As empresas estão hoje mais preparadas para responder às expectativas da Geração Z, mas isso já não chega para garantir que os mais jovens queiram ficar. É esta uma das principais conclusões da análise do Global Talent Barometer 2026, do ManpowerGroup.
Apesar da melhoria registada em indicadores como o desenvolvimento de competências, as oportunidades de progressão, o apoio das chefias e a conciliação entre vida profissional e pessoal, os mais jovens continuam a ser a geração menos comprometida com a organização onde trabalham e a que mais duvida da estabilidade do próprio emprego. A inteligência artificial (IA) surge como um dos principais fatores por detrás dessa incerteza.
IA agrava receios
Embora continue a ser a geração mais confortável com a tecnologia, a confiança dos jovens na sua capacidade para acompanhar as novas ferramentas caiu de 80% para 72% num ano. Ao mesmo tempo, mais de metade (52%) acredita que poderá perder o emprego nos próximos dois anos devido ao impacto da IA, tornando a Geração Z a mais apreensiva quanto às consequências desta tecnologia no mercado de trabalho. Mais: apenas 53% acreditam que conseguirão manter o posto de trabalho atual, menos 10 pontos percentuais (p.p.) do que em 2025.
Além disso, 73% dos profissionais da Geração Z afirmam sentir sintomas de burnout, a percentagem mais elevada entre todas as gerações analisadas. O stress e a carga de trabalho continuam a ser os principais fatores apontados, mas surgem também a falta de perspetivas de evolução, a reduzida flexibilidade horária e a insegurança profissional e financeira.
A pressão financeira também leva muitos jovens a procurar fontes adicionais de rendimento. Atualmente, 77% complementam o salário com um segundo emprego em regime de part-time ou trabalho freelancer, a percentagem mais elevada entre todas as gerações.
Qual o novo desafio para as empresas?
Por outro lado, só 40% dos profissionais da Geração Z dizem sentir-se comprometidos com a empresa onde trabalham, menos sete p.p. do que no ano passado. O valor fica igualmente muito abaixo do registado pela Geração X e pelos Baby Boomers. Ao mesmo tempo, esta continua a ser a geração que mais acredita na sua capacidade para encontrar um novo emprego. Sete em cada 10 jovens estão convencidos de que conseguirão fazê-lo nos próximos seis meses.
Apesar dos avanços registados, o ManpowerGroup considera que as empresas enfrentam um novo desafio: transformar a satisfação dos mais jovens num compromisso duradouro, reforçando a confiança nas perspetivas de evolução e de estabilidade dentro da organização.
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