Zurich Portugal, CA Seguros e AMCO Intermediários de Crédito. Estas são as organizações com maior nível de envolvimento dos colaboradores em Portugal, de acordo com a 10.ª edição dos People Engagement Awards, que decorreu esta terça-feira, 17 de março, na Quinta da Pimenteira, em Lisboa, no âmbito do People Engagement Summit 2026.
Os resultados, apresentados no People Engagement Summit 2026, distinguem empresas de diferentes dimensões que se destacam pela forma como estão a responder a um desafio crescente: criar experiências de trabalho capazes de reter, mobilizar e ligar pessoas às organizações.
Por detrás dos rankings está o People Engagement Survey, desenvolvido pela Cegoc em parceria com o ISCTE Executive Education, que nesta edição confirma uma mudança estrutural: o engagement deixou de depender de fatores tradicionais e passou a estar diretamente ligado ao bem-estar psicológico, à cultura organizacional e à forma como as empresas integram a inteligência artificial (IA) e os novos modelos de trabalho.
E os vencedores da 10ª edição são…
Grandes Empresas (mais de 251 colaboradores):
- 1.º lugar Grandes Empresas: Zurich Portugal
- 2.º lugar Grandes Empresas: InnoWave
- 3.º lugar Grandes Empresas: Bondalti
- 4.º lugar Grandes Empresas: Turismo de Portugal. I.P.
- 5.º lugar Grandes Empresas: Plural Cooperativa Farmacêutica CRL
- 6.º lugar Grandes Empresas: Wellow Network, S.A
- 7.º lugar Grandes Empresas: agap2IT
- 8.º lugar Grandes Empresas: KCS iT
- 9.º lugar Grandes Empresas: Cuf
- 10.º lugar Grandes Empresas: Lipor
Médias Empresas (entre 51 e 250 colaboradores)
- 1.º lugar Médias Empresas: CA Seguros, SA
- 2.º lugar Médias Empresas: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
- 3.º lugar Médias Empresas: Codewin
- 4.º lugar Médias Empresas: José de Mello Capital
- 5.º lugar Médias Empresas: Real Vida Seguros
- 6.º lugar Médias Empresas: Cachapuz – Weighing & Logistics Systems, Lda
- 7.º lugar Médias Empresas: Academia Transformar
- 8.º lugar Médias Empresas: Altronix – Sistemas Electrónicos Lda
- 9.º lugar Médias Empresas: F3M Information Systems, S.A
- 10.º lugar Médias Empresas: Team IT
Pequenas Empresas (entre 11 e 50 colaboradores)
- 1.º lugar Pequenas Empresas: AMCO Intermediários de Crédito
- 2.º lugar Pequenas Empresas: STANDOUT TECHNOLOGIES, UNIPESSOAL LDA
- 3.º lugar Pequenas Empresas: B-Training Consulting
- 4.º lugar Pequenas Empresas: LeaseCapital Lda
- 5.º lugar Pequenas Empresas: Talento – Formação
- 6.º lugar Pequenas Empresas: MAGICWAVE, LDA
- 7.º lugar Pequenas Empresas: InovaPrime – Serviços em Tecnologias de
Informação, Lda. - 8.º lugar Pequenas Empresas: Argon Group
- 9.º lugar Pequenas Empresas: Sysnovare – Innovative Solutions
- 10.º lugar Pequenas Empresas: Electrão – Associação de Gestão de Resíduos
Vencedores por macro setores de atividade:
Banca, Seguros e Serviços Financeiros
- 1.º lugar Grande Empresa: Zurich Portugal
- 1.º lugar Média Empresa: CA Seguros, SA
Consultoria e Serviços Profissionais
- 1.º lugar Grande Empresa: Wellow Network, S.A
- 1.º lugar Média Empresa: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
Hotelaria, Turismo, Desporto Ensino e Serviços Comunitários
- 1.º lugar Grande Empresa: Turismo de Portugal. I.P.
Indústria, Construção e Atividades Produtivas
- 1.º lugar Grande Empresa: Bondalti
- 1.º lugar Média Empresa: Cachapuz – Weighing & Logistics Systems, Lda.
Saúde e Farmacêuticas
- 1.º lugar Grande Empresa: Plural Cooperativa Farmacêutica CRL
- 1.º lugar Média Empresa: Academia Transformar
Tecnologia, Media e Telecomunicações
- 1.º lugar Grande Empresa: InnoWave
- 1.º lugar Média Empresa: Codewin
Prémio de Bem-Estar, Humanização e Dignidade
- CA Seguros, SA
Prémio Entidades Públicas
- Lipor
Prémio 10 anos
- Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
O que distingue as empresas mais bem posicionadas?
Os resultados do estudo que esteve na base do ranking mostram que as organizações melhor classificadas partilham padrões claros. O envolvimento dos colaboradores está hoje fortemente associado à qualidade da experiência de trabalho, mais do que a fatores tradicionais como remuneração ou estabilidade.
As políticas de bem-estar surgem como o principal motor de engagement, seguidas pela compatibilidade entre os valores individuais e os da organização. A perceção de uma estratégia clara, bem como a qualidade da comunicação interna, reforçam igualmente a ligação das pessoas às empresas. Por outro lado, contextos marcados por falta de humanização ou perceção de injustiça tendem a gerar menor envolvimento e maior intenção de saída.
“Cada vez mais, o que faz a diferença é a qualidade da experiência de trabalho que as organizações conseguem criar, como culturas alinhadas com os valores das pessoas, políticas de bem-estar consistentes e lideranças capazes de humanizar o trabalho”, afirma Gonçalo de Salis Amaral, Head of People & Culture Consulting da Cegoc.
Um dos pontos mais críticos identificados nesta edição é o impacto do isolamento social. O estudo estabelece uma relação direta entre isolamento e comportamentos de negligência. Isto é, quanto maior o afastamento sentido pelos colaboradores, maior a probabilidade de desinvestimento no trabalho. Neste contexto, organizações que investem em liderança positiva, coesão de equipa e políticas de apoio conseguem mitigar estes riscos e reforçar o engagement.
IA: fator de envolvimento ou… de saída
A crescente adoção de IA está também a redefinir a relação dos colaboradores com o trabalho. O estudo revela que o desenvolvimento de competências em IA está associado a níveis mais elevados de envolvimento e a uma atitude mais positiva face à transformação digital. Contudo, quando a tecnologia é percecionada como ameaça, aumenta a intenção de saída e diminui a disponibilidade para esforço adicional.
A diferença está, sobretudo, na forma como as organizações comunicam, formam e integram estas mudanças no dia a dia das equipas.
Trabalho híbrido desafia perceções
Os dados desafiam também algumas das perceções mais comuns sobre o trabalho remoto. Ao contrário do que muitas vezes se assume, os níveis de isolamento são mais elevados entre colaboradores em regime exclusivamente presencial. Modelos híbridos, por outro lado, apresentam melhores indicadores de bem-estar psicológico e de envolvimento, sugerindo que a flexibilidade pode ser um fator crítico na experiência de trabalho.
O estudo conclui que o verdadeiro desafio não está apenas no local onde se trabalha, mas na forma como essa experiência é desenhada, sobretudo no que diz respeito à interação, colaboração e sentido de pertença.
“As políticas de bem-estar são hoje os maiores preditores do engagement, mas há um fator ainda mais transversal: a humanização. Cresceu a necessidade de nos compreendermos”, sublinha Henrique Duarte, professor do ISCTE Executive Education.
Um debate alargado sobre o futuro do trabalho
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Mais do que uma cerimónia de entrega de prémios, o People Engagement Summit afirmou-se como um espaço de reflexão sobre os principais desafios da gestão de pessoas. Ao longo de um dia de debate, líderes empresariais, CEOs e responsáveis de recursos humanos discutiram temas como o bem-estar psicológico, o impacto da inteligência artificial, o futuro do trabalho híbrido e a retenção de talento.
A abertura esteve a cargo de Pedro Gomes Santos, CEO da Inetum Portugal, que abordou a relação entre tecnologia, emoção e engagement. Seguiram-se vários painéis com representantes de diferentes setores, incluindo turismo, saúde, setor público e indústria, onde foram discutidas estratégias concretas para atrair e envolver talento. Entre os temas em destaque estiveram o isolamento social nas organizações, o burnout no setor da saúde e os desafios específicos do setor do turismo, marcado por maior rotatividade e menor engagement.
O evento encerrou com uma reflexão sobre cultura organizacional e liderança, sublinhando a importância de alinhar valores, práticas e comportamentos no dia a dia das organizações.
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