Quase três quartos dos profissionais já recusaram uma oferta de trabalho depois de uma má experiência durante o processo de entrevista. A conclusão é de um estudo da Robert Walters, que expõe fragilidades na forma como as empresas conduzem processos de recrutamento e o impacto direto que isso tem na capacidade de atrair talento.
O estudo revela que três em cada cinco responsáveis pela contratação admitem nunca ter recebido formação formal para conduzir entrevistas. Entre as principais red flags identificadas pelos profissionais, destacam-se:
- Processos desorganizados (38%): quando horários e próximos passos não são claros, gerando insegurança nos candidatos;
- Explicação insuficiente da função (28%): dificulta a compreensão do papel e das expectativas associadas;
- Impressões negativas sobre a cultura corporativa (20%): muitas vezes causadas por mensagens inconsistentes ou pouco transparentes.
“Uma entrevista de trabalho é frequentemente a primeira interação real que um profissional tem com a empresa onde gostaria de trabalhar, e pequenos erros podem levá-lo a questionar se essa oportunidade é adequada para si”, afirma David Ferreira, Country Director na Robert Walters Portugal.
Mas as falhas não ficam por aqui. O estudo indica que 47% dos profissionais afirmam que a falta de pontualidade do entrevistador altera a perceção sobre a empresa. E, em muitos casos, o julgamento é rápido: um em cada quatro inquiridos garante que bastam os primeiros minutos da entrevista para decidir se gostaria ou não de trabalhar naquela organização.
A estrutura dos processos também está sob escrutínio. Segundo a Robert Walters, 73% dos profissionais consideram que duas rondas de entrevista são suficientes para cargos intermédios, enquanto apenas 36% defendem três ou mais etapas. “Muitos destes erros são evitáveis”, acrescenta David Ferreira. “Uma estrutura clara e concisa nas entrevistas reflete profissionalismo e respeito pelo tempo do candidato. Também aumenta a probabilidade de que o melhor talento escolha a tua empresa em vez de outras concorrentes.”
Pequenos erros, grande impacto
A forma como as entrevistas são conduzidas pode ter consequências diretas nos custos e na eficácia do recrutamento. “Os responsáveis pela contratação que não receberam formação adequada podem acabar por rejeitar candidatos que seriam ideais para o cargo. Isto pode impactar negativamente os tempos e custos de recrutamento, bem como a capacidade de atrair o melhor talento para a equipa. Além disso, pode prejudicar a perceção da marca empregadora”, sublinha David Ferreira.
Para mitigar estes riscos, a consultora aponta medidas práticas:
- Rever previamente as especificações da vaga e o perfil do candidato, garantindo preparação adequada;
- Estruturar as entrevistas com tempos e tópicos definidos, mantendo o foco da conversa;
- Colocar questões consistentes e relevantes, que permitam avaliar competências técnicas e alinhamento cultural;
- Adaptar o formato da entrevista (presencial ou remoto) sem perder coerência no processo;
- Garantir feedback ao candidato, assegurando acompanhamento e transparência.
“As empresas têm uma oportunidade real de transformar as entrevistas de trabalho numa vantagem competitiva. Apenas equipando os responsáveis pela contratação com preparação e formação adequadas, as organizações podem envolver melhor os candidatos, aumentar as taxas de aceitação e reduzir o risco de perder talento para concorrentes. Mesmo pequenas melhorias, como chegar pontualmente à entrevista, fornecer informações claras e estruturar bem o processo, podem ter um impacto positivo mensurável“, conclui David Ferreira.
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