Tecnologia, talento e confiança serão os pilares centrais do local de trabalho em 2026, num contexto marcado pela consolidação do trabalho híbrido, pela integração crescente da inteligência artificial e por novas expectativas das diferentes gerações no mercado laboral. Este é o cenário antecipado pela International Workplace Group (IWG).
“Continuamos a assistir a uma mudança profunda na forma como o trabalho se distribui geograficamente, com o centro de gravidade a aproximar-se cada vez mais das comunidades locais. Os avanços impressionantes na tecnologia em cloud e nas ferramentas de que muitos profissionais evitem deslocações longas diariamente. E, à medida que a tecnologia continuar a evoluir nos próximos anos, esta flexibilidade na escolha do local de trabalho será ainda mais reforçada”, afirma Mark Dixon, Fundador e CEO da IWG, citado em comunicado.
Com base em tudo isto, a IWG revela “10 tendências que vão redefinir o local de trabalho em 2026”:
- Inteligência artificial (IA) como assistente de trabalho: a integração de assistentes de IA no dia a dia das equipas híbridas tornar-se-á cada vez mais comum, com o objetivo de reduzir tarefas administrativas e libertar tempo para atividades estratégicas e criativas. Dados da IWG mostram que 62% da Geração Z já ensina colegas mais séniores a utilizar IA, enquanto 77% dos executivos reconhecem ganhos de produtividade associados à tecnologia e 80% afirmam que a IA criou novas oportunidades de negócio;
- Crescimento dos espaços de trabalho flexíveis: o “regresso ao escritório” evolui para um “regresso a vários escritórios”. “Esta estratégia permite reduzir significativamente os tempos de deslocação diários, contribuindo para a produtividade, o bem-estar dos colaboradores e para a capacidade das empresas manterem-se competitivas no mercado laboral global”, reforça Mark Dixon;
- Microcertificações orientadas para competências específicas ganham relevância: plataformas de formação flexíveis permitem às empresas desenvolver equipas mais ágeis de forma prática e escalável;
- O fenómeno do “quiet cracking“: segundo dados citados pela IWG, 57% dos trabalhadores perdem motivação quando se sentem desvalorizados, levando as empresas a reforçar programas de bem-estar, ferramentas digitais de saúde mental e monitorização de stress;
- Executivos a tempo parcial: a volatilidade económica impulsiona a contratação de executivos em regime temporário ou parcial, permitindo às organizações aceder a conhecimento altamente especializado sem os custos fixos de cargos permanentes;
- A ascensão das cidades de 15 minutos: o conceito evolui para projetos urbanos planeados de raiz, centrados na proximidade, sustentabilidade e comunidade. Em Portugal, cidades como Lisboa, Porto, Braga, Viseu, Aveiro e Faro já apresentam elevada proximidade entre serviços essenciais. Lisboa destaca-se, com 88,34% dos residentes a terem acesso a serviços diários a pé, segundo o estudo “A universal framework for inclusive 15-minute cities”, publicado na revista Nature Cities. O trabalho híbrido permite, neste modelo, poupanças anuais superiores a 10 mil euros por colaborador;
- Reforço da ligação às comunidades locais: o trabalho híbrido fortalece a relação entre empresas e comunidades, incentivando o envolvimento dos colaboradores em voluntariado, parcerias locais e partilha de competências durante o horário de trabalho.
- A experiência hoteleira nos locais de trabalho: os espaços profissionais aproximam-se do conceito de hotel boutique, integrando serviços personalizados, opções de alimentação e ambientes sensoriais orientados para conforto, produtividade e bem-estar;
- Crescimento dos escritórios ocasionais (day offices): os day offices afirmam-se como solução flexível para necessidades pontuais de foco ou colaboração, sem compromissos de longo prazo. A luz natural e amenidades de bem-estar tornam estes espaços cada vez mais competitivos;
- Compreender a Geração Z torna-se crítico: a nova geração de profissionais valoriza flexibilidade, saúde mental, autonomia e propósito. Num contexto de envelhecimento populacional e escassez de talento, as empresas que responderem a estas expectativas ganham vantagem competitiva na atração dos futuros líderes.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI