A RHmagazine esteve no novo edifício-sede da Ageas Portugal – o “Ageas Tejo” -, no Parque das Nações, e falou com Eduardo Caria, o novo responsável da área de Pessoas & Organização do Grupo Ageas Portugal, sobre os seus objetivos para o novo cargo e a forma como se transforma a cultura de uma empresa com tantos colaboradores. “Colaboração” é a palavra-chave.
Como se deu a chegada a esta nova função e quais os seus objetivos para os RH do Grupo Ageas Portugal?
Em primeiro lugar, foi um desafio que me foi lançado e que aceitei muito prontamente, porque realmente é uma área que sempre assumi como muito importante, não só para mim, como para as organizações. Acredito que, pela minha experiência e também por ter sido sempre uma pessoa muito ligada às pessoas, seria um bom “match”. Relativamente àquilo que tenho como ambição, acho que passa por olhar para a organização numa lógica de “future of work”, pensar como a tecnologia vai impactar as organizações, como é que temos de ser mais ágeis, como trabalhar mais a cultura…e, realmente, estarmos adaptados ao que aí vem.
O Eduardo não tem um perfil habitual para um DRH (se é que há um perfil habitual…). É alguém que vem da transformação das empresas. Como é que essa componente “joga” com as pessoas?
Para já, acho que tudo está interligado. Não pode haver pessoas de tecnologia que não percebam de negócio e de pessoas; não pode haver pessoas de negócio que não percebam de tecnologia. Já trabalhei com equipas grandes, já fui responsável de empresas em Portugal, em que também tinha a alçada da componente de RH. Tenho essa experiência ao longo destes anos. Acho que tendo uma boa liderança, que se preocupe com o bem-estar das pessoas e que faça com que estas acreditem na missão e no propósito da organização, faz uma diferença enorme na entrega dos colaboradores.
Nos últimos dois anos, a cultura das empresas sofreu grandes transformações. Como é que se transforma a cultura de uma organização como a Ageas, com 1.300 colaboradores?
Acho que, obviamente, é um trabalho que vai durar algum tempo e tem múltiplos ângulos. Em primeiro lugar, o facto de nos termos concentrado nestes novos edifícios é algo importantíssimo, porque o edifício reflete muito a nossa forma de trabalhar e os nossos valores. Adotamos modelos de trabalho híbrido, que, curiosamente, foi algo em que já tínhamos pensado antes da pandemia. Temos programas na Academia, com planos de formação, coaching, cultura, com o intuito de preparar as pessoas para aquele que será o futuro do trabalho, capacitando-as de ferramentas para enfrentarem as adaptações constantes.
Uma liderança que se preocupe com o bem-estar das pessoas e que faça com que estas acreditem na missão e no propósito da organização faz uma diferença enorme na entrega dos colaboradores
Ou seja, vão tentar transformar e fazer evoluir a cultura. Mas antes disso, fizeram uma reflexão daquela que é a cultura Ageas, atualmente, e como é que vai evoluir? A que conclusões é que chegaram?
Nós temos uma cultura forte, através dos valores que estão muito bem refletidos neste edifício. Acho que o passo seguinte é lançar (e vamos lançar agora) a implementação em força do “Impact24”, que é o nosso próximo ciclo estratégico e que atua relativamente a essas matérias. Contudo, o tronco comum dos nossos valores vai manter-se intacto. Vamos lançar também outro tipo de preocupações – estarmos mais centrados no cliente, sermos muito mais ágeis em termos de organização, mais inovadores. É um complemento e uma evolução; não é necessariamente uma disrupção.
Vão fazer essa evolução de cima para baixo, ou seja, vão começar pelas chefias, que posteriormente transmitem essa nova cultura aos colaboradores?
A ambição é que não seja top-down e que seja um processo o mais inclusivo e transversal possível. Vamos fazer assessments a toda a organização, perceber quais são as skills de futuro necessárias e preparar o futuro com planos muito concretos e adaptados às equipas, aos indivíduos e aos vários níveis de acompanhamento.
Considera que as lideranças mudaram com esta crise sanitária? Precisamos, agora, de líderes diferentes daqueles que precisávamos há três anos?
Sem dúvida. A empatia, a preocupação com as pessoas, o conseguir que as pessoas tenham um vínculo e compreendam o propósito da companhia é cada vez mais importante, porque esta pandemia fez com que estivéssemos muito mais descentralizados. Os líderes têm de estar muito mais atentos, muito mais preocupados com as pessoas e, a este nível, acho que houve uma mudança muito grande. Houve uma mudança muito grande na forma de trabalhar, sem dúvida.
Cada vez mais se ouve que o mercado está “quente”. Sente que há dificuldade em recrutar talento?
Não sinto que seja um problema grande, mas sinto que é claramente mais difícil do que já foi. Acho que todas as organizações vão enfrentar essa barreira e nós temos de criar condições para que a empresa seja cada vez mais interessante para captar esse talento, não só pelas condições, como pela forma de trabalhar, que deve ser cada vez mais flexível. No caso da Ageas, acho que os próprios valores e a forma inovadora e diferente como a empresa se apresenta é um fator positivo para conseguirmos captar mais e melhores pessoas.
Temos de criar condições para que a empresa seja cada vez mais interessante para captar talento
Visitamos as vossas instalações, que são absolutamente fabulosas… Como prevê o futuro do trabalho na Ageas e como é que este edifício tão colaborativo vai ajudar?
Claramente, o futuro é algo muito flexível. Dar flexibilidade às pessoas é positivo, porque se aprendemos algo com a pandemia foi que estar em casa tem a desvantagem de estarmos longe, mas também traz as vantagens de work-life balance. Este edifício foi muito pensado na colaboração – queremos que quando as pessoas cá estão passem um tempo de qualidade. É um espaço que, acima de tudo, promove a interação, a colaboração, o ensino e também a facilidade tecnológica de podermos estar no modelo híbrido, em que temos pessoas em casa e pessoas no escritório, com bastante autonomia para irem ajustando consoante o que mais lhes faz sentido. Diria que é uma “learning experience” e vamos ver como corre. Esta forma de promovermos um balanço saudável, também faz com que as pessoas sejam mais focadas e o foco ajuda muito na agilidade e na eficiência daquilo que se faz.
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