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IA entrou nas empresas pela porta da frente, mas, em muitos casos, parece ter-se perdido nos corredores. Segundo um inquérito divulgado pela consultora Gartner, 45% dos gestores afirmam que a utilização de IA melhorou o trabalho das suas equipas, embora a integração da tecnologia continue desigual dentro das organizações.
O estudo, aponta para um fator muitas vezes negligenciado nos processos de transformação tecnológica: o papel dos gestores na integração efetiva destas ferramentas no dia a dia das organizações. “Os CHROs estão sob pressão para garantir uma utilização eficaz das ferramentas de IA pela força de trabalho, mas têm confiado demasiado em capacitar os colaboradores para explorarem a IA por iniciativa própria”, afirma Carmen von Rohr, Senior Principal na área de Recursos Humanos (RH) da Gartner. “Até agora, os RH têm-se concentrado sobretudo em permitir que os colaboradores explorem, aprendam e inovem com a IA, mas têm ignorado o papel do gestor na promoção de uma utilização eficaz destas ferramentas”.
Quem está realmente a usar IA nas empresas?
Um inquérito realizado em julho de 2025 junto de 2.986 trabalhadores indica que 46% dos gestores estão a testar ferramentas de IA para melhorar o seu trabalho, enquanto apenas 26% dos restantes colaboradores fazem o mesmo.
Outro inquérito conduzido no mesmo período, desta vez junto de 1.973 gestores, mostra que apenas 14% afirmam não enfrentar qualquer dificuldade em promover uma utilização eficaz da IA nas suas equipas. Ou seja, a grande maioria reconhece obstáculos na integração destas ferramentas no trabalho diário.
Três decisões críticas para os RH
Perante este cenário, a Gartner identifica três áreas de atuação prioritárias para os departamentos de RH garantirem uma utilização eficaz da IA nas organizações:
- Preparar os gestores com ferramentas para integrar a tecnologia no trabalho;
- Alinhar as equipas de gestão com as expectativas organizacionais para o seu uso;
- Orientar a forma como o tempo poupado com a IA deve ser utilizado.
“Os gestores têm de encontrar um equilíbrio – garantir que não perdem a confiança e a credibilidade junto das suas equipas, ao mesmo tempo que traduzem os benefícios da IA que observam em narrativas de valor que a liderança e o negócio procuram”, diz Carmen von Rohr.
As empresas pedem IA, mas raramente dizem como usá-la
A implementação da IA exige, segundo a consultora, mais gestão da mudança do que qualquer tecnologia anterior. Para apoiar este processo, os RH devem:
- Identificar motivações, frustrações e desafios específicos de cada equipa para ajustar a formação e o apoio em IA;
- Preparar os gestores para lidar com a resistência emocional que a mudança tecnológica pode gerar;
- Ajudar os gestores a comunicar de forma eficaz o valor da IA junto da liderança.
Embora muitas empresas incentivem a utilização de ferramentas de IA, poucas definiram expectativas claras sobre como devem ser utilizadas ou que resultados são esperados. Por isso, a Gartner refere que os departamentos de RH devem comunicar de forma transparente aos gestores quais são as expectativas organizacionais em relação ao uso eficaz da IA e quais as mudanças comportamentais necessárias. Em alguns casos, isso pode implicar que os gestores identifiquem práticas organizacionais ineficientes, enquanto os colaboradores são incentivados a reduzir comportamentos individuais pouco produtivos.
A grande questão: o que fazer com o tempo poupado pela IA?
Outro desafio emergente prende-se com a forma como o tempo poupado com a utilização de IA deve ser utilizado. “Hoje, a maioria das organizações está apenas a observar os colaboradores a poupar pequenos e fragmentados blocos de tempo com a utilização da IA”, aponta Carmen von Rohr. “Isto vai mudar à medida que a tecnologia evoluir. Quando os colaboradores começarem a poupar blocos de tempo significativos graças à IA, esse tempo terá de ser redistribuído de forma eficaz.” Ainda assim, um inquérito realizado em julho de 2025 junto de 114 líderes de RH mostra que apenas 7% das organizações disponibilizam orientações sobre como utilizar o tempo poupado com IA.
A falta de alinhamento também é evidente entre liderança e gestão intermédia. Segundo o estudo, 55% dos líderes de RH gostariam que os colaboradores utilizassem uma hora libertada pela IA para trabalhar em projetos especiais fora das suas funções principais, mas apenas 28% dos gestores priorizariam essa opção. Para ultrapassar este desafio, a Gartner recomenda que os CHROs ajudem os gestores a ligar atividades concretas ao impacto organizacional, permitindo orientar melhor as equipas sobre como utilizar o tempo libertado pela tecnologia.
Nesse processo, os gestores devem trabalhar com os colaboradores para identificar atividades de maior valor, questionando:
- Quais são as atividades de valor acrescentado para cada função, medidas por resultados humanos ou de negócio;
- Quais as competências que devem ser desenvolvidas;
- Que atividades potenciadoras de crescimento melhor se adequam às capacidades e aspirações de cada profissional.
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