A
inteligência artificial (IA) está a alterar as competências exigidas aos profissionais de recursos humanos (RH) e a contribuir para uma divisão da função em dois perfis: um orientado para a tecnologia e a estratégia, e outro focado na conformidade legal e na execução de processos. A conclusão é de um estudo da Draup, plataforma de análise do mercado de trabalho apoiada por IA.
A investigação analisou anúncios de emprego relativos a 18 funções de RH, publicados entre julho de 2025 e julho de 2026, e identificou alterações nas competências procuradas pelas organizações. Entre as principais conclusões está a presença transversal da análise de dados, desde funções de especialista de RH até aos cargos de direção.
Por outro lado, competências administrativas como a manutenção de registos, a revisão de processos e a gestão de carreiras e salários estão a perder peso nos anúncios de emprego, à medida que estas atividades são integradas em plataformas tecnológicas ou reorganizadas no âmbito de funções estratégicas.
Segundo a Draup, a transformação está a dar origem a dois perfis profissionais:
- O primeiro combina conhecimentos de people analytics, SQL e Python com responsabilidades na gestão de plataformas tecnológicas e na coordenação de processos de transformação. O estudo identifica escassez destes profissionais e remunerações mais elevadas associadas ao perfil;
- Já o segundo reúne conhecimentos de legislação laboral, investigação de situações de incumprimento e utilização de plataformas de gestão. Segundo a Draup, a procura por este perfil está a aumentar, à medida que os departamentos de RH assumem responsabilidades anteriormente atribuídas às áreas jurídicas.
Vijay Swaminathan, CEO da Draup, considera que os resultados mostram uma divisão das competências exigidas à profissão, que ultrapassa a evolução habitual das funções.
A análise chama também a atenção para as consequências destas mudanças nos processos de recrutamento. De acordo com a Draup, as empresas que continuam a utilizar descrições de funções de há três anos poderão não conseguir atrair profissionais com as competências atualmente procuradas.
A plataforma alerta ainda que o recrutamento baseado num único perfil generalista pode levar as organizações a selecionar profissionais que não correspondem às necessidades específicas das funções.
Análise de dados chega a todas as funções
Uma das conclusões do estudo é a expansão das competências analíticas a diferentes níveis da estrutura de RH. A Draup indica que a análise de dados passou a integrar as exigências identificadas nos anúncios de emprego, incluindo funções operacionais, de especialização e de liderança.
Entre as competências referidas estão:
- People analytics, para analisar informação relacionada com os trabalhadores;
- Workforce analytics, para apoiar a análise e o planeamento da força de trabalho;
- Tomada de decisão baseada em dados, para fundamentar decisões de gestão de pessoas.
A Draup sublinha que esta dimensão analítica não tinha a mesma presença nas funções de RH há cinco anos. A mudança é acompanhada pela diminuição da procura por competências administrativas tradicionais, nomeadamente atividades de registo e acompanhamento de processos, que estão a ser incorporadas em sistemas tecnológicos.
O estudo identifica ainda alterações nas competências exigidas aos profissionais responsáveis pela diversidade e inclusão. A Draup destaca a literacia de dados como a nova competência identificada na análise. Segundo a plataforma, esta exigência está associada à necessidade de medir e apresentar resultados das políticas de diversidade e inclusão. A mudança traduz uma maior importância atribuída à avaliação dos resultados das iniciativas, para além da sua conceção e implementação.
O que muda para os Diretores de RH?
A investigação aponta também para alterações nas competências exigidas aos responsáveis máximos pela função de RH. Segundo a Draup, os Diretores de RH estão a ser posicionados como responsáveis pela transformação organizacional, com maior participação na definição e execução da estratégia empresarial.
Para Vijay Swaminathan, a próxima geração de líderes de RH terá de combinar capacidade de julgamento humano, competências analíticas e conhecimentos de transformação organizacional. O responsável considera que o futuro da função dependerá da capacidade de redesenhar o trabalho, distribuir competências e integrar a IA nos processos organizacionais.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI

























