Criada em 2011 e já com presença em quatro continentes, a talent.com chegou a Portugal no ano passado. Lucas Martinez, o seu co-CEO, falou à RHmagazine da história da empresa, do modelo de negócio corporativo e, principalmente, de como se posiciona no mercado digital da captação de talento. O gestor espanhol abordou também as expetativas para a operação em Portugal.
Qual a história da talent.com e porque chegam agora a Portugal?
A talent.com é uma história de três amigos que decidiram embarcar numa aventura empreendedora. A empresa foi lançada sob o nome de Neuvoo, em maio de 2011, em Montreal (Canadá). Maxime Droux, Benjamin Phillion e eu lançámos um motor de procura de emprego que poderia representar uma alternativa aos websites já presentes no ecossistema tecnológico de RH. Tendo perfis muito diferentes, soubemos complementar-nos e realizar os sonhos de expansão internacional.
Do Canadá (Montreal) – e graças à proximidade com os Estados Unidos -, pudemos testar a eficácia do nosso modelo antes de o implementarmos no mercado vizinho, mais desenvolvido. Desde a Suíça, encontrámos uma porta de entrada para os principais mercados europeus, tais como França, Reino Unido, Holanda, Itália e Alemanha. Hoje, estamos numa fase mais madura: o crescimento obtido permite desenvolver equipas locais dedicadas aos mercados emergentes, tais como Portugal.
Considera que atualmente é mais fácil ou mais difícil captar talento?
Neste momento, com o novo mundo digital, as empresas têm mais alternativas e canais para atrair talento, e a nossa proposta na talent.com é justamente apoiar as grandes empresas na sua estratégia de atração de candidatos. Através da talent.com, as empresas podem espalhar as suas vagas em vários canais com o objetivo de serem bem-sucedidas quando se trata de atrair candidatos através de meios digitais. Esta estratégia acelera o processo de recrutamento de candidatos.
Qual é a vossa oferta de valor para as empresas que procuram talento?
Talent.com é uma plataforma de procura de emprego. O objetivo é disponibilizar aos candidatos todas as ofertas de emprego nos 78 mercados em que estamos presentes e redirecionar as melhores para os nossos clientes que estão a recrutar. O papel que desempenhamos não termina aí, pois seguimos todos os clientes ao longo do processo de publicação do anúncio até que os candidatos sejam recebidos.
Através da talent.com, as empresas podem espalhar as suas vagas em vários canais com o objetivo de serem bem-sucedidas na atração de candidatos através de meios digitais
Para além deste apoio personalizado, o nosso valor acrescentado reside na qualidade do tráfego que oferecemos aos clientes: utilizamos tecnologia do programmatic advertising para fornecer os candidatos mais alinhados com as buscas das empresas. Desta forma, otimizamos o tempo e custos desta operação.
Qual é o modelo de negócio da talent.com? Qual é a audiência do seu website atualmente?
O modelo que rege o funcionamento do talent.com é o Pay-For-Performance: é mais arriscado para nós, mas proporciona o nível de flexibilidade necessário aos nossos clientes e permite-nos ser competitivos num mercado quase saturado. O modelo é muito simples, operamos como o “Google do recrutamento”: talent. com recolhe todas as ofertas de emprego online e disponibiliza-as gratuitamente aos visitantes do site. As empresas que desejam obter uma maior visibilidade (e aumentar as suas oportunidades de serem apresentadas aos candidatos) podem, através do modelo Pay-Per-Click, patrocinar as suas ofertas. Cada oferta de emprego tem um custo que é deduzido de um orçamento mensal. Este custo é definido por palavras-chave, locais, setores e período e reflete a situação no mercado de trabalho.
Ao contrário de um modelo tradicional (por exemplo, custo fixo para um “pacote”, sem garantia de resultados), o modelo Pay-Per-Performance oferece mais transparência e controlo sobre a campanha: uma campanha que não obtém visibilidade não costuma gerar custos.
Em relação a Portugal, como veem os próximos meses no recrutamento?
Com a pandemia, muitas empresas lutaram para contratar candidatos e atualmente a oferta é maior do que a procura. Por isso, o mercado parece promissor para talent.com, através de uma procura contínua por parte das empresas.
O objetivo é disponibilizar aos candidatos todas as ofertas de emprego nos 78 mercados em que estamos e redirecionar as melhores para os nossos clientes que estão a recrutar
Acresce que Portugal é um país tecnologicamente desenvolvido e por isso a maioria das empresas está consciente da importância do recrutamento online e dos seus benefícios. Portugal tornou-se bastante conhecido pelos serviços online: há cada vez mais empresas estrangeiras que se mudam para o país ou que estão a pensar fazê-lo, com importantes necessidades de recrutamento.
Quais são os seus objetivos para o mercado português?
A estratégia da talent.com para o desenvolvimento de cada um dos seus 78 países tem sido sempre a mesma: primeiro descobrir os países através dos nossos centros europeus (Lausanne, Paris, Londres, Barcelona) e depois investir em recursos dedicados no território. 2023 apresenta-se como um ano promissor para talent.com em Portugal: já assinamos vários acordos com atores importantes no mundo do call center e com algumas das mais importantes agências de emprego locais. A avaliação de final de ano irá certamente permitir-nos incluir Portugal no nosso mapa e alimentar as ambições deste mercado, investindo cada vez mais recursos durante este ano e no próximo.
Entrevista publicada na edição 144 da RHmagazine, referente aos meses de janeiro/fevereiro 2023