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contexto atual de incerteza tem vindo a alterar profundamente a forma como se lidera. Foi a partir desta ideia que arrancou o mais recente episódio do podcast Pessoas & Talento, conduzido por Cristina Martins de Barros, Fundadora do IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos e Diretora Editorial da RHmagazine, que recebeu Elsa Carvalho, Senior Director da WTW Portugal.
Com um percurso consolidado em consultoria e em recursos humanos (RH), com passagens pela Mercer, REN – Redes Energéticas Nacionais e Caixa Geral de Depósitos, Elsa Carvalho traçou um retrato do contexto em que hoje se exerce a liderança. “Há mudanças significativas na sociedade, mudanças tecnológicas e demográficas” que tornaram o mundo do trabalho “bem mais imprevisível”. Num cenário em rutura com o passado, “nem sempre controlamos todos os fatores, nem todos os dados“, sublinhou.
E quando a liderança também é risco?
Também a forma como as decisões são observadas mudou. “Há muito maior exposição das decisões”, constatou. Nesse contexto, liderar passou a implicar risco acrescido. “A componente da gestão de risco é fundamental e o liderar também não deixa de ser um risco.”
O paradoxo torna-se evidente quando, num tempo marcado pela instabilidade, se exige dos líderes empatia, autenticidade e, simultaneamente, segurança. “É verdade que muitas vezes se pede aos líderes que tenham certezas, quando hoje em dia, se há coisa que não existe, é certezas.” Ainda assim, as expetativas estão a mudar. “Cada vez menos se pede certezas. É pedida coerência.”
É neste contexto que os dados assumem um papel central. “Os dados são fundamentais porque são um suporte à tomada de decisão”, afirmou Elsa Carvalho, sem perder de vista a dimensão humana do processo. Nas direções de RH, destacou áreas como o planeamento da workforce, saúde e bem-estar, arquitetura de benefícios e carreiras longas, defendendo uma utilização responsável da informação, assente em “dados com alma”, sustentados por interpretação ética.
Os temas difíceis que continuam fora da agenda
A responsabilidade da liderança manifesta-se também na capacidade de enfrentar temas difíceis, frequentemente adiados. Questões como saúde, longevidade e reforma permanecem fora da agenda, apesar do seu caráter estrutural. “Temos de as trazer para a agenda de gestão.” O silêncio, alertou, não resulta apenas da falta de literacia, mas também do receio e do desconforto. Ainda assim, reforçou que as pessoas “querem coerência, comunicação e saber com o que contam”.
A longevidade impõe, por isso, um repensar profundo das carreiras. “Cerca de um quarto da população ativa tem mais de 55 anos”, lembrou, defendendo uma abordagem sistémica, com espaço para recomeços, mobilidade e diversidade geracional. “As carreiras já não são lineares. (…) Vejo muito talento a ser desperdiçado.” E deixou o recado: “Vamos precisar dele. Aliás, já precisamos”.
“O futuro é uma sucessão de escolhas do presente”, resumiu Elsa Carvalho. Com dados e tecnologia, sim, mas “sobretudo com responsabilidade”.
Entre os destaques deste episódio:
- Como a incerteza está a transformar a forma de liderar e de tomar decisões;
- Quando a coerência substitui a certeza na liderança;
- O papel dos dados como suporte à decisão, sem perder a dimensão humana;
- A urgência de enfrentar temas estruturais como saúde, longevidade e carreiras longas;
- O desafio de gerir talento num contexto de envelhecimento e diversidade geracional.
Ouça a conversa completa ou assista ao episódio!
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