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proposta de valor ao colaborador já não se resume a um conjunto de benefícios. Mede-se, hoje, na consistência entre o que as organizações comunicam e o que efetivamente oferecem às pessoas, no dia a dia. Este foi o fio condutor do webinar “Propostas de valor que inspiram e atraem talentos”, promovido pelo IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos, no dia 11 de dezembro.
Moderada por Cristina Barros, Fundadora do IIRH, a sessão reuniu três responsáveis de recursos humanos de setores distintos – tecnologia, hotelaria e farmacêutica – para uma reflexão aprofundada sobre employer branding em Portugal: Natália Martsenyuk da Cunha, HR Country Lead da Cisco Portugal, Vítor Silva, Director of Human Resources do InterContinental Lisbon, e Alexandra Santos, HR Business Partner da MSD Portugal.
Logo no arranque do webinar, Natália Martsenyuk da Cunha começou por mencionar a Discover Cisco, através da qual potenciais candidatos entram em contacto com a organização de forma antecipada, conhecendo equipas, projetos, formas de trabalho, benefícios e impacto junto de clientes e comunidades. “Ajudamos nesta preparação e explicamos um bocadinho como é o processo de candidatura e de entrevista na Cisco”, explicou, destacando que esta transparência se traduz em candidaturas mais alinhadas e conscientes. “Quando alguém chega ao processo formal (…) já conhece a realidade técnica e a cultura”, o que melhora tanto a qualidade das candidaturas como a experiência do candidato.
Quando a presença é inevitável, a proximidade é estratégica
Na hotelaria, onde o contacto humano é central e o trabalho remoto é limitado, a proposta de valor constrói-se noutros eixos. Vítor Silva foi claro ao enquadrar o desafio: “Trabalho num setor de atividade bastante distinto, em que vivemos um momento em que o mercado de recursos humanos disponível, em qualidade e em quantidade, está de facto deficitário”. A resposta passa por uma forte aposta na retenção, no desenvolvimento e no bem-estar, numa lógica de proximidade. “Acabamos por dizer ao mercado aquilo que nós somos pelo que fazemos e pelas pessoas que dão vida aos nossos hotéis.”
Essa abordagem traduz-se num investimento consistente em soft skills, inteligência emocional e saúde social. “Aquilo que nos implica mais (…) é trabalhar as soft skills dos nossos colaboradores”, explicou, num modelo assente em quatro dimensões: saúde mental, física, financeira e social.
Num setor exigente, onde a flexibilidade é limitada, o compromisso e a autenticidade assumem-se como pilares. Vítor Silva sintetizou a proposta de valor em três compromissos claros: crescer, marcar a diferença e pertencer. “Todos os que se juntam às nossas casas têm oportunidades e espaço para crescer, marcar a diferença e pertencer”, afirmou, defendendo uma gestão “quase à medida” das expetativas individuais.
A proposta de valor da MSD
Já na MSD, o propósito é o fio condutor da proposta de valor. “A MSD tem um propósito muito forte, que é o de melhorar e salvar vidas”, frisou Alexandra Santos, sublinhando que esse propósito é vivido internamente e não apenas comunicado externamente. Essa coerência materializa-se em benefícios alinhados com a missão da empresa, como o Cancer Pledge, que integra programas de vacinação contra o HPV e acesso a rastreios oncológicos.
O impacto na comunidade é outro elemento estruturante. “Um dos temas que mais une as nossas pessoas é efetivamente o impacto que nós podemos ter na comunidade”, afirmou Alexandra Santos, destacando iniciativas como o Prémio Maria José Nogueira Pinto e o programa MSD Gives Back, que permite aos colaboradores dedicar 40 horas anuais a voluntariado à sua escolha. A flexibilidade do modelo responde à dispersão geográfica das equipas e ao trabalho híbrido, reforçando a autonomia e o sentido de pertença.
Também na Cisco, o voluntariado surge como um dos pilares mais transformadores da experiência do colaborador. Natália Martsenyuk da Cunha destacou o programa Time to Give, que disponibiliza 10 dias de voluntariado pagos. “Vemos estas ações como uma plataforma para as pessoas se conectarem com outras pessoas com quem não trabalham diariamente”, explicou, sublinhando o impacto simultâneo na comunidade e no networking interno.
No InterContinental Lisbon, a experiência do colaborador passa também pela celebração e pela diversão. Vítor Silva destacou as festas temáticas e os momentos de reconhecimento como elementos diferenciadores. “São estes momentos que fazem com que as pessoas confraternizem e se identifiquem com o prazer de trabalhar num hotel.”
A comunicação interna surgiu, transversalmente, como um fator crítico para o sucesso das propostas de valor. Natália Martsenyuk da Cunha reconheceu a complexidade do desafio: “Ou comunicamos demais, ou não comunicamos o suficiente”. A resposta passa por clareza, objetividade e multiplicidade de canais.
Vítor Silva defendeu uma comunicação constante, visual e próxima. Também Alexandra Santos reforçou a mesma ideia: “Podemos fazer tudo perfeito, mas se não comunicarmos bem, as coisas não têm o impacto que nós queremos”.
Questionados sobre os erros mais comuns no reforço da marca empregadora, os três oradores convergiram na mesma ideia: incoerência. Para a responsável da Cisco, a marca começa antes da contratação. Do lado do InterContinental Lisbon, o risco está em perder a proximidade e esquecer o reconhecimento. No caso da MSD, erro é tentar “construir de fora para dentro”, criando um desfasamento entre discurso e realidade.”Não só não reforça a marca, como até fragiliza a própria marca”, alertou Alexandra Santos.
A encerrar, a HR Business Partner da MSD Portugal destacou as iniciativas que mais impacto tiveram recentemente na organização: o modelo de trabalho híbrido formalizado, a “sexta-feira flexível”, o programa de saúde mental e o programa de reconhecimento.
Assista ao webinar em: https://www.youtube.com/live/FXpdxl65teM
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