O que distingue as organizações certificadas?
Uma excelente empresa para trabalhar é visível de fora, independentemente das campanhas de employer branding. Se nos sentarmos na receção de uma organização, rapidamente conseguimos identificar sinais da sua cultura e reconhecer valores como confiança, orgulho, camaradagem, respeito e justiça. No entanto, isso não basta. A verdadeira qualidade da cultura só se revela quando perguntamos aos colaboradores como vivem a sua experiência de trabalho. É aí que percebemos até que ponto estes valores fazem realmente parte do dia a dia.
O maior mito é acreditar que a cultura se constrói através de campanhas de employer branding, escritórios modernos ou paredes inspiradoras. Esses elementos podem comunicá-la, mas não a criam. A cultura constrói-se na consistência da liderança, na forma como as pessoas são tratadas, na credibilidade das decisões e na experiência diária dos colaboradores. A cultura é aquilo que as pessoas sentem quando trabalham numa empresa. É um sinal que nem sempre se vê, mas sente-se.
O que diferencia as empresas que conseguem transformar o employer branding em impacto real?
As empresas que geram verdadeiro impacto entendem que o employer branding se constrói de dentro para fora. Uma campanha pode atrair atenção, mas não sustenta uma experiência que não exista. São os colaboradores que validam – ou descredibilizam – a promessa feita pela organização. Por isso, destacam-se as empresas que investem de forma consistente na confiança, no respeito e na credibilidade.
Quando existe uma cultura forte, os resultados tornam-se visíveis: maior compromisso, retenção de talento, capacidade de adaptação e melhores resultados para o negócio. A marca empregadora deixa de ser apenas comunicação e passa a refletir a experiência vivida. As melhores empresas para trabalhar não são as que o afirmam. São aquelas cujas pessoas o dizem por elas. A verdadeira diferenciação acontece quando a perceção interna e a reputação externa estão alinhadas.
O que leva os colaboradores a reconhecer uma empresa como um excelente lugar para trabalhar?
Um excelente lugar para trabalhar não é um lugar perfeito. Cada pessoa vive o trabalho de forma diferente, mas décadas de investigação mostram um denominador comum: a confiança. Os colaboradores reconhecem uma excelente empresa quando confiam nas lideranças, são tratados com respeito, sentem que o seu contributo é valorizado e que existe justiça nas decisões.
É isso que cria ambientes seguros para colaborar, inovar e dar o melhor de si. A confiança traduz-se em três indicadores claros: orgulho no trabalho, gosto pelas pessoas com quem se trabalha e vontade de recomendar a empresa. Quando estes elementos existem, cresce o sentimento de pertença e a camaradagem, pilares das organizações com culturas de excelência.
“A confiança é uma via de dois sentidos: os colaboradores precisam de confiar nas lideranças e estas nas suas equipas. É esta relação que cria ambientes onde as pessoas se sentem valorizadas, seguras para contribuir e motivadas para dar o seu melhor.”
Como mudaram as expectativas dos profissionais em relação às empresas onde escolhem trabalhar?
Nos últimos anos assistimos a uma mudança profunda nas expectativas dos profissionais, acelerada pela pandemia. Se antes o sucesso estava associado à disponibilidade permanente, hoje existe uma maior valorização do bem-estar e do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ainda que esse equilíbrio tenha um significado diferente para cada pessoa.
Os profissionais passaram também a valorizar não apenas o que fazem, mas onde, como e porquê o fazem, procurando organizações cujos valores e propósito estejam alinhados com os seus. As novas gerações reforçaram esta tendência. Procuram desenvolvimento, mas também significado e impacto positivo.
Mais do que benefícios pontuais, as organizações são chamadas a demonstrar autenticidade. As empresas mais atrativas conseguem combinar desempenho, propósito e confiança.
Que papel tem hoje a liderança na atração, envolvimento e retenção de talento?
A liderança continua a ser determinante. A cultura organizacional não é definida pelo que está escrito na missão ou nos valores, mas pelos comportamentos das lideranças. Quando existe desalinhamento entre discurso e prática, a confiança é a primeira vítima. Como diz o ditado, o exemplo vem de cima.
Mais do que definir objetivos e exigir resultados, os líderes têm a responsabilidade de dar direção, transmitir clareza em momentos de incerteza e caminhar ao lado das suas equipas. São eles que ajudam a dar significado ao trabalho, promovem a inclusão de diferentes perspetivas e criam as condições para que cada pessoa possa desenvolver todo o seu potencial. Num contexto de mudança acelerada, os profissionais procuram líderes autênticos, humanos e próximos.
No seu entender, o que vai distinguir as marcas empregadoras mais fortes nos próximos anos?
Acredito que serão aquelas que conseguirem demonstrar, de forma credível e transparente, que a experiência que prometem é efetivamente vivida pelos seus colaboradores. Os profissionais confiam menos naquilo que as organizações dizem sobre si próprias e mais naquilo que os seus colaboradores dizem sobre elas. Por isso, o futuro das marcas empregadoras passa pela validação interna, sustentada por feedback genuíno, dados e evidências concretas da experiência dos colaboradores. A credibilidade será um fator diferenciador cada vez mais importante.
“As melhores empresas para trabalhar são aquelas cujas pessoas o dizem por elas.”
Não há problema em ainda não ser a melhor empresa para trabalhar. O verdadeiro problema é não querer evoluir. As culturas de excelência constroem-se através da escuta, da aprendizagem contínua e da coragem de agir sobre o feedback recebido.
Porque, no final, a maior prova de autenticidade de uma liderança não é afirmar que tem todas as respostas, mas demonstrar que está disposta a ouvir, aprender e melhorar em conjunto com as suas pessoas. E este é um fator poderoso de validação.
Retrato das organização certificadas
- 200 empresas certificadas
- 235 organizações avaliadas
- 66.846 colaboradores abrangidos pelas avaliações/certificações nas empresas certificadas
- Cerca de 90 mil colaboradores abrangidos (considerando todas as organizações avaliadas, certificadas e não certificadas)
- 62% com elevada confiança na liderança
- 85% recomendariam a empresa
Artigo publicado na edição n.º 1 da Employer Branding by RHmagazine
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