despedir-se, para lhe oferecer um aumento de ordenado? Precisa de considerar se também teria sido aumentado e valorizado pelo seu contributo para a empresa se não tivesse apresentado a sua demissão”, recomenda Ana Monteiro, consultora especialista de marketing digital na Robert Walters. “Se lhe podem oferecer mais dinheiro agora, naturalmente pergunta-se: haverá alguma razão para não o terem feito antes? Pode querer dizer que a sua empresa o estava a subvalorizar. E, mesmo que lhe aumentem o salário agora, não estarão apenas a oferecer-lhe algo que já devia e podia ter tido de qualquer maneira, deixando-o preso ainda mais tempo a um novo nível salarial?” questiona Ana Monteiro.
De uma perspetiva de negócio, é claramente mais fácil e barato para uma empresa pagar um pouco mais para manter um empregado pré-existente e valorizado em vez de investir na contratação, formação e desenvolvimento de um novo candidato do zero. Deste ponto de vista, o aumento salarial pode parecer menos lisonjeiro. “É essencial ver mais além e pensar na sua posição a longo prazo, quando a novidade de um bom aumento salarial tiver passado”, aconselha Ana Monteiro, continuando: “Não se deixe cegar pela emoção de deixar o seu trabalho. Concentre-se antes nas razões que o levaram a fazê-lo”.
4. De que forma será afetado o seu futuro na empresa?
Há profissionais que se preocupam com a forma são visto pela empresa caso tenham considerado aceitar outro trabalho, e fiquem na empresa depois de apresentada a contra-oferta. “Talvez sinta uma diminuição da confiança que depositavam em si e, consequentemente, cada vez que trabalha a partir de casa ou tem uma consulta no médico, parece que todos o estão a observar e a julgar”, sugere Ana Monteiro.
Ou, então, há a preocupação das pessoas da empresa o verem como um risco, pelo que se sentem relutantes em dar-lhe trabalho mais estratégico, ou em partilhar informação confidencial consigo. “Não se esqueça que agora vai ser do conhecimento geral que houve um momento em que você se quis ir embora. Assim, tem de pensar se isso vai prejudicar o seu futuro e se a sua empresa apenas pretende poupar o custo e o trabalho de ter de substituí-lo”, afirma Marco Laveda.
5. O que o vai fazer realmente feliz?
“Se se tem sentido entusiasmado e preparado para começar a trabalhar num novo ambiente e num posto mais enriquecedor, isto é um sinal muito forte de que não deve aceitar uma contra-oferta da empresa onde se encontra agora”, ressalva a Robert Walters.